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O mundo contra as crianças

O que publico abaixo são dois posts que escrevi essa semana no facebook — com alguns pequenos acréscimos. Não gosto de ficar replicando aqui o que posto lá, mas como há pessoas que nos acompanham somente pelo blog, achei por bem não deixá-las alheias a estes conteúdos, uma vez que eles (assim como uma infinidade de outros mais que poderiam ser listados também) apontam para uma terrível e cada vez mais acentuada e explícita tendência.

No primeiro post mostro uma campanha de péssimo gosto:



A empresa americana de aviação JetBlue Airways promoveu uma campanha de sensibilização dos seus passageiros ao choro dos bebês. A estratégia (válida para um único vôo que serviu como matéria-prima para a produção de um vídeo) consistiu em dar um desconto de 25% no valor da passagem de todos os passageiros a cada vez que um bebê chorasse, de modo que se 4 bebês chorassem, todas as passagens sairiam de graça.

Vejam vocês a que ponto chegamos: as pessoas precisam ser subornadas em troca de um pouco de falsa compaixão e pseudo-paciência com bebês de colo.

Sinceramente, não consigo entender como algo assim possa gerar uma pretensa “sensibilização”. Imagino que, na verdade, quem não está nem aí para as crianças (ou seja, a maioria das pessoas hoje em dia), deva ter ficado na torcida para que mais uma delas chorasse, para que mais uma delas se sentisse mal, para que mais uma delas sofresse algum incômodo. O que a JetBlue Airways patrocinou foi a monetização do choro das crianças, e isso passa longe, muito longe de gerar compaixão e compreensividade em alguém — isso gera apenas sadismo e ganância. A que ponto chegamos. 

Por outro lado, é claro que não é divertido. Se mesmo para nós, que somos mulheres e mães, é cansativo e, para algumas, até irritante, que dirá para homens desconhecidos. Porém, o normal é que isso faça parte da vida de indivíduos adultos em algum momento. Ou seja, não se trata (e nem deveria se tratar) de algo totalmente incomum e intolerável para pessoas normais, maduras e equilibradas. Além disso, é um incômodo provisório, de curta duração, não uma tortura que perdura dias sem fim. Resumindo, mesmo sendo desagradável, é algo com que as pessoas deveriam saber lidar fazendo valer a idade que possuem, e não reproduzindo o comportamento infantil de quem precisa de um conforto a mais para suportar um pequeno sofrimento.

Eu jamais aceitaria um desconto desse tipo. Muito provavelmente me sentiria até ofendida se me oferecessem algo assim. Sim, pois eu não mereço recompensa alguma por me portar como uma adulta e ser compreensiva com bebês que choram e com suas mães que se esforçam para acalmá-los. Isso não é uma opção, algo pelo qual eu mereça algum incentivo, estímulo ou pagamento. Isso é o meu dever enquanto ser humano adulto, que já foi bebê um dia, que já deu trabalho, que já chorou onde não devia e, sobretudo, que é mãe de quatro filhos. A que ponto chegamos.

No segundo falo sobre a aprovação da pior lei que poderia haver:

Não poderia haver notícia pior do que esta: no próximo dia 06, o parlamento canadense irá votar a favor da eutanásia sob quaisquer condições, isto é, basta que a pessoa queira morrer, mesmo que não esteja padecendo de um grande e irremediável sofrimento físico. Mas não é somente isso (como se não fosse horrível o bastante): em um prazo de 3 anos, a contar da aprovação da lei, o “benefício” poderá ser estendido a crianças, e com todo o incentivo e apoio da UNICEF (sim, aquela mesma organização que você achava que lutava pelos direitos das crianças). Eles entendem que escolher morrer é um direito que inclui as crianças e que elas não devem ser ‘discriminadas’ simplesmente por serem mais novas.

Vocês percebem como uma monstruosidade pode se tornar algo perfeitamente legal quando se tem uma moral relativista? Vocês percebem como o direito pode ser converter num instrumento de legitimação da mais pura malignidade quando descolado de qualquer referência a uma cosmovisão judaico-cristã? Não pensem vocês que coisas assim acontecem da noite para o dia. Não. A cada momento em que os indivíduos paulatinamente se afastam de Deus, que escolhem a moda, a opinião da maioria, a pura e simples mentira e autoengano, mais um pouco a sociedade cede, mais um pouco ela se enfraquece, mais um pouco ela se torna refém de agendas que só têm como objetivo a destruição do ser humano, a única criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Não há saída para o Canadá fora do Cristianismo. Não há saída para o Ocidente fora do Cristianismo. Não há saída para o ser humano fora do Cristianismo.

“(…) no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. São João, 16, 33.

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Os pais são um perigo para os seus filhos?!


Sei que o título sugere uma piada, mas, infelizmente, não é este o caso. Autoridades do estado do Rio Grande do Sul realmente pensam e afirmam publicamente e sem o menor constrangimento um tal absurdo. Mas antes do mais, convém esclarecermos o contexto completo da questão.

Meses atrás, mais precisamente no início deste ano, o casal Moisés e Neridiana Dias entrou com recurso junto ao Superior Tribunal Federal requerendo o reconhecimento do direito de educarem sua filha mais velha, Valentina, em casa. Valentina estudava em uma escola da zona rural de modalidade multiseriada, isto é, com crianças das mais diferentes idades abordando os assuntos nos mais diferentes níveis e tudo num mesmo ambiente. Os resultados da mistura vocês podem imaginar. Pois bem, depois de uma série de tentativas de autorização para a prática da educação domiciliar negadas, primeiro, junto à Secretaria de Educação, depois, junto ao Foro da Comarca de Canela/RS, a família Dias resolveu levar o caso às últimas consequências, isto é, ao STF.

Ao chegar às mãos do Ministro Roberto Barroso o caso tomou proporções nacionais. Abrindo a questão para enquete virtual no site do STF, ficou evidente o interesse nacional sobre o assunto. Assim, mais do que decidir sobre o direito da família Dias, a decisão do Ministro incidirá sobre a vida de todas as mais de 3.000 famílias homeschoolers do Brasil.

Todavia, no dia de ontem, segunda, 09 de novembro, o procurador Luís Carlos Kothe Hagemann pediu ingresso na qualidade de amicus curiae como representante do governo do estado do Rio Grande do Sul junto ao caso. Em seu pedido fica explícita a oposição ao direito das famílias. O problema, contudo, não é este, afinal nem todos precisam concordar com o direito à prática da educação domiciliar. O problema foram os termos utilizados pelo procurador para justificar sua posição. Para ele, os pais são um perigo, uma ameaça aos seus filhos, de modo que o Estado, por meio da escola, tem a função de proteger as crianças de seus genitores. Sim, por incrível que pareça não estou falando de um panfleto nazista ou soviético do século passado, mas de uma requisição redigida por um jurista brasileiro em pleno ano de 2015. Para dar um tom pretensamente respeitável ao disparate, o procurador cita a fala do filósofo espanhol Fernando Savater em sua recente participação no Fronteiras do Pensamento. Confiram aqui, na íntegra, o que disse Savater:

—Um dos primeiros objetivos da educação é preservar os filhos de seus pais. — disse, arrancando risadas — não me parece bom, portanto, submeter permanentemente os filhos aos pais. A escola ensina muito mais do que os conteúdos aplicados nela, e sim a conviver com pessoas que não temos razões para gostar, e que às vezes até não gostamos, mas que precisamos respeitar.

Em outras palavras, o que o filósofo só teve coragem de dizer em tom jocoso, o procurador assume de maneira inequívoca: as crianças não são responsabilidade dos pais, mas propriedades do Estado; a sociedade não é mais o resultado do agrupamento de muitas famílias, mas da máquina estatal de produção de analfabetos em série.

Se vivêssemos num país onde a qualidade da educação fosse de incontestável excelência, até seria questionável o receio quanto ao homeschooling. Entretanto, a realidade nos mostra exatamente o contrário: ano após ano ocupamos os vergonhosos últimos lugares nos rankings internacionais de educação! Metade dos alunos do ensino superior (superior!) são analfabetos funcionais, ou seja, não sabem ler e interpretar um texto corretamente! Para não mencionar a situação dos alunos do ensino fundamental e médio! Num contexto assim, faz sentido obstruir às famílias desejosas de prover aos seus filhos uma formação superior o exercício do seu direito? Não, não faz o menor sentido! Assim como não faz sentido afirmar que os pais são um perigo para os seus filhos! Logo, restam-nos duas opções: ou assumirmos a insanidade mental do procurador, ou o seu mau-caratismo.

Como não precisamos acolher qualquer que seja das duas opções passivamente, mas, antes, temos o direito e o dever de expressar nossa revolta quanto aos termos do procurador, assinemos a petição pelo respeito às famílias e ao seu direito de escolha do modelo educacional de sua preferência.

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Não deixam nossas crianças em paz

Pretender a legitimação de uma atitude com base na sua mera ocorrência é um dos modos mais recorrentes e falaciosos de se argumentar, embora pouca gente o perceba. Não é porque uma coisa acontece que ela deva ser aceita. Menos ainda: não é porque uma coisa acontece que ela deva ser elevada a regra, a padrão, a norma. Todavia, temos visto isso acontecer com uma frequência cada vez maior, em diversos ambientes e com diferentes alcances em nosso país.

Um exemplo bobo do que estou falando são alguns dos comentários originalmente presentes neste post (Marta Suplicy e Laerte ensinando “português”). Muitas pessoas defenderam a intromissão e a tutela da escola em um assunto tão íntimo e delicado como o incipiente despertar para a sexualidade dos adolescentes porque, pasmem, as crianças têm curiosidade sobre o assunto. Sim, é verdade, algumas realmente têm tal curiosidade. Mas vejamos a coisa mais de perto.

Não é preciso ser muito esperto para ver que o assunto sexo está ostensivamente presente em nosso dia a dia. Você se desloca de carro e passa por quantos outdoors com propagandas de modelos insinuantes, sensuais e seminus? Você abre o youtube e quantos dos vídeos sugeridos são de músicas, videoclips e propagandas extremamente sexualizados? Você para no caixa do supermercado e encontra quantas revistas femininas com mulheres quase peladas na capa? Isso para mencionar apenas três exemplos “amenos” (sem nem entrar na questão alimentar da ingestão excessiva de hormônios, entre outras que repercutem no despertar da sexualidade). Três exemplos dos quais nós dificilmente temos como livrar os nossos filhos. Mas sabemos que há coisa muito mais pesada por aí (as novelas não me deixam mentir).

Assim sendo, dado um tal contexto, como esperar que o assunto não acabe aparecendo na pauta das curiosidades infantis? Mas reflitamos: essa é uma pauta natural ou uma pauta artificial, forçada, impingida sobre nós e nossos filhos, com origem, motivos e propósitos que desconhecemos? Soa estranha a minha pergunta? Imaginemos, então, como as coisas transcorriam cerca de 100, 60 ou 50 anos atrás. Isso fazia parte das preocupações infantis? O assunto era abordado dessa maneira?

Claro, sempre haverá quem alegue que “os tempos são outros”, que “o mundo não é mais o mesmo”, como se isso por si só chancelasse tudo o que vemos por aí. É verdade que os tempos são outros. É verdade que o mundo não é mais o mesmo. Mas ele melhorou? Será? Em que sentido? Tecnologicamente falando, um retumbante SIM é a resposta. Moralmente falando, um vergonhoso NÃO é inescapável. Nunca vimos e sofremos tantos flagelos morais em nossa sociedade: o adultério como sendo algo corriqueiro, a poligamia institucionalizada, o roubo e a mentira personificados nos mais altos postos do governo, a pedofilia amenizada e despontando no horizonte como uma forma de “amor”, crianças que não conhecem e não têm sequer o nome de seus pais, famílias em que os membros pouco convivem, e, horror dos horrores: assassinatos em quantidades superiores a de muitas guerras civis e a execução de inocentes diretamente no ventre de suas mães tratada como um “direito”.

Diante disso tudo, será que aceitar e até defender a intromissão da escola neste assunto tão íntimo e delicado é o mais adequado? Ou, na verdade, aceitar e defender algo assim não é o mesmo que assinar o atestado de derrota no cuidado real da saúde emocional das nossas crianças, entregando-as, cada vez mais cedo, a algo para o qual elas não têm maturidade psíquica para lidar? A escola já não tem acumulado fracassos suficientes com os quais lidar? Ou os pais já não querem responsabilidade alguma além daquela de trazer ao mundo um novo ser humano e pagar as contas por ele geradas, na melhor das hipóteses? Enfim, abandonamos de vez quaisquer critérios morais absolutos, aqueles mesmos que conduziram a civilização ao longo dos séculos, ou abraçamos de vez o relativismo expresso nos últimos modismos, sem termos a menor ideia de para onde ele nos levará?

 
Não lavemos nossas mãos, esperando que um milagre gere adultos equilibrados, maduros, responsáveis e íntegros se, na infância, os entregamos aos “produtores de um mundo melhor” que cada vez nos aproximam mais do vazio, da maldade e da morte.
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O dia em que o Conselho Tutelar nos visitou

Era uma segunda-feira bonita e atípica: o sol brilhando, a brisa fresca soprando, Gustavo, que normalmente está em casa conosco durante o turno da manhã, estava na rua resolvendo alguns problemas, e eu varrendo e organizando a sala. Enquanto empilhava as cadeiras sobre a mesa, ouvi ao longe a voz de minha vizinha afirmando “não, não é aqui”. Virei-me para a janela e vi, então, o carro do Conselho Tutelar estacionado quase em frente ao portão de minha casa. Naquele instante, num misto de adrenalina, medo e coragem, encostei a vassoura na parede, peguei Nathaniel nos braços e encaminhei-me para porta. Eu sabia que não havia engano e que eles bateriam em minha casa. Em segundos fiz uma oração mental pedido a Jesus que nos socorresse e quase ao mesmo tempo o “toc-toc” aconteceu. Abri a porta e deparei-me com um homem e uma mulher de aspecto simpático.

Eu e Gustavo havíamos combinado que, no dia em que isso acontecesse, eu deveria pedir um minuto e ir até o telefone para avisá-lo, de modo que ele pudesse vir para a casa. Eu, contudo, sequer lembrei-me do combinado. Estava claro, para mim, que aquele era o momento de ser capaz de transmitir tudo o que temos vivido nestes últimos dois anos a duas pessoas desconhecidas, de maneira a mostrar-lhes que não há nada de ruim ou prejudicial no caminho que temos adotado.

Quem primeiro dirigiu-se a mim foi o homem, apresentando-se e dizendo que havia uma denúncia contra nós. Perguntei-lhe qual era a denúncia, ao que ele respondeu que era uma denúncia de que havia crianças na casa e que elas não estavam indo à escola. Respondi, de pronto: “Sim, é verdade. Entrem, por favor. Vamos conversar.” Eles se surpreenderam e entraram.

Como disse acima, eu estava arrumando a sala, de maneira que tive de pedir desculpas pela bagunça. Eles, por sua vez, foram gentis e disseram que poderiam voltar outra hora, mas disse-lhes que não havia problema, que podíamos conversar naquele momento mesmo. Foi então que as crianças, Chloe e Bibi, apareceram e perguntei-lhes se queriam ir brincar no pátio. Desnecessário dizer com que festa demonstraram que sim. Dei-lhes algumas instruções, pois eu não poderia ficar na rua cuidando-os, e voltei-me, finalmente, aos conselheiros.

Antes de mais nada, convém ressaltar uma coisa: desde o instante em que vi o carro até o último momento em que os conselheiros estiveram conosco, minha disposição foi uma só: contar TODA a verdade, não omitir nada, explicitar todos os motivos, dificuldades, esforços que envolveram e envolvem nossa caminhada como família homeschooler. Assim sendo, comecei retomando o que havia dito à porta, que, de fato, nossas crianças não vão à escola. Principiei, então, do começo, retrocedendo ao tempo em que Chloe ainda frequentava o colégio e explicitando os motivos que nos levaram à decisão de tirá-la de lá.
Boa parte de vocês já conhecem a história por meio das postagens mais antigas, mas aos que não a conhecem, deixo aqui o resumo do resumo: tiramos nossa filha da escola porque queríamos salvar sua vida intelectual. Isto é, ao participar de um ambiente carente de desafios, frustrante e estagnador, percebemos que a Chloe estava se entristecendo e começando a criar resistência não somente à escola, mas a tudo o que estava associado à ela, especialmente o estudo. Assim, para não perdê-la de vez deixando que a aversão ao conhecimento criasse raízes em seu coração, tomamos a decisão de educá-la em casa, proporcionando-lhe os desafios e as novidades pelas quais ela ansiava.
Enfim, contei-lhes tudo: a procura de materiais junto a professores qualificados (como o prof. Carlos Nadalim), as pesquisas de materiais estrangeiros, a criação do blog, as aulas de latim, de piano, de violino, o programa de rádio, os artigos para a Revista Andirá. Expliquei-lhes a questão da certificação: o EJA e o ENEM. Citei-lhes a ANED e o projeto de lei pela regulamentação da educação domiciliar. Falei-lhes também sobre a possibilidade sempre existente de retorno à escola, caso haja alguma mudança brusca na dinâmica familiar. E por aí foi.

Quando o Gustavo chegou, a conversa já se encaminhava para o final e eles, tanto a conselheira quanto o conselheiro, demonstravam-se positivamente surpresos com tudo o que havíamos falado. Passei-lhes o endereço do blog, o email, os dados de todos nós, enfim, tudo o possível para deixá-los por dentro do assunto e deixando bem claro que nada do que temos vivido é segredo, é algo do qual nós possamos nos envergonhar ou algo que poderia prejudicar nossos filhos.

Da parte deles, ficou o triste aviso de que, por estarmos em uma cidade do interior, onde as pessoas observam mais a vida umas das outras, provavelmente haveria outras denúncias contra nós, sendo que, em algum momento, tais denúncias poderiam acabar “indo adiante” e chegando ao Ministério Público. Garantimos que, se tal coisa acontecesse, não haveria problema algum, pois estamos dispostos a ir aonde for para defender aquilo que acreditamos ser o melhor para os nossos filhos.

Assim, queridos leitores, deu-se a visita que desde sempre aguardamos e para a qual tanto nos preparamos. Cremos que o resultado foi extremamente positivo, graças a Deus, pois nos deparamos com duas pessoas abertas, dispostas a conhecer e a compreender o que temos vivido, concluindo, também elas, que o saldo do nosso trabalho, até aqui, está acima do que as escolas têm, em geral, obtido Brasil afora.


Que nossa experiência sirva para encorajar a todas as famílias homeschoolers que nos lêem. Nem todos os conselheiros são como os que nos visitaram, nós sabemos disso. No entanto, pesquisar, estudar, preparar-se para esse momento, dispondo-se a explicar todos os pormenores do homeschool a quem não o conhece é simplesmente essencial para que os estereótipos e as fantasias advindas do deconhecimento sejam desfeitas e o caminho seja um pouco mais aberto a nós, os que lutamos por uma educação de qualidade de verdade.
Deixo aqui, por último, um pedido: rezem por nós, para que possamos continuar fazendo um bom trabalho e para que nossos vizinhos nos deixem em paz. Que Deus lhes pague!
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Sites conservadores e cristãos são bloqueados em escola nos EUA

Tradução de Marco Carrero

Escola bloqueia sites Conservadores e Cristãos; Libera sites de cunho esquerdista, além de possibilitar o acesso a sites de conteúdo Islâmico.

19 de Junho 2014, por Jennifer Burke

Na medida em que a esquerda assumiu o sistema escolar, eles têm frequentemente sido acusados de usarem esse local como um meio de doutrinação para as mentes mais vulneráveis, as dos nossos filhos. Com inúmeras histórias de aulas cujo núcleo comum é o ensino anticapitalista, anticonservador e ideias anti-americanas, a preocupação com a doutrinação cresceu. 

Temos uma nova história em Connecticut que oferece uma prova de quão longe o esquerdismo dominou o sistema escolar, empurrando sua ideologia unilateral para a nossa juventude, em uma tentativa de controlar seu pensamento. 


A filial da Fox News, em Connecticut, preparou uma reportagem sobre os resultados das pesquisas feito por Andrew Lampart, que frequenta a Escola Secundária de Nonnewaug, no Distrito Escolar de Woodbury. Como ele estava preparando uma pesquisa a fim de participar de um debate, Lampart descobriu que não podia acessar o site da Associação Nacional de Rifle. No entanto, ele pôde acessar sites que são contra a Segunda Emenda, como o www.momsdemandaction.org e www.newtownaction.org. 

Ao investigar mais a fundo, Lampart notou um padrão. 

O site do Partido Republicano foi bloqueado, mas o site do Partido Democrata não estava. 

Sites como National Right-to-Life (www.nrlc.org) foram bloqueados, mas o Planned Parenthood (www.plannedparenthood.org) e Pro-Choice America (www.prochoiceamerica.org) não estavam. 

O distrito escolar ainda teve sites afiliados religiosos como Christianity.com e o site oficial do Vaticano bloqueados, mas os estudantes podiam acessar Islam-guide.com livremente. 

Lampart, que tem 18 anos de idade, disse: “Eles estão tentando, na minha opinião, esconder de nós o que está realmente acontecendo em todo o país e ao redor do mundo, bloqueando esses sites. E deveria ser o contrário. Os sites devem ser desbloqueados para que os estudantes possam obter diferentes pontos de vista dos diferentes lados de cada argumento.”

Ele levou suas conclusões ao superintendente regional, mas suas preocupações caíram em ouvidos surdos. Após a ausência de resposta do Superintendente, Lampart decidiu ir ao Conselho de Escolar. O Presidente do Conselho afirmou que a diretoria da escola irá investigar as descobertas de Lampart e diz que apreciou que Lampart tenha levantado essa importante questão. 

ASSISTA, no vídeo, a reportagem sobre a investigação de Lampart e a resposta do distrito.

Para ler a matéria original, clique aqui.

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A vacina anti-HPV e a legalização da pedofilia

A recente distribuição e aplicação das vacinas anti-HPV nas escolas deu o que falar. Ouvi de muitas mães, ditas cristãs inclusive, que não devíamos ver “chifre em cabeça de cavalo”, que não devíamos “demonizar” todas as coisas, pois, afinal de contas, hoje em dia “é assim mesmo”, as meninas acabam perdendo a virgindade mais cedo. Sim, na opinião de tais mães, não devemos nortear nossas vidas por aquilo que deveria ser, mas por aquilo que é. Em outras palavras, se a menina se comporta como uma perfeita vagabunda aos 11 anos de idade, bem, trate-a como a perfeita vagabunda que é, não lute para livrá-la dessa vida e para preservá-la de uma iniciação sexual precoce. Não. Precisamos ser “práticos”, seja lá que diabos isso queira dizer.

No entanto, apesar da satisfação destas e de muitas outras prudentes mamães Brasil afora, que agora não terão suas promissoras filhas contaminadas pelo HPV, o número de casos com efeitos colaterais severos não foi pequeno. E isso que só levamos em conta aquilo que veio a público, pois não temos como mensurar os casos de pessoas que não buscaram auxílio ou simplesmente não entraram para as estatísticas.

(Aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, a cidade de Pelotas cancelou as vacinações depois que seis meninas convulsionaram poucas horas após o recebimento da dose. Todo o lote foi recolhido, mas muitas meninas já haviam recebido a injeção. Basta uma busca rápida no youtube para ter acesso a diversos casos ocorridos por todo o mundo e que relatam coisas semelhantes ou até piores. Em um deles, uma garota ficou paraplégica após o recebimento da vacina.)

Mas como o que é ruim sempre pode piorar, preparem-se: para 2015, a faixa etária prioritária recuará ainda mais. Sim! Em 2015, meninas a partir dos 9 anos de idade receberão suas doses da vacina anti-HPV! Clique aqui e veja o texto na página de origem.

Corre à boca pequena nos hospitais do país que o projeto prevê um recuo até a idade dos 7 anos, mas não encontrei documentos que explicitem essa intenção. Além disso, meninos passarão a receber as suas doses, se é que já não as recebem. Clique aqui e veja.

E então, que outra justificativa podemos encontrar para tais medidas senão a preparação para a legalização da pedofilia (isso na melhor das hipóteses)? Ou não está suficientemente explícito o fato de o governo esperar que nossas crianças façam sexo aos 9 anos de idade? E você, vai deixar que tratem os seus filhos assim?

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Escola católica contra a fé católica (2)

Vocês estão lembrados do caso de uma mãe lá de Belém que escreveu para cá denunciando o “ensino religioso” do colégio católico frequentado pelos filhos? Pois a história não parou na mera solicitação de liberação das crianças das aulas: outros pais uniram-se àquela valente mãe e resolveram montar um grupo de pai católicos. O grupo elaborou um documento relatando todos os absurdos impostos às crianças sob o falso nome de “educação” e solicitaram uma audiência com o arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa!

Leiam aqui o relato do encontro.

Que sirva de exemplo aos pais católicos (e também aos pais protestantes)! Que não nos acovardemos, mas saibamos defender nossas crianças e nossa fé!

Parabéns ao grupo de pais católicos de Belém!

E permaneçamos de olhos abertos, para que a comunhão e o comprometimento de Dom Alberto vá até o fim e faça-o tomar todas as medidas cabíveis contra tais “ensinos” antagônicos à fé cristã.

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Escola católica contra a fé católica

Conforme prometido, publico aqui a denúncia que recebi neste dia 19 de fevereiro de uma mãe do Belém do Pará. A denúncia é relevante porque mostra que não são apenas as disciplinas tradicionais – como história, filosofia, sociologia e até a pseudo-disciplina de educação sexual – que estão repletas de distorções, mentiras, desrespeitos e erros. Agora, até mesmo a educação religiosa, pasmem, em uma escola confessional católica, está contra a fé cristã. Assim, leiam a carta que a mãe enviou à escola, explicando a solicitação de liberação das crianças da referida disciplina e abram os olhos para o que tem sido ensinado às crianças até mesmo neste assunto. Que Deus abençoe e proteja a corajosa família e que eles sirvam de inspiração a muitas outras, para que não nos submetamos mais a isso tudo a que nos querem reduzir e deformar.



Belém, 26 de janeiro de 2014.



Prezada G.,

Protocolei na secretaria do colégio, documento solicitando a dispensa dos meus filhos (S. e F.) nas aulas de Ensino Religioso. Peço licença, antes de sua deliberação, para expor meus motivos de forma particular e faço isso de mãe para mãe.

Nossa família confia nessa instituição de ensino por crer primeiramente no seu comprometimento com a ética e com os ensinamentos cristãos pregados pelo seu fundador, São Marcelino Champagnat, visto que postula como princípio número 1 a “Educação integral, centrada em Jesus Cristo e inspirada em Maria”.

Estamos agradecidos pelas atividades pastorais que nossos filhos vêm participando até agora, pois estão plenamente de acordo com nossa fé católica. Entretanto, já de algum tempo temos notado que a matriz pedagógica da disciplina Ensino Religioso, por opçãoi institucional, não tem unicamente por fundamento os valores cristãos, e sim o pluralismo religioso.

O objetivo do pluralismo religioso, profetizado na disciplina, ainda que implicitamente, é fazer a criança crer que Deus é uma invenção do homem, é simbólico. Deus é substituído pelo “Transcendente”, assim fica mais fácil chamar um orixá, o sol, a lua, a terra, Shiva, qualquer ser ou expressão de “Transcendente” e colocá-los em igual nível de Deus.

Fonte: Livro “Redescobrindo o Universo Religioso”, 
volume 04, 4º Edição, pg. 27 (4° ano/9)
Em nome da bondade, da tolerância, do respeito ao próximo, as crianças desde a tenra idade, vêm sendo ensinadas que todas as religiões são boas, todas levam ao céu. Ensinam que a Umbanda, que crê em divindades, é uma boa prática, embora saibamos de rituais destinados ao malefício do próximo. Ensinam que as práticas indígenas são boas, embora saibamos que muitas tribos praticam o infanticídio e o aborto. Ensinam o Islamismo sem mostrar que é a religião mais intolerante do mundo, ou não sabemos o que fazem com os cristãos e homossexuais que vivem em cidades de dominação islâmica?

E Jesus? Como Jesus é citado? Jesus é citado como um profeta, um ser místico, uma criatura evoluída que veio ao mundo fazer o bem, um líder do cristianismo.

Nos livros a Palavra de Deus (o Evangelho) é apresentada como uma história usada pela Igreja para transmitir ensinamentos, iguais as histórias que as crianças lêem na biblioteca. Conforme podemos verificar nos trechos do livro:

Fonte: Livro “Redescobrindo o Universo Religioso”, 
volume 03, 4º Edição, pg. 61 (3° ano/9)
 
A mensagem é muito clara: Deus é invenção do homem. E o livro continua: Que tal conhecer agora uma história do Cristianismo? (após introduzir a relação entre as histórias importantes que estão na biblioteca e as histórias usadas pelas religiões).

Fonte: Livro “Redescobrindo o Universo Religioso”, 
volume 03, 4º Edição, pg. 63 (3° ano/9)
 
Nosso Senhor Jesus Cristo, em “uma história do cristianismo” é um “líder religioso”, e pasme, não multiplicou os pães, não houve milagre, ele “conseguiu” 5 pães e 2 peixes e dividiu com as pessoas. E assim, as “histórias” bonitas do pluralismo religioso vão sendo contadas às crianças…

Confesso que por muito tempo não me preocupei com o conteúdo das disciplinas ministradas no Colégio, porém, há cinco anos venho questionando e procurando orientação com sua equipe de profissionais e mesmo pessoalmente com você. Com relação ao Ensino Religioso, ouvi do Colégio Marista que se eu criasse o meu filho na Igreja Católica, eu criaria uma pessoa preconceituosa.

Então, por nós crermos que Jesus não é simplesmente o profeta, o homem iluminado, ou um líder religioso, por cremos que Ele é o PRÓPRIO DEUS que se fez homem, somos acusados de intolerantes? Saiba o que diz o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. em sua palestra sobre Pluralismo Religioso, conforme transcrição a seguir: 

“Na teologia do pluralismo religioso, quem crê que Jesus é Deus que se fez homem é intolerante… Porque se Jesus é Deus que se fez homem, então nós estamos na Igreja verdadeira, não ser Cristão é estar no erro e por isso nós somos acusados de imperialismo religioso, nós queremos que todo mundo seja cristão (e queremos mesmo), mas não vamos forçar ninguém, nem matar por isso, mas nós vamos morrer por isso… O que nós aprendemos no catecismo católico, para esses sábios senhores é um absurdo, a nossa fé em Cristo se tornou um absurdo, e nós somos acusados de intolerância porque cremos em Jesus, somos retrógrados porque cremos em Jesus, não estou dizendo que quem não é católico não será salvo. Estou dizendo que quem for salvo, será salvo por Jesus na Igreja Catolica mesmo que não saiba disso(…)”. (fonte: http://www.youtube.com/watch?v=KElezZdF9iM)

O tema, inegavelmente, é polêmico, já que não há como ser “plural” quando se trata de religião, pois sempre haverá pontos conflitantes diante das mais distintas doutrinas e crenças, a não ser que não se tenha uma religião definida, o que não é o nosso caso! Não somos obrigados a crer em todas as religiões, temos o direito de confessar apenas uma! Ou nenhuma, como os pais ateus no estado do Paraná, que tiveram seu direito preservado de não expor seus filhos às aulas de Ensino Religioso, pois não queriam que seus filhos acreditassem que existe um ser supremo, seja ele qual for.

G., você teve a oportunidade de criar seus filhos na fé cristã, não foi obrigada a aceitar o bombardeio de conceitos pluralistas e tenho certeza que eles se tornaram seres humanos de bom coração. Eu e A. estamos educando nossos filhos para terem liberdade de escolher a religião que quiserem seguir, quando tiverem maturidade para fazê-lo, mas temos a obrigação como cristãos de mostrar-lhes Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não tenho a pretensão de pedir a alteração do conteúdo da disciplina, por reconhecer a autonomia da escola em optar por esta tendência, o que peço encarecidamente é que você entenda nosso ponto de vista, respeite nosso direitoi à preservação de nossa crença e atenda amigavelmente nosso pedido de que F. e S. não assistam às aulas nem façam as atividades avaliativas dessa disciplina, cabendo à escola a necessária adaptação para que não sejam consideradas a freqüência e notas dessa disciplina no currículo escolar.

A Paz de Cristo,
P.
1. As escolas católicas, portanto confessionais, podem optar pelo ensino cristão, como é o caso do Colégio de São Bento (RJ), conforme se verifica na transcrição abaixo:
O Colégio de São Bento, como Colégio católico, tem a missão de educar a partir dos valores cristãos. A razão de sua existência educativa é, portanto, servir à evangelização, tendo Jesus Cristo como paradigma do ser humano a ser seguido. É na referência à Sua pessoa e aos Seus ensinamentos que o Colégio propõe promover o ser humano na sua integridade e como sujeito de sua história. Essa missão educativa está representada em duas vertentes evangelizadoras: o ensino religioso e as ações pastorais, que se alimentam mutuamente no espaço escolar. O projeto religioso do Colégio tem como lema a espiritualidade beneditina, “Ora et Labora”, que busca levar em conta a mobilização dos alunos para o conhecimento, a oração e a ação. As aulas são expositivas e dialogadas, dinamizadas por recursos midiáticos.

O ensino religioso, no âmbito escolar, confessional, procura compreender as questões da vida à luz da identidade cristã. (…) Grifo nosso (fonte: http://www.csbrj.org.br/)

  
2. Direitos assegurados quanto à religião e ao ensino religioso:
  • Convenção Americana sobre os Direitos Humanos, de 22.11.1969, Promulgada pelo Dedreto nª 678 de 6 de novembro de 1992
Artigo12: Liberdade de Consciência e de Religião
  • Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças. Ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado.
  • Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crença.
  • A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está unicamente às limitações prescritas pela lei e que sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos ou liberdades das demais pessoas.
  • Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.
  • Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10.12.1948. Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.
ARTIGO 18
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.


  • Lei de Diretrizes e bases da educação

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997).
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.
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A escola dos bárbaros e o sonho de Lênin

O texto abaixo é de autoria de Daniel Fernandes, 
um professor de filosofia e história e amigo meu que teve a bondade de fazer um resumo comentado, especialmente para o Encontrando Alegria, 
da obra “A escola dos bárbaros”


Atentas a todos os passos do desenvolvimento da moderna pedagogia, Isabelle Stal e Françoise Thom, mostram, de maneira contundente, no livro A escola dos bárbaros,que uma explosão de inovações esquerdizantes, seguida de uma entronização crescente de falsas ciências e de geringonças pedagógicas no processo de “renovação dos colégios” afastou a escola de seus objetivos tradicionais, transformando-a num campo de experimentação aberto a todas as utopias coletivistas empenhadas na criação de um “homem novo”.


Essencialmente niveladora, porque não exige nenhum esforço real, a escola, transformada numa máquina de desaprender, tornou-se um lugar “mediocrizante” e “barbarizante”. Mantendo sempre os olhos fixos no horizonte da igualdade utópica, a nova pedagogia, inspirada numa lógica socialista, desqualificou oindivíduo por considerá-lo suporte da desigualdade. O grupo, no entanto, instrumento de nivelação, passou a ser exaltado a tal ponto, que se tornou o princípio da revolução pedagógica. O que importa, não é mais o ato inteligente de aprender, sem o qual nunca se poderá, realmente, criar, mas tão-somente o de participar, como todo o grupo.


A crítica das autoras é impiedosa, mas justa: a pedagogia moderna tornou-se um pesadelo a serviço da demolição da escola. A obra inteira pode ser considerada como um ‘livro-denúncia’ que enfeixa um sem-número de importantes e oportunas reflexões críticas sobre a devastação cultural e psicológica, sem precedentes promovida pelos cérebros pedagógicos, desde a primeira metade do século XX. A moderna pedagogia – que se intitulava científica – não mediu esforços para impor seuniilismo pedagógico, afastar os alunos das matérias e dos exercícios verdadeiramente formadores, em proveito de manipulações sem conceito, como a tecnologia, ou tagarelices sócio-críticas a serviço de ideologias.


Enquanto a educação tradicional pretendia controlar elementos tangíveis como a conduta, conhecimentos e resultados, a nova se arrogava plenos poderes sobre o espírito e os sentimentos dos alunos. Os pedagogos progressistas, sob o pretexto de instaurar na escola uma igualdade real, chegaram, inexoravelmente, a banirnoções gramaticais de base. A própria linguagem foi colocada sob suspeita. Todas as práticas, todos os métodos distribuídos pela pedagogia, passaram a suspeitar da norma culta considerada infame por revelar disparidades culturais e socioeconômicas entre as famílias.Assim, sob o pretexto de instaurar na escola a igualdade, o ensino é nivelado por baixo.


Não por acaso, os resultados da pedagogia progressista, ainda em andamento, tem sido catastróficos. A maioria dos alunos dos últimos anos é incapaz de falar, isto é, de formular um pensamento, por mais simples que seja; logo que os estudantes têm de sair dos temas da vida corrente e das frases usadas pelos meios de comunicação, eles se mostram praticamente afásicos, abordando o domínio do pensamento abstrato como o auxílio de um lamentável arsenal de onomatopeias e cacoetes grupais.1Ainda assim, longe de tirar lições de seus fracassos, os modernos pedagogos obstinam-se, pensando poder remediar as consequências de uma tolice pedagógica por outra. Existe aí uma lógica infernal: os entusiasmos dos pedagogos modernos provocam, nesse campo, desastres que lançam a máquina pedagógica num ciclo desenfreado, numa voragem de inovações, precipitando os infelizes alunos num abismo de ignorância e de perplexidade.”2


Reza a lenda que, em outubro de 1919, Lênin fez uma visita secreta ao laboratório do grande fisiologista Pavlov, querendo saber se era possível controlar o comportamento humano. Seu desejo era que as massas seguissem um padrão grupal de pensamento e ação. “Há individualismo demais, na Rússia. Precisamos aboli-las.” Pavlov mostrou-se chocado. “O senhor gostaria que eu nivelasse a população da Rússia?” perguntou. “Exatamente”, respondeu Lenin. “O homem pode ser corrigido, fazendo-se dele o que se quiser.” Lênin morreu em 1924, e logo depois, a nova pedagogia tornaria seu sonho, realidade.O pedagogo moderno é o engenheiro de almas, como o qual sonhava Lênin3, e a nova pedagogia, um crime contra o espírito.


Por isso mesmo, A escola dos bárbarosé leitura obrigatória para educadores e, também, para pais que desejam, para seus filhos, uma escola sadia e eficiente, a salvo de ideologias perversas e desastrosas revoluções pedagógicas.

1 Isabelle Stal e Françoise Thom. A Escola dos Bárbaros. São Paulo: T.A. Queiroz Editor, 1991, p. 59.

2 Idem, p. 43.

3 Orlando Figes. A tragédia de um povo. Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 900.

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Currículo Acadêmico “sexualiza” crianças de escolas americanas

Comentário prévio:
Diferentemente do que podem pensar alguns, os EUA também têm enfrentado uma série de graves problemas em seus materiais didáticos. No entanto, lá, ao contrário daqui, os pais reagem, protestam, mobilizam-se e vão às origens do problema, isto é, ao CCSS, órgão que seria o equivalente ao nosso MEC. 
Que nos sirvam de inspiração diante dos tantos abusos do Ministério da Educação e Cultura.
por Mary Jo Anderson (tradução: Helena Yoshima)

O distrito estudantil de Newburry, Nova Iorque, retirou um livro da nona série, considerado pelos professores como sendo “pornográfico”. Uma mãe no Arizona iniciou uma avalanche de protestos que forçou escolas do Arizona a retirarem de circulação um livro na decima-primeira série que exibia adolescentes em relação sado-masoquista. Um superintendente de uma escola católica admite que havia dois livros de primeira série, sobre famílias – que incluíam fotos de casais homossexuais – listados no website de currículo acadêmico católico (Common Core Catholic Identity Initiative), um recurso nacional para escolas católicas. Tais livros sobre “famílias” – “The Family Book” e “Who’s in a Family” – foram removidos do site após protesto dos pais.
Por toda a nação, em escolas públicas e católicas, pais e professores encontraram conteúdos sexuais impróprios nos exemplares recomendados pela CCSS – Common Core State Standards (Normas Estatais de Currículo Acadêmico). Em alguns casos o conteúdo ofensivo é retirado. Em outros, é sugerido aos pais opções como ” escolho não participar” para seus filhos. No entanto, a questão que sobressai é, por que tanto material perturbador tem sido elaborado sistematicamente dentro dos textos recomendados pela CCSS (Normas Estatais de Currículo Acadêmico)? Um grupo pequeno de ideólogos não-eleitos deveria ter poder nacional para decidir que americanos da primeira série deveriam ser expostos a “famílias” homossexuais, ou, que alunos da nona série recebam pornografia sob o disfarce de literatura? Estas perguntas e os exemplos listados a seguir clamam por uma analise delicada e cuidadosa dos pais, e um retorno ao controle local dos distritos educacionais.

Sob as exigências do currículo acadêmico de Nova Iorque, trechos do livro “Black Swan Green” são leitura exigida para alunos da nona série. “Black Swan Green” apresenta um garoto de 13 anos como narrador que descreve graficamente as genitais do pai e um ato sexual. Foi-se sugerido que como nem todos os trechos contêm explicitamente material sexual, alguns alunos leriam apenas as partes do livro que foram exigidas. Outros zombam da ideia de que uma vez que os livros estão sob posse dos alunos, o material sexual com gráficos seria ignorado. Realmente, a própria CCSS direciona os professores aos textos na íntegra: “Quando os trechos aparecem, eles servem apenas como substitutos ao texto integral.”. A CCSS exige que os alunos se envolvam com trabalhos complexos informativos e literários; tal complexidade é encontrada melhor nos textos completos, do quem nas passagens de tais textos.
Jen Constablie, uma professora de inglês no distrito estudantil de Newburgh, salientou que esta questão não se limita a apenas um livro problemático. “Pelo menos três dos livros listados nos módulos (currículos), contêm passagens usando linguagem e imagens visuais impróprios, que a maioria das pessoas consideraria pornográficas”, disse Constabile. Outros professores observaram que esta situação e outras semelhantes, são exemplos de falhas sistêmicas nos currículos alinhados a CCSS. O distrito educacional espera devolver um valor de US$6.000,00 de envio dos livros.

A seleção mais alarmante da CCSS é, de longe, o romance “The Bluest Eye”, da autora Toni Morrison, vencedora do prêmio Pulitzer. “The Bluest Eye”, agora banido de vários distritos estudantis, é uma representação explicita de estupro, incesto, violência sexual e pedofilia. O pedófilo, chamado Soaphead Church, declara que Deus é sua inspiração, “Eu trabalho somente através do Senhor. Ele as vezes me usa para ajudar as pessoas.”.
Pior, entretanto, é que o romance é escrito em solidariedade ao pedófilo. Morrison defende sua personagem, e supostamente escreveu a história para que o leitor se torne um “co-conspirador” juntamente ao pedófilo. De acordo com Macey France, co-fundadora do “Stop Common Core Oregon” (Pare o Currículo Acadêmico de Oregon), Morrison, “diz que ela queria que os leitores sentissem como se fossem “con-conspiradores” junto com o estuprador. Ela teve o cuidado de se certificar de nunca apresentar as ações como erradas, com o intuito de mostrar como todas as pessoas têm seus próprios problemas. Ela ainda chega ao ponto de descrever a pedofilia, o estupro e o incesto como “amigável”, “inocente” e “carinhoso”.

Como textos assim são escolhidos?
Do site do CCSS:
“Selecionando textos exemplares
As seguintes amostras de textos servem principalmente para exemplificar o nível de complexidade e qualidade que a Norma exige que se envolvam todos os alunos em determinada faixa de grau. Além disso, eles sugerem a extensão dos textos que os alunos devem ter contato nos tipos de textos exigidos pela Norma. As escolhas devem servir como guias úteis para ajudar os educadores a selecionar textos de complexidade, qualidade e variedade semelhante para suas próprias turmas.”

Nenhum grupo de pais ou professores se opõe a um material de leitura que inclua complexidade e qualidade. A questão com relação aos exemplares escolhidos pela CCSS está relacionada a “variedade” do material e a adequação etária e contextual do mesmo.

O Conselho de Supervisores e Administradores Escolares (Nova Iorque), que revisou um texto recomendado, “Make Lemonade”, ficou perturbado com o “conteúdo e linguagem sexualmente explícitos” do livro. O romance para jovens adultos é parte do currículo CODEX da Scholastic, que algumas escolas municipais (nova-iorquinas) listaram este ano como parte de sua observância junto ao CCSS. Algumas passagens “preocuparam membros da união, incluindo debates de sexo e drogas,” diz a porta-voz, Antoinette Isable-Jones. Isable-Jones também disse que a união dos diretores buscou mais informações sobre quem e como a cidade escolheu os materiais recomendados para as escolas.
Foi dito aos membros que “Make Lemonade” é uma opção e que os pais tinham liberdade de expressar suas preocupações aos respectivos diretores. “O romance tem sido altamente indicado para as séries de sexto ao oitavo ano e é apenas um entre muitos romances dentre os quais os professores podem escolher para material de leitura”, observou Erin Hughes, porta-voz do Departamento de Educação da cidade de Nova Iorque.
Em outro lado do país, Buena High School em Sierra Vista, Arizona, reconheceu a pressão dos pais e removeu o romance sexualmente explicito, “Dreaming in Cuban” de Cristina Garcia. “Dreaming in Cuban” inclui passagens sado-masoquistas. O romance é também um “texto exemplar” na CCSS. Além disso, juntamente com o estudo deste romance, professores e alunos são orientados a visitarem um site que apresenta uma entrevista com Garcia sobre seu mais novo livro – considerado pelos pais ainda mais perturbador.

O livro de Garcia está entre vários outros, os quais os oficiais das escolas sugeriram que os pais simplesmente enviassem um formulário “escolho não participar” em nome de seus alunos, caso fossem contra a seleção. Mas poucos pais são tão inocentes a ponto de pensar que um livro aprovado pela escola, que retrata sexo violento entre adolescentes, não terá efeito algum em ambiente escolar mais amplo. Um pai observou, “Minha filha se misturará socialmente com seus colegas, que absorveram tal livro, mesmo que ela mesma não o tenha lido. Como ela estará protegida da influência daquele livro sob seus amigos?”. Outros ainda se preocupam com o aumento de queixas de sexo entre professores e alunos, e o efeito que um material tão erótico possa ter sob os alunos.

As escolas, especialmente as públicas, já são ambientes de alto risco em algumas comunidades, que têm lutado para controlar as drogas, o bullying e a violência. Tais textos aumentam a violência, gravidez precoce, e uso de drogas entre as crianças vulneráveis e suscetíveis? Tais romances podem ser entendidos como educacionais? Um pai chocado observou que o conteúdo em “Dreaming in Cuban”, se filmado, seria classificado como R-17; mas como é listado pela CCSS, ele é usado nas escolas em “aulas” para adolescentes de 15 anos.
De acordo com um relato para a September Associate Press, Barbara Hansen, anteriormente professora de ensino fundamental em Sierra Vista, descreveu o livro para os oficiais da escola como “pornografia infantil”. “Nós estamos agredindo suas almas com este tipo de material. É um deboche, e simplesmente não é digno dos nossos alunos”, Hansen disse.
Superintendente escolar, Kriss Hagerl, explicou que se o distrito conhecesse o conteúdo dos livros, eles teriam pedido aos professores que escolhessem uma alternativa. “Aprendemos uma lição com isso, e vamos nos certificar de fazer ajustes para que isso não se repita”, Hagerl declarou.
Mas isto acontece. Pais e professores preocupados vêem um padrão. Quando material gráfico ofensivo é levado aos oficiais das escolas, ele é frequentemente removido. Mais frequentemente ainda, no entanto, os oficiais tentam “educar” os pais defendendo a escolha como parte de uma fundação literária ampla que tem o intuito de apresentar aos alunos os ganhadores de prêmios Nobel (Morrison) ou perspectivas multiculturais (Latino e Black). E alguns oficiais mesmo, se sentem pressionados a defender os exemplares da CCSS como parte de sua identidade profissional.
As profundas falhas no sistema de currículo acadêmico e seus exemplares serve para lembrar os cidadãos da sabedoria na Décima Emenda. Educação pertence ao Estado; a comunidade local, onde os padrões da comunidade são melhores decididos pelas pessoas que conhecem seus moradores companheiros.

Uma CCSS nacional, centralizada, inexplicável e sem identidade não conhece nossos filhos. Ela caminha sob uma teoria não comprovada de reforma e experimentação social. Seu objetivo é um trabalhador americano padronizado – uma unidade de trabalhador com tecnologia “ligar e usar”. Nosso objetivo é uma pessoa pensante, um cidadão com educação, cultura.
Texto original extraído do site Crisis magazine.
Sobre a autora:
Mary Jo Anderson é jornalista católica, e palestrante. Ela tem sido convidada frequente de “Abundant Life”, um programa de televisão EWTN, e seu programa de rádio “Global Watch” é ouvido em rádios afiliadas EWTN nacionalmente. Ela escreve regularmente para a revista “Crisis” e é uma correspondente contribuinte para WorldnetDaily.com. Mais artigos e comentários podem ser encontrados em Properly Scared e em Women for Faith and Family. Mary Jo faz parte do conselho de Women for Faith and Family e serviu no Conselho de Diretores Legatus. Com o co-autor Robin Bernhoft, ela escreveu “Male and Female He Made Them: Questions and Answers about Marriage and Same-Sex Unions”, publicado em 2005 pela Catholic Answers. Em 2003, Mary Jo foi convidada pela República Tcheca para discursar a parlamentares sobre o impacto do Feminismo Radical em Democracias Emergentes.