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Aula de desenho e a percepção da realidade

O “Curso de desenho“, de Charles Bargue, há tempos acumulava pó na estante. Não por falta de vontade ou interesse, mas pela falta de criatividade em transpôr uma pequena dificuldade inicial. Aliado a isso, por tratar-se de um assunto (ou uma habilidade) que não é (ou não é considerada) essencial, fui deixando o tempo passar. Para quem não conhece, o “Curso de desenho” é um tradicional guia para quem quer aprender desenho clássico, um material muito bem conceituado, que serviu à instrução de pintores como Van Gogh e Picasso.

Logo de saída, Bargue propõe como exercício ao aluno o observar e o desenhar de uma figura em gesso. Pronto. The end. Que figura em gesso um ser humano como eu há de ter em casa?! Mas tanto as crianças pediram e tanto eu mesma queria aprender que resolvi incomodar um amigo arquiteto a respeito da proposta do livro. Explicou-me ele que a figura em gesso poderia ser tranquilamente substituída por um objeto branco qualquer, desde que opaco, pois um dos objetivos desta primeira etapa é treinar o olho para a luz e para a sombra — obrigada, Pedro! Certo, fim da enrolação. Agora eu só precisava encontrar um objeto branco e opaco. E encontrei… o dove. É, o sabonete dove, mesmo. Não, eu não tenho mais nada branco e fosco em casa.

Aproveitando a cesta do Nathan e a Mena no colo do papai, lá fomos nós, eu, Chloe e Bibi, na maior empolgação do mundo, desenhar um sabonete. Limpei a mesa, arrumei a luz, peguei os materiais. Tudo ok. Mas… que dificuldade! Céus, como é difícil desenhar! Chloe e Bibi se divertiram um monte e nós ríamos a cada vez que o Benjamin espichava o braço para pegar a borracha e a confundia com o sabonete, mas eu fiquei lá, um tempão, tentando colocar no papel aquilo tudo que eu estava vendo como se fosse a primeira vez na vida. Descobri que há diferentes tons de sombra, diferentes intensidades de escuridão, assim como há diferentes intesidades de luz, embora as variações na luz sejam mais facilmente perceptíveis. Enfim, levei o negócio a sério, pois, na verdade, sempre quis aprender a desenhar, desde criança, mas nunca tive a chance e, com o passar do tempo, deixei a idéia de lado.

A dificuldade de “manuseio”, de familiaridade com o material não foi o que mais me impressionou no meu desempenho, mas, antes, a dificuldade em conseguir colocar no papel aquilo que eu estava vendo. Melhor dizendo, primeiro percebi a minha dificuldade em perceber, minha completa falta de treino visual, e, depois, a dificuldade em materializar em traços aquilo que via. Foi também inevitável pensar em uma dificuldade semelhante, mas que ocorre em uma outra área, isto é, no quanto nos custa conseguir entender o que acontece ao nosso redor e o ser capaz de expressá-lo verbalmente. Quantas vezes, ao começar escrever um texto, as palavras simplesmente seguem numa direção diferente e conferem uma aparência canhestra àquilo que se viu, pensou e compreendeu? Neste sentido, saber desenhar assemelha-se a saber escrever, pois rabiscar qualquer coisa está ao alcance de qualquer um, mas exprimir com toda a veracidade, riqueza e sutileza as experiências que se vive é algo que só se obtém por meio de um treino incansável, permanente. Um treino que todos nós deveríamos ter.

Deixo aqui os resultados desse nosso primeiro e gratificante esforço.

O modelo.
Concentração.
Muita concentração.
Dove do Bibi.
Dove da Chloe.
Meu dove.
O sapeca acordou antes do fim da aula. 🙂

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Um novo assunto: História da Arte!

Acho que as duas disciplinas escolares que mais amo são História e Arte. Como esse meu interesse deve ter algum componente genético (ou não 🙂 ), tanto a Chloe quanto o Bibi também nasceram gostando dos dois assuntos. Apesar disso, o que não tinha me ocorrido até o momento era tentar uni-las e trabalhá-las conjuntamente, partindo da perspectiva da arte e expandindo para diferentes aspectos do período histórico abordado.

Assim, há dias vinha pesquisando e reunindo materiais: sites, livros, vídeos… Comecei pelo que já conhecia, o Timetables of history (que já indiquei aqui no blog tempos atrás) e o apaixonante Heilbrunn Timeline of Art History (o site do Metropolitam Museum of Art, de Nova York). Mas a dificuldade sobre como apresentar os conteúdos de uma forma interessante — e não infantilóide — continuava. Cheguei, então, graças a um desabafo no facebook, aos excelentes livros History of Art, de Élie Faure, e História da Arte de Ernst Gombrich. Bons para mim, de fato… mas ainda não para eles.

Dias depois, recebi por mensagem o link para boa parte das aulas da cadeira de  História da Arte da UNESP. Um achado, sem dúvida, todavia, como eu não queria simplesmente delegar as aulas a um terceiro mas ministrá-las, deixei as aulas da graduação como um complemento, como uma carta na manga em caso de necessidade. E segui na procura.

Por alguma razão qualquer, mais alguns dias depois, puxei um dos volumes do Tesouro da Juventude da estante. Acho que eu estava lendo a parte sobre poesia quando descuidadamente vi “Livro das Belas Artes” no índice, uma das seções da coleção. Conferi os conteúdos referentes ao assunto e… bati o martelo! Sim, a antiga e manchada coleção de 1955 continua sendo um tesouro, de linguajar e conteúdo acessíveis às crianças, mas sem subestimá-las ou empobrecê-las, de maneira que resolvi adotá-la como base para nossas aulas. Além dela, para fins ilustrativos, usarei a linha do tempo do Heilbrunn, e, para os demais assuntos, o Timetables como ponto de partida.

Hoje tivemos nossa primeira aula e como assunto as inscrições deixadas nas cavernas pelos trogloditas da Idade da Pedra. Para melhor ilustrá-la, usei o site Lascaux, que permite um passeio virtual pelo local. As crianças se esbaldaram vendo os cavalos, bisões e veados espalhados pelas paredes.

Por fim, disse à Chloe que separasse uns pedaços de carvão do fogão à lenha para que os usassem para desenhar o muro, criando sua própria Lascaux. O resultado foi modesto, mas divertido.

Espero que os links e referências sirvam de incentivo aos pais que quiserem incrementar suas aulas. 😉
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Quando começar o HS?

Tudo se torna morbidamente mais fácil quando alguém nos diz o que fazer, como fazer e quando fazer. Em termos educacionais, a lei que estabelece a idade obrigatória para o início da frequência à escola faz isso, de modo que poucos questionam a real necessidade de uma criança de quatro anos ficar um turno inteiro (ou até dois) longe da família, cercada de estranhos, “estudando”. Sem mencionar todos os pormenores de carga horária, materiais, metodologias “burrocraticamente” fixados, definidos por alguma entidade etérea qualquer.

Nesse contexto, se, por um lado, as políticas educacionais do governo nos oferecem um controle minucioso e uma padronização dos ritmos da vida de nossas crianças, exigindo de nós apenas a adesão automática, por outro, o homeschooling pode parecer um salto em queda-livre e sem paraquedas, dada a grande liberdade que possibilita, não somente com respeito à idade de início dos estudos, mas também com relação aos métodos, materiais, horários etc.

Mas afinal, existe uma idade certa para se começar o homeschooling? Não, rigorosamente falando, não existe. “Oh! Mas como assim?!” Veja, quando eu era criança, a idade indicada em lei era 7 anos. Alguns anos atrás, recuou-se um ano, estabelecendo em 6 a idade correta. Isso tudo não soa um tanto aleatório? Além disso, se considerarmos a vida familiar corriqueira, quando é que um pai passa a ensinar ao filho: Quando senta ao seu lado para explicar-lhe adição ou quando, muito tempo antes, conversa com ele já nos primeiros dias de vida?

Como no homeschool a instrução ocorre no seio do lar, é a familiaridade quem modula os ritmos, independentemente do método adotado. Conheço um menino que aprendeu os números sozinho e aos 2 anos já fazia somas elementares. Conheço um outro menino que só deslanchou na leitura a partir dos 8 anos de idade. A mãe do primeiro deveria ter desviado a atenção que o filho focava sobre os números para algo mais adequado à sua idade? A mãe do segundo deveria ter desistido de estimular o filho e tê-lo entregue às “autoridades” educacionais, isto é, à escola? Não e não. Por certo a mãe do primeiro menino não estruturava aulas como a do segundo, mas isso não significa que não oferecesse a ele o suporte necessário para desenvolver sua aptidão natural, assim como a segunda certamente usufruiu da liberdade que possuía para investir mais tempo na superação das dificuldades do filho.

Acredito que no homeschool os elementos mais importantes são o estar atento às inclinações e interesses da criança, ao seu ritmo, e também o proporcionar a ela os recursos necessários ao seu dessenvolvimento. Assim, pode acontecer de uma família elaborar aulas propriamente ditas desde os 3, 4 anos de idade da criança, assim como pode acontecer de uma outra família começar a fazê-lo somente por volta dos 7 anos (o que não quer dizer que a criança que começa a “ter aulas” com tal idade não tenha aprendido muitas coisas antes disso, ainda que de uma maneira menos “oficial”, mais informal). Além disso, em famílias com mais de um filho, quando os mais novos vêem os mais velhos estudando, também querem estudar, o que termina por levá-los à rotina de estudos muito mais cedo e espontaneamente.

Por fim, é importante dizer também que, com o passar do tempo, é normal que a rotina das famílias homeschoolers se estruture de maneira mais organizada e fixa, mas isso é o resultado de um arranjo que combina liberdade e circunstância: a liberdade de poder decidir e as demandas da circunstância real em que se vive. No homeschooling não é o governo quem diz o que, como e quando estudar, mas é a família, aqueles que melhor conhecem e que efetivamente zelam pelo desenvolvimento das crianças, quem decide.

PS: Lembrando aos “liberdadefóbicos” que só pratica HS quem realmente está disposto em investir no crescimento dos próprios filhos, uma vez que enviá-los à escola, como disse, é morbidamente mais fácil.

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Visita-professora de ciências

Se quando morávamos em Porto Alegre vivíamos fechados em um apartamento e sozinhos a maior parte do tempo, agora, no interior, estamos constantemente recebendo visitas. Até recentemente, no entanto, e por simples descuido meu, não havia percebido a grande oportunidade que é para o aprendizado das crianças que recebamos em nossa casa pessoas com as mais variadas experiências de vida e de formação. Assim, em lugar de interrompermos abruptamente nossos estudos, abrimos parênteses especiais em nossa rotina para aprendermos algo novo.

Foi deste modo que, dias atrás, ao saber do desejo de uma amiga de vir estar conosco, resolvi pedir-lhe que reservasse um pouquinho do seu tempo entre nós para ministrar uma pequena aula às crianças. Tarsila está na reta final do curso de medicina e, para felicidade nossa, tem prazer em transmitir o que sabe. Por outro lado, como a disciplina de ciências não é uma prioridade (até o momento) para nós, os conhecimentos dela viriam a suprir uma lacuna em nossos estudos — embora tenhamos vários livros de ciências à disposição das crianças, não estudamos efetivamente o assunto.

Com o auxílio da Enciclopédia Barsa, que tem páginas excelentes sobre o corpo humano, as crianças tiveram uma pequena introdução à anatomia e à fisiologia. Além do caminhão de perguntas totalmente aleatórias que despejaram (e para as quais obtiveram todas as respostas), Chloe e Bibi aprenderam sobre o sistema circulatório, sobre o sistema respiratório, sobre o sistema digestivo e mais algumas outras coisas que devo ter esquecido.

Apesar da brevidade e do constante pipocar de perguntas incontroláveis, o tempo de aula foi excelente para todos nós. Muito obrigada, tia Tarsila!

Se sua família é homeschooler, incentivo você a fazer o mesmo. Aproveite cada visita para incrementar ainda mais os conhecimentos das crianças. 😉
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Biscoitos de manteiga e o sentido prático da vida

Já nem me recordo mais o lugar onde li ou assisti o Prof. Olavo relatando um importante momento de sua juventude. Estava ele na casa de um amigo quando o pai deste começou a relatar o processo de fabricação de cada uma das coisas que tinham então diante de si: a mesa, a xícara, o queijo, e assim por diante. Naquela ocasião o professor percebeu o quão pouco sabia sobre a origem dessas coisas básicas da vida, que fazem parte do dia a dia de todos nós, e o quanto, por causa disso, a sua percepção e compreensão da realidade estavam mutiladas.

Desde que li (ou ouvi) esse relato, pude constatar repetidas vezes semelhante falha em minha própria formação, mas, por outro lado, pude também decidir fazer diferente com meus filhos. No entanto, o tempo foi passando, as visitas que tentamos combinar não vingaram e acabamos, mais uma vez, nos acomodando na ignorância.

Recentemente, entretanto, o seguinte post do prof. trouxe à tona mais uma vez o assunto e o desejo de fazer diferente:

“Sugestão para desenvolver o sentido prático nas novas gerações: mostre a seu filho todos os ofícios, todas as técnicas que puder. Leve-o para ver o que faz um carpinteiro, um relojoeiro, um torneiro mecânico, um criador de gado, um plantador de alface, um domador de cavalos, um sapateiro, etc. etc.”

Entramos, então, em contato com os proprietários de uma fábrica de biscoitos e recebemos autorização para visitá-los. Foram duas horas excepcionais! Graças à incrível paciência e carinho do casal Míriam e David, Chloe e Benjamin aprenderam o passo a passo da produção de um tradicional biscoito amanteigado alemão (uma receita de família!). Pensem num biscoito delicado, suave e saboroso: é este.

Confiram as fotos do passeio:

Quando vocês encontrarem biscoitos dessa marca, comprem, pois valem a pena!
Chegada. Hora de colocar a touca.
Pesagem dos ingredientes.
Conhecendo a misturadora de farinha e manteiga.
Quantas formas!
O momento mais esperado: esticar a massa!
Chef Bibi às suas ordens!
Primeira obra. 🙂
Rigoroso controle de qualidade. XD
Fechamento das embalagens.
David e Míriam, muito obrigada!
Nathaniel não só aprovou o produto como o coloriu com tinta comestível.
E não foi só ele. 🙂
Melhor do que somente comer um biscoito amanteigado é poder também aprender a fazê-lo!
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Inglês e O último dos moicanos

Não há como negar que a prática do homeschooling no Brasil é um caminho repleto de tentativas e erros. No nosso caso não é diferente. Já experimentamos vários métodos e tenho certeza que ainda experimentaremos outros mais, conforme os outros filhos forem crescendo e evidenciando as suas particularidades no processo de aprendizagem. Quando, porém, “acertamos a mão”, então a coisa finalmente deslancha.
Recentemente acertamos a mão com o inglês. Quem nos acompanha desde o início sabe que já utilizei diferentes recursos com a Chloe — para não mencionar o que ela aprendeu no Colégio Israelita durante a educação infantil. Sempre procurei deixá-la mais ou menos intensamente em contato com o idioma de Shakespeare, seja por meio de livrinhos como o “First Words”, de sites como o Duolingo ou de metodologias mais completas como o “English by the natural method”. Todos eles contribuíram em alguma medida, pois aos poucos o vocabulário foi sendo assimilado e consolidado. Agora, porém, fomos além — e de um modo curiosamente não intencional.
Meses atrás o professor Olavo de Carvalho citou o livro “O caçador” como um de seus favoritos. Fomos em busca e, ao que tudo indica, compramos o livro errado, diferente daquele recomendado: o que adquirimos foi escrito por James Fenimore Cooper. Apesar do engano, fomos adiante, e o livro revelou-se uma agradável surpresa. Na edição que adquirimos, além d’O caçador, havia ainda a sua continuação: O patrulheiro. Um sucesso em dose dupla. Um erro que se tornou um grande acerto.
Passado algum tempo, fizemos uma nova compra de livros e, entre eles, um dos exemplares veio no idioma errado: “O último dos moicanos” em inglês. O que nós não sabíamos, porém, é que “O último dos moicanos” também é de autoria de James Fenimore Cooper e — melhor de tudo — é a continuação de “O patrulheiro”! Para encerrar com chave de ouro mais esse erro excepcionalmente oportuno, a edição que recebemos faz parte de uma coleção adaptada pela Penguin para a prática do inglês por meio da… tradução! — conversação não é a nossa prioridade, mas leitura e escrita, sim. E tradução no nível em que acredito que Chloe realmente se encontra: o Elementary, com 600 palavras. Mais providencial e sob medida impossível.

Enfim, voluntariamente, todas as manhãs — inclusive aos domingos — ela reúne caderno, dicionário, livro, lápis, borracha e se debruça sobre mais um empolgante parágrafo de “O último dos moicanos”, permanecendo ali até conseguir concluí-lo. Atualmente ela já está no final do segundo capítulo e está gostando muito, muito, tanto da história quando do método. 🙂

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Razões para o homeschooling

Cada família homeschooler costuma ter um motivo principal para justificar a retirada das crianças da escola. A este motivo aliam-se outros, menores, que o reforçam. Listo aqui algumas das muitas razões mencionadas pelos pais para tirarem seus filhos da escola e seguirem pelo caminho do homeschooling com o propósito de auxiliar na reflexão daqueles que se encontram diante desse dilema e precisam de um pouco de objetividade para melhor decidir.



Motivos principais:

1. Péssima qualidade.
50% de analfabetos funcionais nas universidades e penúltimo lugar entre os 36 países listados pela OCDE demonstram com uma clareza inegável o fato de que as coisas estão muito, muito erradas por aqui, pouco importando a diferenciação entre escolas públicas e privadas.

2. Doutrinação ideológica.
Professores convertidos em doutrinadores e sala de aula transformada em palanque, gerando legiões de “cidadãos críticos” que não passam de meros militantes, incapazes de redigir um texto, realizar cálculos simples e citar os estados e respectivas capitais do país.

3. Desrespeito aos valores judaico-cristãos.
Em nome do respeito à diversidade, ensina-se e exalta-se toda e qualquer coisa, desde que ela não seja parte da tradição judaico-cristã. Ou, na melhor das hipóteses, coloca-se tudo no mesmo nível, pouco importando se isso contraria frontalmente a identidade confessional de escolas e alunos.

4. Hipersexualização.
A ideologia de gênero, igualmente mal disfarçada sob o pretexto do respeito à diversidade, violenta a inocência das crianças, expondo-as precocemente a assuntos com os quais não possuem maturidade psicológica para lidar ou que são apresentados de maneira tendenciosa, passando por cima das convicções e da primazia da família no trato de tais assuntos. 



1. Economia.
Nada de gastos exorbitantes com mensalidades, uniformes, excesso de materiais escolares, transporte, lanches…

2. União familiar.
O maior tempo de convívio promove o fortalecimento dos vínculos entre os membros da família, o que termina por resultar em personalidades e relacionamentos mais seguros, saudáveis e bem entrosados. Em outras palavras, quanto mais família, tanto nuclear quanto estendida, mais sociabilidade.

3. Nada de trânsito.
Sem desperdício de horas e horas ao longo do ano em engarrafamentos, vias obstruídas e/ou perigosas.

4. Flexibilidade.
Como as pessoas são a prioridade e não os ritos burocráticos, a rotina pode ser flexibilizada quando necessário, mudando o horário das aulas, o local, etc.

5. Atenção individualizada.
Auxiliar nas dificuldades específicas de cada criança e estimular os interesses e talentos individuais propicia um desenvolvimento muito maior e mais pleno.

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O primeiro livro sobre homeschooling lançado no Brasil


Hoje é um dia histórico para minha família, em particular, e para o movimento homeschool brasileiro, em geral. Hoje tivemos a alegria de entregar a quase 300 compradores o primeiro livro sobre homeschooling publicado no Brasil. Não se trata de uma obra brasileira, mas da tradução de uma importante obra norte-americana sobre o assunto — o que é bastante conveniente uma vez que estamos recém engatinhando nesse caminho enquanto nossos irmãos do norte já correm com toda a desenvoltura muito adiante de nós. Trata-se do título “Homeschooling Católico – Um guia para pais”.

O livro aborda desde a fundamentação e respaldo católico para a prática do homeschooling, passando por questões como escolha do currículo, administração da rotina doméstica, relacionamento com as autoridades, até as clássicas dúvidas sobre socialização e ainda peculiaridades como os casos das famílias com um só dos pais e famílias com crianças com necessidades especiais. Enfim, um guia, de fato.

Se você quiser saber mais sobre o livro, podendo conferir uma infinidade de pequenos fragmentos, visite a página no facebook. Se você quiser ler o prefácio completo e/ou adquirir o seu exemplar, visite o site. A partir de hoje à noite o livro estará novamente disponível para compra.

Infelizmente, por conta de nossa inexperiência no ramo editorial, o projeto originalmente se restringiu ao formato eletrônico, isto é, ao ebook. Todavia, poucos dias atrás, em conversa com meu amigo e parceiro da Editora Concreta, Renan Martins Dos Santos, fechamos mais uma parceria visando a publicação da obra em seu formato impresso, físico. Assim, com a graça de Deus, teremos exemplares físicos de o “Homeschooling Católico – Um guia para pais” disponíveis para compra em breve.

Por fim, não poderia deixar de expressar aqui minha gratidão a algumas pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para que esse sonho e importante passo de consolidação do movimento homeschool brasileiro se realizasse. A primeira delas é, sem dúvida, o professor Olavo de Carvalho, graças a quem ouvimos falar a respeito do homeschool e, muito mais importante, acordamos para a vida. A segunda pessoa é Mariana D. Pazzinni, primeira blogueira a nos mostrar um pouco de como o processo de educar em casa se desenrola concretamente. Em terceiro lugar, agradecemos ao professor Rodrigo Gurgel, que em sua sempre característica boa vontade, gentileza e solicitude, nos apresentou a quem poderia nos ajudar em nossos primeiros passos. Essa pessoa que muito nos ajudou é o professor Carlos Nadalim, a quem muito estimamos, devemos e admiramos.

Além destes, cito toda a equipe que se engajou no projeto: Lorena Miranda Cutlak, Edson Vieira Demétrio, Priscila Esteves Peres, Padre Cleber E. S. Dias, Renan Martins dos Santos e a família Brodbeck. O meu querido marido e principal incentivador, Gustavo, que foi quem intermediou toda a conversa com nossos amigos do Seton. Por fim, não poderia deixar de fora as duas pessoas mais importantes que realmente deram o start e fizeram com que tudo acontecesse: a primeira delas foi a Chloe, minha filha mais velha, que com seu gratuito amor infantil me salvou de mim e me ensinou a amar a um outro alguém mais do que a mim mesma; sem isso, jamais teríamos mudado tão radicalmente nossas escolhas e nossa vida; a segunda pessoa é o próprio Deus, que nos amou primeiro, nos resgatou com laços de amor, formou nossa família e nos concedeu a graça de vivermos por Ele, para Ele e com Ele.

Que Deus abençoe ricamente a todos os mencionados e a todos os que lerão o “Homeschooling Católico”. Que ele possa ser verdadeiramente útil às famílias, ao país e sobretudo à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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Dica #3 – Leitura em voz alta

A terceira e última dica da série especial do nosso mês de aniversário não é exclusiva para as mamães. Trata-se de um livro para ser lido em voz alta, desfrutado por muitos ao mesmo tempo, naquele momento do dia em que o pai ou a mãe lêem para as crianças ou para a família inteira. Aqui em casa, adotamos essa prática ainda antes de começarmos o homeschool, reservando dois momentos do dia para essa modalidade de leitura, um pouco à tarde e um pouco à noite. Hoje, porém, com a Chloe já alfabetizada, reservo-me o período da noite para a leitura em voz alta, já que à tarde normalmente é ela quem lê para os irmãos. 🙂

O livro a que me refiro foi indicado por um amigo anos atrás. Ele, enquanto lia os textos de Otto Maria Carpeaux sobre literatura ocidental, deparou-se com essa indicação, expressa mais ou menos nos seguintes termos: “a maior obra de literatura infantil do século XX.” O livro, bem como a autora, são mencionados entre os grandes também lá na Coleção “Tesouro da Juventude”. O próprio Oscar Wilde, ao deparar-se com uma das obras da autora, disse, aturdido: “Não, uma mulher não era capaz de escrever assim. O livro escreveu-se nela.” Ela, a escritora, foi agraciada com o Nobel de Literatura em 1909, e este seu trabalho a tornou mundialmente conhecida, tendo sido traduzido para dezenas de línguas e, mais tarde, sendo transformando em desenhos animados e até em filme. Refiro-me a Selma Lagerlöf, escritora sueca, e ao seu livro A maravilhosa viagem de Nils Hölgersson através da Suécia. 

Selma Lagerlöf
Nossa edição portuguesa, adquirida por míseros R$ 8,00.


Embora seja de fato um livro incrível, logo que o adquirimos não conquistamos a atenção devida por parte das crianças — na época, Chloe devia ter uns 6 ou 7 anos e Benjamin 1 ou 2. Como sei que, muitas vezes, o insucesso entre os pequenos é questão de maturidade e não de gosto, deixei o tempo passar e, recentemente, quando o pegamos novamente, o sucesso foi instantâneo — Chloe está com 10 e Benjamin com 5 anos, e ambos gostaram muito. Ou seja, trata-se de um livro para crianças maiores.

Nils Hölgersson nasceu de uma solicitação de professores suecos diante da carência de bom material para o ensino da geografia nacional às crianças. Selma, porém, ao atender tal solicitação, foi muito, muito além, criando uma obra que fôlego imenso, rica não apenas nas descrições do território da Suécia e de sua composição, mas também nas descrições da fauna e da flora, bem como dos costumes, da arquitetura, das lendas e da história do povo sueco. Tudo isso, no entanto, organicamente entrelaçado à história do menino Nils, um perfeito malandro que, como paga da sua peraltice, é transformado em gnomo e nesta condição percorre todo o país montado nas costas de um ganso doméstico. Assim, a aventura de Nils é sobretudo uma aventura moral, na qual o menino, por conta de suas maldades, sofre a maldição de ser reduzido em suas proporções e precisa, por meio de muitos esforços reparadores, quebrar o feitiço e finalmente voltar a ser gente.

Dias atrás, quando falei a respeito da dica de hoje, mencionei que a obra serviria como uma espécie de primeiro treino àqueles que quisessem adotar o método do prof. Rafael Falcón para oferecer uma formação clássica, baseada na literatura, às crianças, e digo isso pelos seguintes motivos:
1. Embora seja, em nosso caso, uma leitura voltada ao entretenimento, por consistir em um livro antigo, sua linguagem não é, ao menos não na edição que adotamos aqui, uma linguagem perfeitamente usual, exigindo o uso do dicionário algumas vezes;

2. Além disso, por referir-se a um contexto muito diverso do nosso, muitas noites após a leitura fomos ao google para melhor entender a trajetória adotada como percurso pelos patos selvagens;
3. Também conhecemos uma porção de animais, sobretudo aves, e árvores que não conhecíamos;
4. O melhor de tudo, porém, era acompanhar como toda a natural ousadia irresponsável (e até imoral) de Nils foi se convertendo em uma coragem do tipo mais virtuoso, tornando-o disposto até mesmo ao máximo sacrifício: o sacrifício de si em benefício dos amigos patos.

Ao longo de todas as muitas noites de leitura, dizia a mim mesma constantemente: Como seria bom se houvesse semelhante livro voltado ao Brasil! Claro, seria um trabalho hercúleo, dadas as proporções de nosso país, mas como seria incrível poder ensinar geografia nacional de semelhante modo aos nossos filhos! Que Deus ainda nos conceda alguém com talento literário e conhecimento suficientes para vermos algo assim por aqui.

Preciso dizer mais? Recomendo sem titubeio!

Para quem não viu as dicas #1 e #2, deixo aqui e aqui os respectivos links. Para quem quiser saber mais sobre o cronograma do nosso mês de aniversário, especialmente sobre as promoções (que encerram hoje!) deixo aqui também o link.

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Dica #2 – Pré-alfabetização e alfabetização

Seguindo a série de posts com dicas especiais, hoje vou abordar uma outra questão super recorrente entre as famílias que estão começando o homeschooling ou que já o praticam mas somente agora se depararam com essa necessidade: como, afinal, alfabetizar as crianças.

Em meu curso “Homeschooling 1.0” explico detalhadamente a superioridade do método fônico sobre os métodos silábico e global. Aqui, porém, resumirei a questão ao seguinte: se nós, quando bebês, aprendemos primeiro a discernir os sons para depois reproduzi-los aos balbucios, por que é que na hora de aprender a comunicar por escrito não haveríamos de seguir a dica que a própria natureza oferece, isto é, por que não deveríamos de, primeiro, aprender a discernir os sons da fala para então aprendermos como expressá-los por escrito? No curso, também sugiro alguns outros cursos e materiais que conheço e que ensinam a alfabetizar pelo método fônico, tais como o do prof. Carlos Nadalim e a cartilha “A casinha feliz”. No entanto, na época em que fizemos as gravações, ainda não conhecíamos o livro “Consciência fonológica em crianças pequenas”, de Marilyn Jager Adams e outros, publicado pela editora Artmed. O livro é uma tradução adaptada da versão americana, mas apesar da aparente inadequação que isso possa sugerir, o trabalho de Regina Ritter Lamprecht e de Adriana Corrêa Costa foi muitíssimo bem sucedido. Tanto é assim que abolimos tanto o curso do prof. Carlos quanto “A casinha feliz” e ficamos só com o livro.

O modo como ele é estruturado é extremamente didático, favorecendo ao leitor leigo na área, tal como eu e a esmagadora maioria dos pais homeschoolers, na aplicação dos exercícios, partindo do mais simples e elementar ao mais complexo e difícil. Além disso, e provavelmente o melhor de tudo, o livro oferece, ao final, a sugestão de cronograma de dois anos inteiros de trabalho com as crianças, abrangendo a pré-escola e a primeira série, dia a dia, com os exercícios a serem realizados. Por fim, nos anexos, há ainda ampla sugestão de bibliografia e de materiais que podem subsidiar as atividades, desde livrinhos de parlendas, poesias, até joguinhos educativos. Enfim, um serviço completo àqueles que querem alfabetizar em casa com segurança, autonomia, e sem gastar muito.

Deixo abaixo algumas fotos do livro.

Capa
Contracapa
Sumário (1)
Sumário (2)
Sumário (3)
Parte do cronograma de atividades
Gostou da dica? Compartilha! Já conferiu a dica #1, sobre coordenação motora? Clica aqui! Já está sabendo de tudo que está programado para o mês de maio aqui no Encontrando Alegria? Então confere aqui!