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Nota sobre metodologias em HS

Todos os dias recebo e-mails e mensagens de pessoas que recém descobriram o homeschool, apaixonam-se pela proposta e desejam colocar as mãos na massa assim que terminarem de ler minha resposta. São pessoas que já perceberam que o cerco se fecha cada vez mais rapidamente contra as escolas – pois aquelas que não assumem a agenda revolucionária explicitamente, acabam se tornando alvos de seus agentes -, pessoas que são movidas das melhores intenções e, no entanto, precipitam-se. 

Infelizmente é possível agir pelos motivos certos mas empregando os meios errados. Para citar apenas um exemplo, menciono o que o ocorreu a uma mãe recentemente: tirou sua filhinha da escola sem maiores explicações e, em poucos dias, foi denunciada ao Conselho Tutelar. Tomada de medo e confusão, pedia ajuda num dos muitos grupos sobre o assunto. Se ela tivesse, antes de retirar a criança da escola, pesquisado a fundo, por uma semana que fosse, a respeito das possíveis consequências de sua atitude, teria abreviado em muito seus tormentos.

Mas o assunto aqui é outro, então volto a ele. Os pais e mães recém chegados ao homeschool acreditam muitas vezes que já há uma ampla rede de apoio à prática em nosso país, onde encontrarão associações, sites, e, sobretudo, metodologias e materiais didáticos específicos prontos a serem usados. A maioria se surpreende quando descobre que a nossa realidade é ainda bastante rudimentar: uma única associação, uma infinidade de blogs de famílias, metodologias híbridas e materiais didáticos improvisados – exceto àqueles que têm condições de importar seus livros do exterior. Todavia, meu propósito não é desestimular aqueles que acabam de se aproximar, mas, além de oferecer-lhes um panorama realista da situação, suscitar-lhes uma reflexão necessária.
Antes de decidir-se por uma das muitas metodologias disponíveis à prática da educação domiciliar — para citar algumas, meciono a escolarizada, a clássica, a temática e o unschooling, por exemplo — é preciso que uma coisa fique muito clara: cada pai e cada mãe homeschooler deverá adotar uma postura ativa no processo de ensino dos filhos. Em outras palavras, você pode ter o melhor material didático, o mais completo, o de mais fácil aplicação, e, no entanto, por mais incrível que pareça, isso não garantirá o bom rendimento do seu filho, pois não é somente o conteúdo abordado, mas principalmente o modo como você o abordará que fará toda a diferença. E só um pai e uma mãe atentos e pacientes saberão utilizar as ferramentas disponibilizadas pelo método adotado de uma maneira verdadeiramente proveitosa.

Metodologias são ferramentas, são estratégias, caminhos encetados na busca pela obtenção de determinado fim. Ou seja, entregar à criança as ferramentas certas, mas sem ensiná-la a usar é quase tão contraproducente quanto ofertar-lhe as ferramentas erradas. Metodologias não substituem pessoas. E, no homeschool, os pais são essenciais, principalmente quando as crianças ainda são pequenas ou não sabem estudar por conta própria.

Assim, queridos pais, não se iludam achando que existe um atalho neste caminho de método de ensino e materiais didáticos para homeschool. Melhor dizendo, o único atalho que existe é aquele em que você se oferece como mediador atento e bem disposto, capaz de observar os talentos e fortalecê-los, bem como ajudar na superação das dificuldades, usando de toda a sabedoria disponível em si para fazer cada filho florescer, empreendendo todas as mudanças, adaptações, repetições e inovações necessárias para isso. A outra opção é deixá-lo seguir pelo caminho mais longo e mais solitário.

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Avaliação

O homeschooling é uma novidade no Brasil: algumas famílias, nenhum material, nenhum registro histórico significativo, muita suspeita da sociedade e nenhuma cooperação do governo. Enfim, estamos reinventando a roda por aqui. Em meio a isso tudo, uma dúvida é comum a muitas famílias: “será que estamos fazendo isso certo?”. Em outras palavras, como podemos avaliar se o homeschooling tem sido benéfico aos nossos filhos não apenas intelectualmente (aspecto este facilmente constatável através dos próprios exercícios respondidos pelas crianças e de seu respectivo desenvolvimento), mas, especialmente, emocional, moral e espiritualmente?

Ocorreu-me, então, elaborar uma pequena lista de atitudes/comportamentos a serem observados nas crianças. Como disse, trata-se de uma lista voltada para os aspectos emocionais, morais e espirituais da vida das crianças educadas em casa, portanto, não é um teste a ser aplicado, uma lista de perguntas que elas (as crianças) devam responder, mas uma série de coisas a serem observadas com carinho e atenção pelos pais, afinal, os avaliados aqui somos nós.
Auto-estima: a criança sente-se à vontade para falar sobre seus estudos e progressos a outros além dos pais?; sente-se confiante diante de matérias novas, de livros novos, de desafios?; alegra-se ao aprender algo novo?

Assimilação: a criança inclui em algumas de suas brincadeiras aquilo que tem estudado (por exemplo: brinca de aula, inventa cálculos, lê em voz alta para alguém, desenha personagens, imita a mãe ou o pai)?; a criança já relatou algum sonho bom/divertido com alguma atividade ou história que faça parte do programa?
Iniciativa: a criança espontânea e prazerosamente lida com seus materiais (por exemplo: lê a Bíblia, lê o Catecismo, passa a limpo alguns trechos de seus cadernos)?; pergunta, especialmente fora dos horários das atividades, sobre os conteúdos?; sugere/pede temas, atividades, problemas?
Transmissão: a criança corrige, explica ou tenta ensinar voluntariamente às mais novas (irmãos ou amigos) aquilo que tem aprendido (por exemplo: corrige algum comportamento indevido, explica algum conteúdo, mostra aos pequenos como realizar alguma atividade)?

É sabido que nem todas as crianças respondem do mesmo modo e com a mesma intensidade às atividades, no entanto, acredito que, em alguma medida, atitudes e comportamentos tais como os que listei acima e outros semelhantes devam estar presentes se o homeschooling está realmente produzindo bons frutos em suas vidas.