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Leituras de janeiro

Há um ano atrás, quando começamos nosso primeiro clube do livro, não podíamos imaginar os rumos que seguiríamos após tão pouco tempo transcorrido. Agora, não só prosseguimos com o trabalho n’A casa de Penélope, como também, atendendo aos pedidos das associadas, criamos o Clubinho Literário, voltado para crianças entre 6 e 10 anos. Como é bom crescer!

Mas, para quem está chegando agora, aqui vai um resumo das nossas propostas:

A casa de Penélope

Este é um clube de literatura nascido do meu desejo de partilhar um pouco do caminho que vinha trilhando solitariamente. Em resposta ao desafio de um sacerdote, esforcei-me por encontrar tempo para investir em meu aprimoramento pessoal, buscando por títulos que me auxiliassem a melhor compreender e desempenhar minhas diferentes funções enquanto esposa, mãe, etc. Assim, A casa de Penélope é um clube voltado exclusivamente para mulheres, com carga anual de seis obras, selecionadas de acordo com o tema do ano, e cada uma delas trabalhada ao longo de dois meses. O próximo tema, a ser trabalhado em 2018, é a maternidade, de modo que leremos obras que, de algum modo, nos dão ocasião de vislumbrar os melhores e piores modelos, para que nos inspiremos nos primeiros e nos curemos dos segundos. Além dos livros, há amplo material de apoio (guia de leitura, newsletters) e ainda espaços para discussão e interação (grupo fechado e hangouts) entre as associadas.

Clubinho Literário
Já o Clubinho, como disse acima, é uma resposta ao pedido de algumas mães participantes d’A casa de Penélope que, vendo os benefícios que as leituras proporcionavam às suas vidas, desejavam algo que trouxesse semelhantes benefícios aos seus filhos. A dinâmica do Clubinho é um pouco diferente, no entanto: selecionamos doze obras, uma para cada mês do ano, privilegiando títulos edificantes e virtuosos. O critério para esta seleção foi, basicamente, o seguinte: primeiro, não escolher obras que meus próprios filhos não tivessem apreciado; segundo, dentre as obras prediletas deles, priorizar aquelas que oferecessem ferramentas para educação da linguagem, educação do imaginário e educação moral. Ou seja, não basta que o livro seja divertido, mas é necessário que ele expanda o vocabulário infantil, sua imaginação e, sobretudo, seu conhecimento das virtudes humanas. Além dos livros, também produzimos material de apoio (guia de leitura e newsletter) e a possibilidade de contato virtual entre os participantes (por meio do e-mail dos pais).
Se você tem interesse em qualquer uma de nossas propostas, clique nos links, informe-se e venha crescer conosco. O prazo para participação em janeiro de 2018 encerra dia 27 deste mês de novembro!

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O primeiro encontro d’A casa de Penélope

Um grande evento nunca começa na data prevista, mas muito antes. Contássemos a partir do dia em que surge a idéia, às vezes muitos anos são passados até a sua realização. Este, contudo, não é exatamente o nosso caso. O primeiro encontro presencial d’A casa de Penélope foi preparado ao longo de um ano, o primeiro ano de existência do próprio clube. Mas não foi nada difícil. Pelo contrário: tudo pareceu fluir maravilhosamente bem, desde a escolha do local, o acerto dos detalhes, a realização do evento em si até a despedida. E é sobre tudo isso que eu desejo falar agora.
Primeiro, o local. Como não mencionar a querida Pousada Aldeia dos Sonhos, que faz jus ao nome que carrega? Ricardo e João, os proprietários, são a gentileza e o zelo em forma humana: não só ofereceram excelentes ambientes e acomodações como ainda contribuíram sugerindo boas idéias para facilitar a dinâmica e integração do grupo. Isso para não mencionar o famoso (e delicioso) café da manhã, que nos transporta de volta para a cozinha e o colo de nossas prendadas avós. Enfim, nem eu, nem as Penélopes tivemos o quê reclamar do lugar onde realizamos nosso primeiro encontro, e, ao que tudo indica, repetiremos a dose em outubro do ano que vem.
Depois, o sábado pela manhã, o primeiro encontro do encontro. Este foi o momento do primeiro contato pessoal com a maioria das Penélopes: que alegria poder encontrá-las assim, cara a cara, depois de tantos e-mails, chats e hangouts, e poder abraçá-las! Foram instantes de alegria e emoção. Interessante notar que apesar de todas as novidades, em nenhum momento percebi aquele desconforto habitual que ocorre nas reuniões de pessoas desconhecidas, mas, apesar da incipiente familiaridade, um clima acolhedor e fraterno parecia pairar sobre nós. Em seguida Gustavo tomou a palavra e nos ofereceu uma pequena palestra sobre alguns personagens masculinos das obras que lemos até o momento (Petruchio, Charles Bovary e Admeto), acrescentando ainda algumas considerações sobre Ulisses, o marido de Penélope, da Odisséia, personagem que inspirou o nome do clube. Foi ocasião para refrescar a memória, enfatizar questões importantes sobre os papéis dos cônjuges e também integrar um pouco mais os maridos presentes no grupo.
Ao meio-dia corremos para um restaurantezinho de comida boa, bonita e barata no centro de Canela e tivemos diversos momentos de bate-papo descontraído.
À tarde, depois de algumas horinhas livres, voltamos à aconchegante sala de reuniões e ouvimos, com muito prazer e durante mais de uma hora, o prof. Rafael Falcón falando sobre literatura para crianças, alfabetização e educação. Mesmo as Penélopes que ainda não são mães saíram extremamente enriquecidas, pois ouvir o prof. Rafael foi uma daquelas preciosas oportunidades para avaliar nossa própria educação e buscar corrigir os erros e falhas da formação, além, obviamente, das muitas indicações para a educação das crianças. Mas a conversa não parou na palestra: fomos ao (delicioso) coffee break e prosseguimos quase até ao anoitecer conversando e convivendo muito. Que momentos! Nada de conversas miúdas, pueris e “para socializar”: todos falando com o coração nas mãos, remindo o tempo, aproveitando a raridade que é o ter interlocutores sinceros e interessados naquilo que realmente importa e é digno de nota durante nossa curta vida.

Convém mencionar que algumas Penélopes vieram com maridos e filhos, de modo que as crianças brincaram tranquilas durante todo o tempo na casa que elas batizaram de “casinha da Laura” (em referência à Laura Ingalls Wilder, pois a casa era toda de madeira e repleta de objetos e utensílios antigos). Ou seja, toda a família pôde aproveitar sossegadamente.
No domingo pela manhã fomos à igreja e, depois, tomamos, todos juntos, o café da manhã na Pousada. Foi o momento da “DR” do clube, onde pedi às meninas que criticassem nosso trabalho e nos ajudassem a melhorar. Não minto ao dizer que elas nada tiveram a reclamar, mas, na verdade, revelaram que o clube superou todas as expectativas. Recebi minha medalha imaginária nessa hora! Hahahaha Levantamos da mesa (finalmente!) e fomos tirar fotos e continuar a conversa na recepção da Pousada. Parecia que ninguém queria ir embora, pois emendávamos um assunto no outro, orbitando sempre, porém, sobre as questões de família, fé e educação. Foi um tempo totalmente espontâneo de compartilhamento de vida, de experiências e de mútua edificação. Daí em diante algumas já retornaram às suas cidades. À tarde passeamos, com aquelas que ainda ficaram mais um pouco, no Castelinho Caracol e tivemos algumas boas horas juntos.

Por fim, voltamos para casa, eu e minha família, ao fim da tarde, completamente mortos de cansaço (eu e Gustavo, no caso), mas muito gratos a Deus por esse tempo de crescimento compartilhado, comovidos com as tantas demonstrações de carinho que recebemos (quantos presentes lindos!) e felizes pelos vínculos criados e estreitados neste final de semana que passou voando.

Tenho plena ciência de que minhas palavras não fazem justiça ao primeiro encontro. Mais adequado seria se as próprias Penélopes dissessem o que acharam. De todo modo, porém, fica aqui o registro desse momento especial que encerra o primeiro ano de atividades d’A casa de Penélope, e fica também o convite para que você venha participar conosco, presencial ou virtualmente, no próximo.

As inscrições para participar das leituras de 2018 já estão abertas. Confira aqui. Não perca tempo (nem o prazo)!

Abaixo, algumas fotinhos.

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A casa de Penélope

É pessoal, sei que as coisas por aqui têm andando às moscas, mas isso é o contrário do que temos tido aqui em casa. As aulas continuam a todo vapor e muito provavelmente não tiraremos férias, pois ficamos muito tempo sem estudos em função do nascimento da Philomena e dos períodos de repouso e de recuperação.

No entanto, há uma razão bastante especial para as coisas estarem tão paradas: iniciamos um novo trabalho. Quem recebe nossa newsletter já está por dentro, mas como muita gente acessa o blog e não recebe a news, resolvi explicar melhor aqui também.

Nossa nova empreitada chama-se A casa de Penélope, nome escolhido com a ajuda da Chloe (que lembrou-se da exemplar Penélope da Odisséia) e da minha prima Antônia (que sugeriu que instalássemos Penélope e todas as futuras participantes em uma “casa”). A casa de Penélope é um clube de literatura temático, por assinatura, para mulheres.



A ideia surgiu tempos atrás, ao término da segunda turma do curso De volta ao lar. Percebi que, mais do que compreender a importância de nossos papéis como esposas, mães e donas de casa, precisávamos também ampliar nosso repertório imaginativo com bons exemplos femininos, para que, por meio deles, nos nutríssemos dos elementos necessários para a superação das objeções, críticas e resistências que encontramos abundamente em nossa época, tanto ao nosso redor quanto dentro de nós mesmas. Não muito tempo depois, conheci um clube do livro de mães norte-americanas que nos serviu como inspiração em termos de funcionamento, para que conseguíssemos, de fato, aqui no Brasil, levar adiante o compromisso com a leitura a sério.

Em outras palavras, desde outubro estamos às voltas com esse novo projeto e por isso o ritmo por aqui diminuiu drasticamente. Criamos um site, página no facebook, no instagram, elaboramos pesquisas, lista de livros, newsletter, guia de leitura… enfim, tudo quase pronto para dia 01 de janeiro começarmos as leituras – mas as inscrições já estão abertas; já somos algumas dezenas!

Quem quiser conhecer melhor, por favor, sinta-se em casa, ou melhor, na casa, A casa de Penélope. 😉

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Um novo assunto: História da Arte!

Acho que as duas disciplinas escolares que mais amo são História e Arte. Como esse meu interesse deve ter algum componente genético (ou não 🙂 ), tanto a Chloe quanto o Bibi também nasceram gostando dos dois assuntos. Apesar disso, o que não tinha me ocorrido até o momento era tentar uni-las e trabalhá-las conjuntamente, partindo da perspectiva da arte e expandindo para diferentes aspectos do período histórico abordado.

Assim, há dias vinha pesquisando e reunindo materiais: sites, livros, vídeos… Comecei pelo que já conhecia, o Timetables of history (que já indiquei aqui no blog tempos atrás) e o apaixonante Heilbrunn Timeline of Art History (o site do Metropolitam Museum of Art, de Nova York). Mas a dificuldade sobre como apresentar os conteúdos de uma forma interessante — e não infantilóide — continuava. Cheguei, então, graças a um desabafo no facebook, aos excelentes livros History of Art, de Élie Faure, e História da Arte de Ernst Gombrich. Bons para mim, de fato… mas ainda não para eles.

Dias depois, recebi por mensagem o link para boa parte das aulas da cadeira de  História da Arte da UNESP. Um achado, sem dúvida, todavia, como eu não queria simplesmente delegar as aulas a um terceiro mas ministrá-las, deixei as aulas da graduação como um complemento, como uma carta na manga em caso de necessidade. E segui na procura.

Por alguma razão qualquer, mais alguns dias depois, puxei um dos volumes do Tesouro da Juventude da estante. Acho que eu estava lendo a parte sobre poesia quando descuidadamente vi “Livro das Belas Artes” no índice, uma das seções da coleção. Conferi os conteúdos referentes ao assunto e… bati o martelo! Sim, a antiga e manchada coleção de 1955 continua sendo um tesouro, de linguajar e conteúdo acessíveis às crianças, mas sem subestimá-las ou empobrecê-las, de maneira que resolvi adotá-la como base para nossas aulas. Além dela, para fins ilustrativos, usarei a linha do tempo do Heilbrunn, e, para os demais assuntos, o Timetables como ponto de partida.

Hoje tivemos nossa primeira aula e como assunto as inscrições deixadas nas cavernas pelos trogloditas da Idade da Pedra. Para melhor ilustrá-la, usei o site Lascaux, que permite um passeio virtual pelo local. As crianças se esbaldaram vendo os cavalos, bisões e veados espalhados pelas paredes.

Por fim, disse à Chloe que separasse uns pedaços de carvão do fogão à lenha para que os usassem para desenhar o muro, criando sua própria Lascaux. O resultado foi modesto, mas divertido.

Espero que os links e referências sirvam de incentivo aos pais que quiserem incrementar suas aulas. 😉
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O primeiro livro sobre homeschooling lançado no Brasil


Hoje é um dia histórico para minha família, em particular, e para o movimento homeschool brasileiro, em geral. Hoje tivemos a alegria de entregar a quase 300 compradores o primeiro livro sobre homeschooling publicado no Brasil. Não se trata de uma obra brasileira, mas da tradução de uma importante obra norte-americana sobre o assunto — o que é bastante conveniente uma vez que estamos recém engatinhando nesse caminho enquanto nossos irmãos do norte já correm com toda a desenvoltura muito adiante de nós. Trata-se do título “Homeschooling Católico – Um guia para pais”.

O livro aborda desde a fundamentação e respaldo católico para a prática do homeschooling, passando por questões como escolha do currículo, administração da rotina doméstica, relacionamento com as autoridades, até as clássicas dúvidas sobre socialização e ainda peculiaridades como os casos das famílias com um só dos pais e famílias com crianças com necessidades especiais. Enfim, um guia, de fato.

Se você quiser saber mais sobre o livro, podendo conferir uma infinidade de pequenos fragmentos, visite a página no facebook. Se você quiser ler o prefácio completo e/ou adquirir o seu exemplar, visite o site. A partir de hoje à noite o livro estará novamente disponível para compra.

Infelizmente, por conta de nossa inexperiência no ramo editorial, o projeto originalmente se restringiu ao formato eletrônico, isto é, ao ebook. Todavia, poucos dias atrás, em conversa com meu amigo e parceiro da Editora Concreta, Renan Martins Dos Santos, fechamos mais uma parceria visando a publicação da obra em seu formato impresso, físico. Assim, com a graça de Deus, teremos exemplares físicos de o “Homeschooling Católico – Um guia para pais” disponíveis para compra em breve.

Por fim, não poderia deixar de expressar aqui minha gratidão a algumas pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para que esse sonho e importante passo de consolidação do movimento homeschool brasileiro se realizasse. A primeira delas é, sem dúvida, o professor Olavo de Carvalho, graças a quem ouvimos falar a respeito do homeschool e, muito mais importante, acordamos para a vida. A segunda pessoa é Mariana D. Pazzinni, primeira blogueira a nos mostrar um pouco de como o processo de educar em casa se desenrola concretamente. Em terceiro lugar, agradecemos ao professor Rodrigo Gurgel, que em sua sempre característica boa vontade, gentileza e solicitude, nos apresentou a quem poderia nos ajudar em nossos primeiros passos. Essa pessoa que muito nos ajudou é o professor Carlos Nadalim, a quem muito estimamos, devemos e admiramos.

Além destes, cito toda a equipe que se engajou no projeto: Lorena Miranda Cutlak, Edson Vieira Demétrio, Priscila Esteves Peres, Padre Cleber E. S. Dias, Renan Martins dos Santos e a família Brodbeck. O meu querido marido e principal incentivador, Gustavo, que foi quem intermediou toda a conversa com nossos amigos do Seton. Por fim, não poderia deixar de fora as duas pessoas mais importantes que realmente deram o start e fizeram com que tudo acontecesse: a primeira delas foi a Chloe, minha filha mais velha, que com seu gratuito amor infantil me salvou de mim e me ensinou a amar a um outro alguém mais do que a mim mesma; sem isso, jamais teríamos mudado tão radicalmente nossas escolhas e nossa vida; a segunda pessoa é o próprio Deus, que nos amou primeiro, nos resgatou com laços de amor, formou nossa família e nos concedeu a graça de vivermos por Ele, para Ele e com Ele.

Que Deus abençoe ricamente a todos os mencionados e a todos os que lerão o “Homeschooling Católico”. Que ele possa ser verdadeiramente útil às famílias, ao país e sobretudo à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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Dica #2 – Pré-alfabetização e alfabetização

Seguindo a série de posts com dicas especiais, hoje vou abordar uma outra questão super recorrente entre as famílias que estão começando o homeschooling ou que já o praticam mas somente agora se depararam com essa necessidade: como, afinal, alfabetizar as crianças.

Em meu curso “Homeschooling 1.0” explico detalhadamente a superioridade do método fônico sobre os métodos silábico e global. Aqui, porém, resumirei a questão ao seguinte: se nós, quando bebês, aprendemos primeiro a discernir os sons para depois reproduzi-los aos balbucios, por que é que na hora de aprender a comunicar por escrito não haveríamos de seguir a dica que a própria natureza oferece, isto é, por que não deveríamos de, primeiro, aprender a discernir os sons da fala para então aprendermos como expressá-los por escrito? No curso, também sugiro alguns outros cursos e materiais que conheço e que ensinam a alfabetizar pelo método fônico, tais como o do prof. Carlos Nadalim e a cartilha “A casinha feliz”. No entanto, na época em que fizemos as gravações, ainda não conhecíamos o livro “Consciência fonológica em crianças pequenas”, de Marilyn Jager Adams e outros, publicado pela editora Artmed. O livro é uma tradução adaptada da versão americana, mas apesar da aparente inadequação que isso possa sugerir, o trabalho de Regina Ritter Lamprecht e de Adriana Corrêa Costa foi muitíssimo bem sucedido. Tanto é assim que abolimos tanto o curso do prof. Carlos quanto “A casinha feliz” e ficamos só com o livro.

O modo como ele é estruturado é extremamente didático, favorecendo ao leitor leigo na área, tal como eu e a esmagadora maioria dos pais homeschoolers, na aplicação dos exercícios, partindo do mais simples e elementar ao mais complexo e difícil. Além disso, e provavelmente o melhor de tudo, o livro oferece, ao final, a sugestão de cronograma de dois anos inteiros de trabalho com as crianças, abrangendo a pré-escola e a primeira série, dia a dia, com os exercícios a serem realizados. Por fim, nos anexos, há ainda ampla sugestão de bibliografia e de materiais que podem subsidiar as atividades, desde livrinhos de parlendas, poesias, até joguinhos educativos. Enfim, um serviço completo àqueles que querem alfabetizar em casa com segurança, autonomia, e sem gastar muito.

Deixo abaixo algumas fotos do livro.

Capa
Contracapa
Sumário (1)
Sumário (2)
Sumário (3)
Parte do cronograma de atividades
Gostou da dica? Compartilha! Já conferiu a dica #1, sobre coordenação motora? Clica aqui! Já está sabendo de tudo que está programado para o mês de maio aqui no Encontrando Alegria? Então confere aqui!
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Dica #1 – Coordenação motora

Preocupação legítima e recorrente, sobretudo entre mães de uma só criança, de crianças bem pequenas ou de famílias moradoras de apartamentos, o desenvolvimento físico não pode ser considerado de menor importância no homeschool. Assim, conforme prometido, eis-me aqui, dividindo com vocês uma dica de livro sobre coordenação motora para crianças de zero a cinco anos.

Na verdade, esta não é a primeira vez que publico um conteúdo desse tipo. No Natal de 2013, não somente fiz a indicação como compartilhei o pdf do livro “Slow and steady get me ready”, um clássico norte-americano sobre o assunto. Trata-se de um livro com uma proposta bem parecida daquele que sugerirei hoje, mas muito mais focado nos exercícios (um por semana ao longo dos cinco primeiros anos de vida) e praticamente sem nenhuma fundamentação teórica acerca dos motivos para tais exercícios. Como mostra o título, o livro está em inglês. Se alguém tiver interesse, deixo aqui o link. 😉

O livro de hoje, porém, chama-se “Coordenação Motora”, de autoria de Tara Losquadro Liddle e Laura Yorke e publicado pela editora M. Books. Divide-se em quatro partes (Aprendendo a se mover e movendo-se para aprender, Mais rápido que um foguete, Capaz de pular grandes prédios e Considerações especiais, cada uma delas subdividida em vários capítulos). A obra começa narrando uma série de experiências da autora no encontro com pais que achavam que tudo estava bem com suas crianças, exceto por uma ou outra “dificuldadezinha” no desenvolvimento físico. A autora, que na época da publicação do livro tinha praticamente 20 anos de prática clínica, mostra que a maioria das “dificuldadezinhas” que não são encaradas e vencidas da maneira adequada, acabam repercutindo em todo o desenvolvimento posterior das crianças, e não somente em termos físicos, mas também em termos cognitivos e psicológicos.
Assim, em cada uma das divisões do livro, que avançam seguindo progressivamente a idade das crianças, a autora oferece uma boa dose de explicações mais teóricas, seguidas das habilidades esperadas para aquela faixa etária, bem como sugestões de atividades e brincadeiras para fazer com os pequenos e respostas às preocupações que costumam ser as mais comuns no período. Enfim, um excelente suporte às famílias que não querem negligenciar este aspecto da formação das crianças (nem delegá-la a terceiros), mas não têm formação técnica na área. Eu recomendo!

Capa
Contracapa
Sugestões de atividades
Preocupações mais comuns
Você está por dentro da nossa programação para o mês de maio? Já sabe que este post é apenas uma pequena parte de tudo o que está acontecendo e ainda irá acontecer? Não? Então confere aqui.
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Prólogo da obra “Homeschooling Católico”, de Mary Kay Clark


Pais, caso alguns de vocês sintam-se inclinados a pensar que o conteúdo deste livro, Homeschooling Católico, é exagerado ou distorcido, permitam-me, enquanto sacerdote, compartilhar com vocês algumas experiências. 
Eu sei o que é servir a mesma paróquia como cura assistente e depois como pároco, em ambos os casos dando aulas semanalmente a alunos da primeira à décima segunda série. Eu sei o que é ensinar em uma escola católica onde as crianças costumavam aprender os princípios básicos da Fé Católica, para, anos mais tarde, após o Concílio Vaticano II, retornar e descobrir que as crianças desta mesma escola agora sabiam praticamente nada sobre o Catolicismo. Eu sei o que é ser nomeado pároco de uma comunidade e descobrir, logo à minha chegada, que os adolescentes da Confraternidade da Doutrina Cristã (CDC) não viam diferença entre o Catolicismo e as “grandes religiões mundiais”, a saber, Islã, Budismo e Hinduísmo. Eu sei o que é ser responsável por ainda outra paróquia onde os professores do CDC entendiam como “ecumenismo” não ensinar que a Igreja Católica é a Verdadeira Igreja. Eu sei o que é ministrar um workshop de dois dias a um público de padres, tendo como tema a educação religiosa dos jovens, em uma das universidades católicas de maior prestígio dos Estados Unidos, e ter de ouvir de alguém de dentro da universidade que eu não tinha o direito de insistir que se ensinasse à juventude que a Igreja Católica é a Verdadeira Igreja. 
Fui professor em minha comunidade paroquial desde minha ordenação, ensinando turmas da primeira à décima segunda série ao longo de todo o ano letivo. Assim como o bispo é o primeiro professor da Fé na diocese, a condição de padre faz de mim o primeiro professor da comunidade, e eu gostaria de saber o que está acontecendo em nossas salas de aula. Fui ordenado quando tudo estava em seu devido lugar: escolas católicas eram escolas CATÓLICAS. Crianças e adolescentes conheciam os princípios básicos da fé. 
Doze anos após ser transferido da paróquia na qual primeiro servi, fui enviado novamente a ela na condição de pároco, e descobri que as crianças da escola primária católica agora desconheciam os princípios da Fé. Os alunos católicos da escola secundária local, a maioria dos quais haviam estudado na escola primária da paróquia, não faziam ideia de que na Santa Eucaristia nós recebemos o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo. Eles não sabiam que a Missa reproduz através dos tempos o Sacrifício da Cruz. Eles desconheciam os conceitos de pecado mortal ou venial e a obrigatoriedade da Missa Dominical. E, o que é pior, seus pais ignoravam o fato de que seus filhos sabiam pouco ou quase nada da Fé. Eles haviam delegado a terceiros, integralmente, seu próprio dever primordial de educar e formar seus filhos, e nem sequer se deram ao trabalho de verificar se estes estavam aprendendo os princípios da Fé, pois acreditavam que alguém faria isto em seu lugar. 
Quando eu era um padre recém-ordenado, minha grande paixão, depois de oferecer o Santo Sacrifício da Missa e administrar os Sacramentos como atos de Jesus Cristo prolongados no tempo e no espaço, era a educação e a formação de crianças e adolescentes. Mesmo após todos esses anos no Santo Sacerdócio de Cristo, minhas prioridades continuam as mesmas. Considero meu trabalho de educar e formar crianças como um auxílio à tarefa primordial dos pais e como uma extensão do meu dever de pregar o Evangelho de Jesus Cristo. 
Tendo escrito para a imprensa católica, eu sei o que é receber milhares de cartas de pais católicos de todas as partes dos Estados Unidos. Ocorreu com frequência, ao longo dos últimos 25 anos, estes pais descobrirem tarde demais que nas escolas católicas seus filhos não estavam aprendendo princípios católicos, mas heresias. Eis alguns exemplos: 
“Temos oito filhos. A escola católica primária e secundária roubou da Verdadeira Fé nossos cinco mais velhos, mas o mesmo não acontecerá com os outros três. Estes estão estudando em casa conosco.” Ou: “Padre, em nossa escola local, as crianças estão aprendendo em nome da Igreja Católica coisas que nós sabemos serem contrárias ao Catolicismo. Estaremos pecando se as tirarmos dessa escola?” Minha resposta: “Você está fazendo a pergunta errada. O correto seria perguntar: ‘Qual minha responsabilidade, se não as tirar de lá?’” 
Ouço, com frequência, a seguinte resposta: “Mas a alternativa, na escola pública, é ainda pior. Faltam disciplina, moral, etc… Como devo proceder?”
Posso, agora, responder a essa questão com: leia o livro Homeschooling Católico, da Dra. Mary Kay Clark, e você saberá qual caminho deve tomar, obrigatoriamente.” 
O Concílio Vaticano II não foi responsável pelos abusos tão extremos que vemos hoje em dia. Um Concílio Ecumênico é inspirado pelo Espírito Santo. Há, também, algumas exceções notáveis ao que escrevi acima a respeito do fracasso do ensino da Fé nas escolas católicas. Ainda restam algumas boas escolas católicas, embora não em grande número. Há também padres bem informados, e há os que não tomam notícia do que se passa em seus programas de Confraternidade da Doutrina Cristã ou nas escolas católicas de suas comunidades. Estes, assim como os pais, acostumaram-se a delegar suas responsabilidades a terceiros. 
Alguns padres simplesmente não compreendem a obrigação dos pais de ensinar seus filhos. “Não queremos essa revista na biblioteca de nossa paróquia. Ela defende o homeschooling.” Isto foi o que ouvi de um padre sobre a revista familiar da qual sou editor. “Essas pessoas são esquisitas. Seus filhos estudam em casa. Elas prejudicam o desenvolvimento de seus filhos ao submetê-los ao homeschooling.” 
Afirmações desse tipo – feitas por leigos, religiosos e padres – são contrárias à autêntica Fé Católica. Mesmo alguns padres expõem sua ignorância dos ensinos da Igreja e dos documentos do Concílio Vaticano II, quando não reconhecem a validade e a importância do homeschooling. 
A Declaração sobre a Educação Cristã do Vaticano II deixa bem claro:
Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores (11). Esta função educativa é de tanto peso que, onde não existir, dificilmente poderá ser suprida.*
Quando o presente livro, Homeschooling Católico, me caiu nas mãos, e após ler a “Introdução”, a qual considerei uma análise exata dos problemas que enfrentamos hoje, o capítulo que li em seguida foi “O Papel do Pai no Homeschooling”. Em minha fala no Simpósio Internacional para o 75º Aniversário de Fátima – localidade onde Nossa Senhora apareceu como catequista e Mãe da Evangelização – eu creditei muito da responsabilidade pela crise atual da fé aos pais de nossas famílias. A crise da fé é algo que vem maturando há muitos séculos, desde a Revolta Protestante e as causas que
a ela levaram. Os pais católicos têm negligenciado largamente seu papel, ao mesmo tempo em que as mães têm com igual frequência sucumbido ao Movimento Feminista. 
O capítulo que em seguida chamou minha atenção foi “O Problema da Socialização”. Esta é a primeira objeção que costumo ouvir a respeito do homeschooling. Curioso: por muitos anos, acompanhei durante quatro semanas centenas de jovens de todas as partes dos Estados Unidos e do Canadá até Fátima, e jamais notei qualquer problema social com aqueles que estudavam em casa. Percebi neles, ao contrário, uma maturidade que não via nos demais. 
Mais adiante, meus olhos pousaram sobre o capítulo “Disciplina da Família Católica Homeschooler”. Durante as peregrinações à Europa com os jovens, pude notar que aqueles com melhor autodisciplina, capazes de compreender imediatamente o motivo de estarmos na terra de Maria e o que eu buscava levando-os até lá, eram, frequentemente, os que estudavam em casa. São sempre eles (digo: sempre) os jovens que conhecem sua Fé em profundidade e podem discuti-la com inteligência. São filhos motivados de pais motivados. É com motivação que eles vêm experimentar a Igreja enquanto Una, Santa, Católica e Apostólica. 
Após observar os modernistas, os dissidentes dentro da Igreja e o secularismo crescente que tem invadido nossas paróquias – e obtido considerável sucesso em nossas escolas – Fulton J. Sheen disse: “São os leigos que salvarão a Igreja.” Posso afirmar, com base em meu próprio trabalho como padre e jornalista ao longo dos últimos 25 anos, que o que preservou meu otimismo quanto à prevalência da verdade e ao triunfo do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria foram os milhares de bons pais de todo o país com quem mantive contato; pais seriamente preocupados com dar a seus filhos uma educação e uma formação segundo o verdadeiro Catolicismo.
Ao final de suas peregrinações com a “Juventude por Fátima”, era comum os jovens dizerem: “Agora não estou só. Agora sei que existem muitos outros jovens em todo o país que estão aprendendo com seus pais os mesmos valores católicos que eu mesmo tenho aprendido em casa.” 
Pais, vocês não estão sozinhos ao praticar homeschooling! Eu venho escrevendo há 30 anos sobre educação e formação católica, sobre o dever dos pais enquanto principais educadores de seus filhos e sobre a necessidade de se manter a fidelidade ao Magistério. Cerca de um quarto de século atrás, uma mãe católica instou-me a abandonar meus apostolados a fim de estabelecer programas de homeschooling, o que significaria abandonar também minha função de pároco. Esta mãe e alguns outros pais católicos, desesperados porque não havia boas escolas, públicas ou católicas, vinham utilizando programas de homeschooling tais como os produzidos pelos Batistas. Eles esforçavam-se para adaptar à doutrina católica estes programas essencialmente protestantes. Em minha visão, era uma prática arriscada, na melhor das hipóteses. Agora, porém, temos nosso próprio homeschooling católico. E é compreensível que este tenha sido produzido por leigos.
Estamos ainda na infância do homeschooling em nossos tempos modernos. Mas o homeschooling ele mesmo é tão antigo quanto a Igreja. Houve um tempo em que a Divina Liturgia e o lar eram os principais e únicos professores da Fé. Se nossas escolas católicas, as quais fizeram tão nobre contribuição no passado, falharam em alguma área em especial, foi em comunicar aos pais que eles são os principais educadores e formadores de seus filhos no que diz respeito à Verdadeira Fé, e que é praticamente impossível substituí-los nessa função.
Pe. Robert J. Fox, Apostolado Família de Fátima
Trad. Lorena Miranda Cutlak

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* In: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_gravissimum-educationis_po.html

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A escola dos bárbaros e o sonho de Lênin

O texto abaixo é de autoria de Daniel Fernandes, 
um professor de filosofia e história e amigo meu que teve a bondade de fazer um resumo comentado, especialmente para o Encontrando Alegria, 
da obra “A escola dos bárbaros”


Atentas a todos os passos do desenvolvimento da moderna pedagogia, Isabelle Stal e Françoise Thom, mostram, de maneira contundente, no livro A escola dos bárbaros,que uma explosão de inovações esquerdizantes, seguida de uma entronização crescente de falsas ciências e de geringonças pedagógicas no processo de “renovação dos colégios” afastou a escola de seus objetivos tradicionais, transformando-a num campo de experimentação aberto a todas as utopias coletivistas empenhadas na criação de um “homem novo”.


Essencialmente niveladora, porque não exige nenhum esforço real, a escola, transformada numa máquina de desaprender, tornou-se um lugar “mediocrizante” e “barbarizante”. Mantendo sempre os olhos fixos no horizonte da igualdade utópica, a nova pedagogia, inspirada numa lógica socialista, desqualificou oindivíduo por considerá-lo suporte da desigualdade. O grupo, no entanto, instrumento de nivelação, passou a ser exaltado a tal ponto, que se tornou o princípio da revolução pedagógica. O que importa, não é mais o ato inteligente de aprender, sem o qual nunca se poderá, realmente, criar, mas tão-somente o de participar, como todo o grupo.


A crítica das autoras é impiedosa, mas justa: a pedagogia moderna tornou-se um pesadelo a serviço da demolição da escola. A obra inteira pode ser considerada como um ‘livro-denúncia’ que enfeixa um sem-número de importantes e oportunas reflexões críticas sobre a devastação cultural e psicológica, sem precedentes promovida pelos cérebros pedagógicos, desde a primeira metade do século XX. A moderna pedagogia – que se intitulava científica – não mediu esforços para impor seuniilismo pedagógico, afastar os alunos das matérias e dos exercícios verdadeiramente formadores, em proveito de manipulações sem conceito, como a tecnologia, ou tagarelices sócio-críticas a serviço de ideologias.


Enquanto a educação tradicional pretendia controlar elementos tangíveis como a conduta, conhecimentos e resultados, a nova se arrogava plenos poderes sobre o espírito e os sentimentos dos alunos. Os pedagogos progressistas, sob o pretexto de instaurar na escola uma igualdade real, chegaram, inexoravelmente, a banirnoções gramaticais de base. A própria linguagem foi colocada sob suspeita. Todas as práticas, todos os métodos distribuídos pela pedagogia, passaram a suspeitar da norma culta considerada infame por revelar disparidades culturais e socioeconômicas entre as famílias.Assim, sob o pretexto de instaurar na escola a igualdade, o ensino é nivelado por baixo.


Não por acaso, os resultados da pedagogia progressista, ainda em andamento, tem sido catastróficos. A maioria dos alunos dos últimos anos é incapaz de falar, isto é, de formular um pensamento, por mais simples que seja; logo que os estudantes têm de sair dos temas da vida corrente e das frases usadas pelos meios de comunicação, eles se mostram praticamente afásicos, abordando o domínio do pensamento abstrato como o auxílio de um lamentável arsenal de onomatopeias e cacoetes grupais.1Ainda assim, longe de tirar lições de seus fracassos, os modernos pedagogos obstinam-se, pensando poder remediar as consequências de uma tolice pedagógica por outra. Existe aí uma lógica infernal: os entusiasmos dos pedagogos modernos provocam, nesse campo, desastres que lançam a máquina pedagógica num ciclo desenfreado, numa voragem de inovações, precipitando os infelizes alunos num abismo de ignorância e de perplexidade.”2


Reza a lenda que, em outubro de 1919, Lênin fez uma visita secreta ao laboratório do grande fisiologista Pavlov, querendo saber se era possível controlar o comportamento humano. Seu desejo era que as massas seguissem um padrão grupal de pensamento e ação. “Há individualismo demais, na Rússia. Precisamos aboli-las.” Pavlov mostrou-se chocado. “O senhor gostaria que eu nivelasse a população da Rússia?” perguntou. “Exatamente”, respondeu Lenin. “O homem pode ser corrigido, fazendo-se dele o que se quiser.” Lênin morreu em 1924, e logo depois, a nova pedagogia tornaria seu sonho, realidade.O pedagogo moderno é o engenheiro de almas, como o qual sonhava Lênin3, e a nova pedagogia, um crime contra o espírito.


Por isso mesmo, A escola dos bárbarosé leitura obrigatória para educadores e, também, para pais que desejam, para seus filhos, uma escola sadia e eficiente, a salvo de ideologias perversas e desastrosas revoluções pedagógicas.

1 Isabelle Stal e Françoise Thom. A Escola dos Bárbaros. São Paulo: T.A. Queiroz Editor, 1991, p. 59.

2 Idem, p. 43.

3 Orlando Figes. A tragédia de um povo. Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 900.

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Teaching the Trivium

Em resposta ao Sidney e, acredito, também a outros leitores, cumpro o prometido e compartilho mais um pouco do Teaching the Trivium com vocês.

Antes, porém, de entrar nas particularidades de cada uma das etapas do método (gramática, lógica e retórica), acredito ser importante ilustrar melhor cada uma das etapas, afinal, o Teaching não traz currículo, mas vasta bibliografia para cada um dos temas abordados e preciosas dicas e esclarecimentos metodológicos. É importante ressaltar também que cada uma das etapas não diz respeito exclusivamente ao tema que lhe dá nome. Trata-se antes, no caso específico do Teaching, de um modo de abordar os diferentes objetos de estudo. 

Assim, a etapa gramatical volta-se sobre o “o que, quem, quando ou onde“, isto é, sobre os fatos essenciais a respeito das coisas; a etapa lógica volta-se sobre o “porquê“, isto é, passa-se a relacionar os fatos essenciais entre si e a compreender as regras dos seus usos e funcionamentos; por último, a etapa retórica refere-se ao “como“, ou seja, trata-se do momento prático, onde o assimilado é posto à prova na realidade. Vejamos alguns exemplos de como as três etapas acontecem nas diferentes matérias:
No português
  1. A etapa gramatical no estudo da língua portuguesa consistirá, por exemplo, no estudo e memorização dos fonemas, do alfabeto, das sílabas, do vocabulário e da pronúncia;
  2. A etapa lógica no português abordará as leis gramaticais propriamente ditas, analisando morfológica e sintaticamente as sentenças;
  3. Na etapa retórica, dominados os fundamentos e assimiladas as regras de funcionamento da língua, o aluno voltar-se-á para a construção de textos, desenvolvimento de ensaios, apresentação de discursos, declamação de poesias, etc.

Na matemática

  1. A etapa gramatical no estudo da matemática incluirá os nomes dos números, a memorização das sequências numéricas, a memorização de alguns cálculos de adição, subtração, multiplicação e divisão, sistemas de medidas tais como distâncias, pesos, litros, reais, etc.;
  2. A etapa lógica na matemática iniciará com a resolução de problemas mais complexos até provas de álgebra e teoremas de geometria;
  3. A etapa retórica a matemática voltar-se-á sobre coisas como levantamentos contábeis, astronomia, engenharia, etc.

Na história

  1. A etapa gramatical no estudo da história versará sobre nomes, datas de eventos, lugares, bandeiras, hinos.
  2. A etapa lógica na história tratará dos motivos para o ocorrência dos eventos, guerras, tratados, migrações e invenções.
  3. Na etapa retórica o aluno de história realizará pesquisas e produzirá conclusões que tratarão da repercussão dos eventos e motivos de suas ocorrências sobre a política, a economia, a religião, a ciência, etc.
Claro, como bem ressaltam os autores, nenhuma dessas etapas é estanque, mas realiza-se mais plenamente dentro de determinadas faixas etárias. A gramatical é a mais jovem, a etapa lógica é na adolescência e a etapa retórica no início da juventude. Em outras palavras, a criança já tenta compreender o motivo de algumas coisas, no entanto, sua capacidade não está focada nem madura o bastante para assimilar por completo e em profundidade as explicações. Assim como o adolescente prossegue assimilando fatos, embora sua capacidade esteja focada e já amadurecida para lidar com a compreensão das explicações oferecidas. Já o jovem, por sua vez, continua apreendendo novos conteúdos e compreendendo suas relações e motivos, mas encontra-se focado e maduro o bastante para exercitar-se na prática daquilo que já apreendeu e compreendeu.

Como disse inicialmente, o Teaching não traz currículo, mas, acredito eu, explicações desse tipo nos ajudam a selecionar, organizar e enfatizar a coisa certa no momento certo, sem forçar a criança antes de hora, nem subestimá-la no tempo que lhe é oportuno.