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Leituras de janeiro

Há um ano atrás, quando começamos nosso primeiro clube do livro, não podíamos imaginar os rumos que seguiríamos após tão pouco tempo transcorrido. Agora, não só prosseguimos com o trabalho n’A casa de Penélope, como também, atendendo aos pedidos das associadas, criamos o Clubinho Literário, voltado para crianças entre 6 e 10 anos. Como é bom crescer!

Mas, para quem está chegando agora, aqui vai um resumo das nossas propostas:

A casa de Penélope

Este é um clube de literatura nascido do meu desejo de partilhar um pouco do caminho que vinha trilhando solitariamente. Em resposta ao desafio de um sacerdote, esforcei-me por encontrar tempo para investir em meu aprimoramento pessoal, buscando por títulos que me auxiliassem a melhor compreender e desempenhar minhas diferentes funções enquanto esposa, mãe, etc. Assim, A casa de Penélope é um clube voltado exclusivamente para mulheres, com carga anual de seis obras, selecionadas de acordo com o tema do ano, e cada uma delas trabalhada ao longo de dois meses. O próximo tema, a ser trabalhado em 2018, é a maternidade, de modo que leremos obras que, de algum modo, nos dão ocasião de vislumbrar os melhores e piores modelos, para que nos inspiremos nos primeiros e nos curemos dos segundos. Além dos livros, há amplo material de apoio (guia de leitura, newsletters) e ainda espaços para discussão e interação (grupo fechado e hangouts) entre as associadas.

Clubinho Literário
Já o Clubinho, como disse acima, é uma resposta ao pedido de algumas mães participantes d’A casa de Penélope que, vendo os benefícios que as leituras proporcionavam às suas vidas, desejavam algo que trouxesse semelhantes benefícios aos seus filhos. A dinâmica do Clubinho é um pouco diferente, no entanto: selecionamos doze obras, uma para cada mês do ano, privilegiando títulos edificantes e virtuosos. O critério para esta seleção foi, basicamente, o seguinte: primeiro, não escolher obras que meus próprios filhos não tivessem apreciado; segundo, dentre as obras prediletas deles, priorizar aquelas que oferecessem ferramentas para educação da linguagem, educação do imaginário e educação moral. Ou seja, não basta que o livro seja divertido, mas é necessário que ele expanda o vocabulário infantil, sua imaginação e, sobretudo, seu conhecimento das virtudes humanas. Além dos livros, também produzimos material de apoio (guia de leitura e newsletter) e a possibilidade de contato virtual entre os participantes (por meio do e-mail dos pais).
Se você tem interesse em qualquer uma de nossas propostas, clique nos links, informe-se e venha crescer conosco. O prazo para participação em janeiro de 2018 encerra dia 27 deste mês de novembro!

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O primeiro encontro d’A casa de Penélope

Um grande evento nunca começa na data prevista, mas muito antes. Contássemos a partir do dia em que surge a idéia, às vezes muitos anos são passados até a sua realização. Este, contudo, não é exatamente o nosso caso. O primeiro encontro presencial d’A casa de Penélope foi preparado ao longo de um ano, o primeiro ano de existência do próprio clube. Mas não foi nada difícil. Pelo contrário: tudo pareceu fluir maravilhosamente bem, desde a escolha do local, o acerto dos detalhes, a realização do evento em si até a despedida. E é sobre tudo isso que eu desejo falar agora.
Primeiro, o local. Como não mencionar a querida Pousada Aldeia dos Sonhos, que faz jus ao nome que carrega? Ricardo e João, os proprietários, são a gentileza e o zelo em forma humana: não só ofereceram excelentes ambientes e acomodações como ainda contribuíram sugerindo boas idéias para facilitar a dinâmica e integração do grupo. Isso para não mencionar o famoso (e delicioso) café da manhã, que nos transporta de volta para a cozinha e o colo de nossas prendadas avós. Enfim, nem eu, nem as Penélopes tivemos o quê reclamar do lugar onde realizamos nosso primeiro encontro, e, ao que tudo indica, repetiremos a dose em outubro do ano que vem.
Depois, o sábado pela manhã, o primeiro encontro do encontro. Este foi o momento do primeiro contato pessoal com a maioria das Penélopes: que alegria poder encontrá-las assim, cara a cara, depois de tantos e-mails, chats e hangouts, e poder abraçá-las! Foram instantes de alegria e emoção. Interessante notar que apesar de todas as novidades, em nenhum momento percebi aquele desconforto habitual que ocorre nas reuniões de pessoas desconhecidas, mas, apesar da incipiente familiaridade, um clima acolhedor e fraterno parecia pairar sobre nós. Em seguida Gustavo tomou a palavra e nos ofereceu uma pequena palestra sobre alguns personagens masculinos das obras que lemos até o momento (Petruchio, Charles Bovary e Admeto), acrescentando ainda algumas considerações sobre Ulisses, o marido de Penélope, da Odisséia, personagem que inspirou o nome do clube. Foi ocasião para refrescar a memória, enfatizar questões importantes sobre os papéis dos cônjuges e também integrar um pouco mais os maridos presentes no grupo.
Ao meio-dia corremos para um restaurantezinho de comida boa, bonita e barata no centro de Canela e tivemos diversos momentos de bate-papo descontraído.
À tarde, depois de algumas horinhas livres, voltamos à aconchegante sala de reuniões e ouvimos, com muito prazer e durante mais de uma hora, o prof. Rafael Falcón falando sobre literatura para crianças, alfabetização e educação. Mesmo as Penélopes que ainda não são mães saíram extremamente enriquecidas, pois ouvir o prof. Rafael foi uma daquelas preciosas oportunidades para avaliar nossa própria educação e buscar corrigir os erros e falhas da formação, além, obviamente, das muitas indicações para a educação das crianças. Mas a conversa não parou na palestra: fomos ao (delicioso) coffee break e prosseguimos quase até ao anoitecer conversando e convivendo muito. Que momentos! Nada de conversas miúdas, pueris e “para socializar”: todos falando com o coração nas mãos, remindo o tempo, aproveitando a raridade que é o ter interlocutores sinceros e interessados naquilo que realmente importa e é digno de nota durante nossa curta vida.

Convém mencionar que algumas Penélopes vieram com maridos e filhos, de modo que as crianças brincaram tranquilas durante todo o tempo na casa que elas batizaram de “casinha da Laura” (em referência à Laura Ingalls Wilder, pois a casa era toda de madeira e repleta de objetos e utensílios antigos). Ou seja, toda a família pôde aproveitar sossegadamente.
No domingo pela manhã fomos à igreja e, depois, tomamos, todos juntos, o café da manhã na Pousada. Foi o momento da “DR” do clube, onde pedi às meninas que criticassem nosso trabalho e nos ajudassem a melhorar. Não minto ao dizer que elas nada tiveram a reclamar, mas, na verdade, revelaram que o clube superou todas as expectativas. Recebi minha medalha imaginária nessa hora! Hahahaha Levantamos da mesa (finalmente!) e fomos tirar fotos e continuar a conversa na recepção da Pousada. Parecia que ninguém queria ir embora, pois emendávamos um assunto no outro, orbitando sempre, porém, sobre as questões de família, fé e educação. Foi um tempo totalmente espontâneo de compartilhamento de vida, de experiências e de mútua edificação. Daí em diante algumas já retornaram às suas cidades. À tarde passeamos, com aquelas que ainda ficaram mais um pouco, no Castelinho Caracol e tivemos algumas boas horas juntos.

Por fim, voltamos para casa, eu e minha família, ao fim da tarde, completamente mortos de cansaço (eu e Gustavo, no caso), mas muito gratos a Deus por esse tempo de crescimento compartilhado, comovidos com as tantas demonstrações de carinho que recebemos (quantos presentes lindos!) e felizes pelos vínculos criados e estreitados neste final de semana que passou voando.

Tenho plena ciência de que minhas palavras não fazem justiça ao primeiro encontro. Mais adequado seria se as próprias Penélopes dissessem o que acharam. De todo modo, porém, fica aqui o registro desse momento especial que encerra o primeiro ano de atividades d’A casa de Penélope, e fica também o convite para que você venha participar conosco, presencial ou virtualmente, no próximo.

As inscrições para participar das leituras de 2018 já estão abertas. Confira aqui. Não perca tempo (nem o prazo)!

Abaixo, algumas fotinhos.

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A importância das boas músicas

Tem se tornado cada vez mais difícil passar por aqui e compartilhar coisas que acho que são úteis ou importantes para as famílias homeschoolers. São muitos os projetos nos quais estamos envolvidos, e há ainda novas coisas surgindo, por isso, pela necessidade de priorizar, o blog, que foi o começo de tudo, acaba ficando para trás. Ainda assim, porém, quero compartilhar com vocês algumas coisas bonitas que temos usado e feito por aqui.

Eu e Gustavo, na vida adulta, nunca fomos apreciadores de músicas populares. Sempre que colocamos alguma música, ou é clássica, ou é sacra. Raras vezes Gustavo varia um pouco o repertório acrescentando alguma música regional gaúcha ao menu. Por isso, desde sempre, nossos filhos foram acostumados com boas músicas, ainda que não saibam os nomes dos compositores/autores e das músicas, pois fazemos tudo de maneira muito tranquila e informal.


Assim, vindo a complementar um pouco mais esse hábito, recebemos de uma amiga a indicação de um excelente livro que agora passo adiante para vocês. O llivro é A música erudita, de Ibrahim Abrahão Chaim. 

Obviamente a obra não é completíssima, pois, como em toda seleção, alguns autores ficam de fora, mas vejam vocês como os temas abordados realmente suprem muitas carências, pois fazem conhecidas coisas que, para quem é leigo, podem soar bastante difíceis de entender. Chloe têm adorado e já leu boa parte dele.

Além do livro, recomendo ainda um cd disponível no archive.org chamado A Child’s Introduction to the Orchestra onde há uma música para apresentação de cada um dos instrumentos. É perfeito para quem não conhece ou não consegue distinguir os sons deles, mas, sobretudo, é divertido para as crianças menores.

Para quem ainda não entende a importância de ensinar esse tipo de coisa às crianças, ou melhor, para quem não entende a importância de expô-las a boas músicas e protegê-las dos lixos sonoros que nos cercam, deixo aqui um trechinho de uma aula do prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto na qual ele explica melhor a questão.

Por último, deixo ainda uma sugestão que alia boa música a desenhos antigos: escreva Silly Simphony Compilation no youtube, escolha um álbum e divirtam-se. Ainda não assistimos todos aqui em casa, mas dos que vimos, gostamos. São fábulas clássicas musicadas, ou então histórias bobinhas com músicas incríveis. O único que não deixo as crianças assistirem é o The Skeleton Dance. Então, pais, antes de colocarem as crianças a assistir, assistam primeiro, por favor, e vejam o que é e o que não é adequado a elas, ok?

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Sugestão de Natal

Post rápido, com uma sugestão aos que ainda não conseguiram comprar todos os presentes de Natal. Links afiliados. 😉

Nesta semana, a grande notícia do mercado editorial foi o lançamento em pré-venda da nova edição do procuradíssimo O livro das virtudes.

Esgotado sabe-se lá há quanto tempo e a peso de ouro nos sebos, a Nova Fronteira finalmente caiu em si e resolveu reeditar os dois volumes em um bonito box.

Trata-se de aquisição indispensável aos homeschoolers, uma vez que é formado por uma excelente compilação de textos clássicos, cuidadosamente separados segundo as virtudes que exemplificam.

O texto é recomendado a crianças grandes, por volta dos 10 anos em diante, e também para adultos, obviamente.

Uma outra vantagem dos volumes é que, graças à sortida seleção de textos, eles nos oferecem muitas boas referências para outras pesquisas.

Enfim, uma boa pedida para o Natal. Clicando aqui você vai direto para a página da Amazon, onde o box está em promoção.

Agora é torcer para que a Nova Fronteira não pare por aí, mas reedite também O livro das virtudes para crianças, O livro dos heróis para crianças e O livro da fé para crianças.

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Aula de desenho e a percepção da realidade

O “Curso de desenho“, de Charles Bargue, há tempos acumulava pó na estante. Não por falta de vontade ou interesse, mas pela falta de criatividade em transpôr uma pequena dificuldade inicial. Aliado a isso, por tratar-se de um assunto (ou uma habilidade) que não é (ou não é considerada) essencial, fui deixando o tempo passar. Para quem não conhece, o “Curso de desenho” é um tradicional guia para quem quer aprender desenho clássico, um material muito bem conceituado, que serviu à instrução de pintores como Van Gogh e Picasso.

Logo de saída, Bargue propõe como exercício ao aluno o observar e o desenhar de uma figura em gesso. Pronto. The end. Que figura em gesso um ser humano como eu há de ter em casa?! Mas tanto as crianças pediram e tanto eu mesma queria aprender que resolvi incomodar um amigo arquiteto a respeito da proposta do livro. Explicou-me ele que a figura em gesso poderia ser tranquilamente substituída por um objeto branco qualquer, desde que opaco, pois um dos objetivos desta primeira etapa é treinar o olho para a luz e para a sombra — obrigada, Pedro! Certo, fim da enrolação. Agora eu só precisava encontrar um objeto branco e opaco. E encontrei… o dove. É, o sabonete dove, mesmo. Não, eu não tenho mais nada branco e fosco em casa.

Aproveitando a cesta do Nathan e a Mena no colo do papai, lá fomos nós, eu, Chloe e Bibi, na maior empolgação do mundo, desenhar um sabonete. Limpei a mesa, arrumei a luz, peguei os materiais. Tudo ok. Mas… que dificuldade! Céus, como é difícil desenhar! Chloe e Bibi se divertiram um monte e nós ríamos a cada vez que o Benjamin espichava o braço para pegar a borracha e a confundia com o sabonete, mas eu fiquei lá, um tempão, tentando colocar no papel aquilo tudo que eu estava vendo como se fosse a primeira vez na vida. Descobri que há diferentes tons de sombra, diferentes intensidades de escuridão, assim como há diferentes intesidades de luz, embora as variações na luz sejam mais facilmente perceptíveis. Enfim, levei o negócio a sério, pois, na verdade, sempre quis aprender a desenhar, desde criança, mas nunca tive a chance e, com o passar do tempo, deixei a idéia de lado.

A dificuldade de “manuseio”, de familiaridade com o material não foi o que mais me impressionou no meu desempenho, mas, antes, a dificuldade em conseguir colocar no papel aquilo que eu estava vendo. Melhor dizendo, primeiro percebi a minha dificuldade em perceber, minha completa falta de treino visual, e, depois, a dificuldade em materializar em traços aquilo que via. Foi também inevitável pensar em uma dificuldade semelhante, mas que ocorre em uma outra área, isto é, no quanto nos custa conseguir entender o que acontece ao nosso redor e o ser capaz de expressá-lo verbalmente. Quantas vezes, ao começar escrever um texto, as palavras simplesmente seguem numa direção diferente e conferem uma aparência canhestra àquilo que se viu, pensou e compreendeu? Neste sentido, saber desenhar assemelha-se a saber escrever, pois rabiscar qualquer coisa está ao alcance de qualquer um, mas exprimir com toda a veracidade, riqueza e sutileza as experiências que se vive é algo que só se obtém por meio de um treino incansável, permanente. Um treino que todos nós deveríamos ter.

Deixo aqui os resultados desse nosso primeiro e gratificante esforço.

O modelo.
Concentração.
Muita concentração.
Dove do Bibi.
Dove da Chloe.
Meu dove.
O sapeca acordou antes do fim da aula. 🙂

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Um novo assunto: História da Arte!

Acho que as duas disciplinas escolares que mais amo são História e Arte. Como esse meu interesse deve ter algum componente genético (ou não 🙂 ), tanto a Chloe quanto o Bibi também nasceram gostando dos dois assuntos. Apesar disso, o que não tinha me ocorrido até o momento era tentar uni-las e trabalhá-las conjuntamente, partindo da perspectiva da arte e expandindo para diferentes aspectos do período histórico abordado.

Assim, há dias vinha pesquisando e reunindo materiais: sites, livros, vídeos… Comecei pelo que já conhecia, o Timetables of history (que já indiquei aqui no blog tempos atrás) e o apaixonante Heilbrunn Timeline of Art History (o site do Metropolitam Museum of Art, de Nova York). Mas a dificuldade sobre como apresentar os conteúdos de uma forma interessante — e não infantilóide — continuava. Cheguei, então, graças a um desabafo no facebook, aos excelentes livros History of Art, de Élie Faure, e História da Arte de Ernst Gombrich. Bons para mim, de fato… mas ainda não para eles.

Dias depois, recebi por mensagem o link para boa parte das aulas da cadeira de  História da Arte da UNESP. Um achado, sem dúvida, todavia, como eu não queria simplesmente delegar as aulas a um terceiro mas ministrá-las, deixei as aulas da graduação como um complemento, como uma carta na manga em caso de necessidade. E segui na procura.

Por alguma razão qualquer, mais alguns dias depois, puxei um dos volumes do Tesouro da Juventude da estante. Acho que eu estava lendo a parte sobre poesia quando descuidadamente vi “Livro das Belas Artes” no índice, uma das seções da coleção. Conferi os conteúdos referentes ao assunto e… bati o martelo! Sim, a antiga e manchada coleção de 1955 continua sendo um tesouro, de linguajar e conteúdo acessíveis às crianças, mas sem subestimá-las ou empobrecê-las, de maneira que resolvi adotá-la como base para nossas aulas. Além dela, para fins ilustrativos, usarei a linha do tempo do Heilbrunn, e, para os demais assuntos, o Timetables como ponto de partida.

Hoje tivemos nossa primeira aula e como assunto as inscrições deixadas nas cavernas pelos trogloditas da Idade da Pedra. Para melhor ilustrá-la, usei o site Lascaux, que permite um passeio virtual pelo local. As crianças se esbaldaram vendo os cavalos, bisões e veados espalhados pelas paredes.

Por fim, disse à Chloe que separasse uns pedaços de carvão do fogão à lenha para que os usassem para desenhar o muro, criando sua própria Lascaux. O resultado foi modesto, mas divertido.

Espero que os links e referências sirvam de incentivo aos pais que quiserem incrementar suas aulas. 😉
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Prólogo da obra “Homeschooling Católico”, de Mary Kay Clark


Pais, caso alguns de vocês sintam-se inclinados a pensar que o conteúdo deste livro, Homeschooling Católico, é exagerado ou distorcido, permitam-me, enquanto sacerdote, compartilhar com vocês algumas experiências. 
Eu sei o que é servir a mesma paróquia como cura assistente e depois como pároco, em ambos os casos dando aulas semanalmente a alunos da primeira à décima segunda série. Eu sei o que é ensinar em uma escola católica onde as crianças costumavam aprender os princípios básicos da Fé Católica, para, anos mais tarde, após o Concílio Vaticano II, retornar e descobrir que as crianças desta mesma escola agora sabiam praticamente nada sobre o Catolicismo. Eu sei o que é ser nomeado pároco de uma comunidade e descobrir, logo à minha chegada, que os adolescentes da Confraternidade da Doutrina Cristã (CDC) não viam diferença entre o Catolicismo e as “grandes religiões mundiais”, a saber, Islã, Budismo e Hinduísmo. Eu sei o que é ser responsável por ainda outra paróquia onde os professores do CDC entendiam como “ecumenismo” não ensinar que a Igreja Católica é a Verdadeira Igreja. Eu sei o que é ministrar um workshop de dois dias a um público de padres, tendo como tema a educação religiosa dos jovens, em uma das universidades católicas de maior prestígio dos Estados Unidos, e ter de ouvir de alguém de dentro da universidade que eu não tinha o direito de insistir que se ensinasse à juventude que a Igreja Católica é a Verdadeira Igreja. 
Fui professor em minha comunidade paroquial desde minha ordenação, ensinando turmas da primeira à décima segunda série ao longo de todo o ano letivo. Assim como o bispo é o primeiro professor da Fé na diocese, a condição de padre faz de mim o primeiro professor da comunidade, e eu gostaria de saber o que está acontecendo em nossas salas de aula. Fui ordenado quando tudo estava em seu devido lugar: escolas católicas eram escolas CATÓLICAS. Crianças e adolescentes conheciam os princípios básicos da fé. 
Doze anos após ser transferido da paróquia na qual primeiro servi, fui enviado novamente a ela na condição de pároco, e descobri que as crianças da escola primária católica agora desconheciam os princípios da Fé. Os alunos católicos da escola secundária local, a maioria dos quais haviam estudado na escola primária da paróquia, não faziam ideia de que na Santa Eucaristia nós recebemos o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo. Eles não sabiam que a Missa reproduz através dos tempos o Sacrifício da Cruz. Eles desconheciam os conceitos de pecado mortal ou venial e a obrigatoriedade da Missa Dominical. E, o que é pior, seus pais ignoravam o fato de que seus filhos sabiam pouco ou quase nada da Fé. Eles haviam delegado a terceiros, integralmente, seu próprio dever primordial de educar e formar seus filhos, e nem sequer se deram ao trabalho de verificar se estes estavam aprendendo os princípios da Fé, pois acreditavam que alguém faria isto em seu lugar. 
Quando eu era um padre recém-ordenado, minha grande paixão, depois de oferecer o Santo Sacrifício da Missa e administrar os Sacramentos como atos de Jesus Cristo prolongados no tempo e no espaço, era a educação e a formação de crianças e adolescentes. Mesmo após todos esses anos no Santo Sacerdócio de Cristo, minhas prioridades continuam as mesmas. Considero meu trabalho de educar e formar crianças como um auxílio à tarefa primordial dos pais e como uma extensão do meu dever de pregar o Evangelho de Jesus Cristo. 
Tendo escrito para a imprensa católica, eu sei o que é receber milhares de cartas de pais católicos de todas as partes dos Estados Unidos. Ocorreu com frequência, ao longo dos últimos 25 anos, estes pais descobrirem tarde demais que nas escolas católicas seus filhos não estavam aprendendo princípios católicos, mas heresias. Eis alguns exemplos: 
“Temos oito filhos. A escola católica primária e secundária roubou da Verdadeira Fé nossos cinco mais velhos, mas o mesmo não acontecerá com os outros três. Estes estão estudando em casa conosco.” Ou: “Padre, em nossa escola local, as crianças estão aprendendo em nome da Igreja Católica coisas que nós sabemos serem contrárias ao Catolicismo. Estaremos pecando se as tirarmos dessa escola?” Minha resposta: “Você está fazendo a pergunta errada. O correto seria perguntar: ‘Qual minha responsabilidade, se não as tirar de lá?’” 
Ouço, com frequência, a seguinte resposta: “Mas a alternativa, na escola pública, é ainda pior. Faltam disciplina, moral, etc… Como devo proceder?”
Posso, agora, responder a essa questão com: leia o livro Homeschooling Católico, da Dra. Mary Kay Clark, e você saberá qual caminho deve tomar, obrigatoriamente.” 
O Concílio Vaticano II não foi responsável pelos abusos tão extremos que vemos hoje em dia. Um Concílio Ecumênico é inspirado pelo Espírito Santo. Há, também, algumas exceções notáveis ao que escrevi acima a respeito do fracasso do ensino da Fé nas escolas católicas. Ainda restam algumas boas escolas católicas, embora não em grande número. Há também padres bem informados, e há os que não tomam notícia do que se passa em seus programas de Confraternidade da Doutrina Cristã ou nas escolas católicas de suas comunidades. Estes, assim como os pais, acostumaram-se a delegar suas responsabilidades a terceiros. 
Alguns padres simplesmente não compreendem a obrigação dos pais de ensinar seus filhos. “Não queremos essa revista na biblioteca de nossa paróquia. Ela defende o homeschooling.” Isto foi o que ouvi de um padre sobre a revista familiar da qual sou editor. “Essas pessoas são esquisitas. Seus filhos estudam em casa. Elas prejudicam o desenvolvimento de seus filhos ao submetê-los ao homeschooling.” 
Afirmações desse tipo – feitas por leigos, religiosos e padres – são contrárias à autêntica Fé Católica. Mesmo alguns padres expõem sua ignorância dos ensinos da Igreja e dos documentos do Concílio Vaticano II, quando não reconhecem a validade e a importância do homeschooling. 
A Declaração sobre a Educação Cristã do Vaticano II deixa bem claro:
Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores (11). Esta função educativa é de tanto peso que, onde não existir, dificilmente poderá ser suprida.*
Quando o presente livro, Homeschooling Católico, me caiu nas mãos, e após ler a “Introdução”, a qual considerei uma análise exata dos problemas que enfrentamos hoje, o capítulo que li em seguida foi “O Papel do Pai no Homeschooling”. Em minha fala no Simpósio Internacional para o 75º Aniversário de Fátima – localidade onde Nossa Senhora apareceu como catequista e Mãe da Evangelização – eu creditei muito da responsabilidade pela crise atual da fé aos pais de nossas famílias. A crise da fé é algo que vem maturando há muitos séculos, desde a Revolta Protestante e as causas que
a ela levaram. Os pais católicos têm negligenciado largamente seu papel, ao mesmo tempo em que as mães têm com igual frequência sucumbido ao Movimento Feminista. 
O capítulo que em seguida chamou minha atenção foi “O Problema da Socialização”. Esta é a primeira objeção que costumo ouvir a respeito do homeschooling. Curioso: por muitos anos, acompanhei durante quatro semanas centenas de jovens de todas as partes dos Estados Unidos e do Canadá até Fátima, e jamais notei qualquer problema social com aqueles que estudavam em casa. Percebi neles, ao contrário, uma maturidade que não via nos demais. 
Mais adiante, meus olhos pousaram sobre o capítulo “Disciplina da Família Católica Homeschooler”. Durante as peregrinações à Europa com os jovens, pude notar que aqueles com melhor autodisciplina, capazes de compreender imediatamente o motivo de estarmos na terra de Maria e o que eu buscava levando-os até lá, eram, frequentemente, os que estudavam em casa. São sempre eles (digo: sempre) os jovens que conhecem sua Fé em profundidade e podem discuti-la com inteligência. São filhos motivados de pais motivados. É com motivação que eles vêm experimentar a Igreja enquanto Una, Santa, Católica e Apostólica. 
Após observar os modernistas, os dissidentes dentro da Igreja e o secularismo crescente que tem invadido nossas paróquias – e obtido considerável sucesso em nossas escolas – Fulton J. Sheen disse: “São os leigos que salvarão a Igreja.” Posso afirmar, com base em meu próprio trabalho como padre e jornalista ao longo dos últimos 25 anos, que o que preservou meu otimismo quanto à prevalência da verdade e ao triunfo do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria foram os milhares de bons pais de todo o país com quem mantive contato; pais seriamente preocupados com dar a seus filhos uma educação e uma formação segundo o verdadeiro Catolicismo.
Ao final de suas peregrinações com a “Juventude por Fátima”, era comum os jovens dizerem: “Agora não estou só. Agora sei que existem muitos outros jovens em todo o país que estão aprendendo com seus pais os mesmos valores católicos que eu mesmo tenho aprendido em casa.” 
Pais, vocês não estão sozinhos ao praticar homeschooling! Eu venho escrevendo há 30 anos sobre educação e formação católica, sobre o dever dos pais enquanto principais educadores de seus filhos e sobre a necessidade de se manter a fidelidade ao Magistério. Cerca de um quarto de século atrás, uma mãe católica instou-me a abandonar meus apostolados a fim de estabelecer programas de homeschooling, o que significaria abandonar também minha função de pároco. Esta mãe e alguns outros pais católicos, desesperados porque não havia boas escolas, públicas ou católicas, vinham utilizando programas de homeschooling tais como os produzidos pelos Batistas. Eles esforçavam-se para adaptar à doutrina católica estes programas essencialmente protestantes. Em minha visão, era uma prática arriscada, na melhor das hipóteses. Agora, porém, temos nosso próprio homeschooling católico. E é compreensível que este tenha sido produzido por leigos.
Estamos ainda na infância do homeschooling em nossos tempos modernos. Mas o homeschooling ele mesmo é tão antigo quanto a Igreja. Houve um tempo em que a Divina Liturgia e o lar eram os principais e únicos professores da Fé. Se nossas escolas católicas, as quais fizeram tão nobre contribuição no passado, falharam em alguma área em especial, foi em comunicar aos pais que eles são os principais educadores e formadores de seus filhos no que diz respeito à Verdadeira Fé, e que é praticamente impossível substituí-los nessa função.
Pe. Robert J. Fox, Apostolado Família de Fátima
Trad. Lorena Miranda Cutlak

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* In: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_gravissimum-educationis_po.html

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Meu conto de Natal favorito

Hoje à noite, por ocasião do Natal, interromperemos a sequência da nossa leitura noturna do momento para lermos aquele que é o meu conto de Natal favorito. Aos que quiserem fazer o mesmo, deixo-o copiado abaixo. Tenho certeza absoluta de que não haverá razões para arrependimento. 🙂

Um feliz Natal a todos! Que o Menino Deus nos inspire para que em 2016 sejamos corajosos como Ele sempre foi, para que lutemos por aquilo que, mais que nosso direito, é nosso divino dever: educar nossos filhos.

O Gigante egoísta, de Oscar Wilde.


Todas as tardes, quando voltavam da escola, as crianças costumavam ir brincar no jardim do Gigante.

Era um belo e vasto recanto, coberto de grama verde e macia. Aqui e ali, por sobre a relva, apontavam lindas flores, semelhando estrelas. Havia doze pessegueiros que, na primavera, se abriam em delicada floração de cor rosa e pérola; no outono, ficavam carregados de deliciosos frutos. Os pássaros, pousados nas árvores, cantavam tão docemente que as crianças costumavam interromper os seus brinquedos para escutá-los.
— Quão felizes somos aqui! — diziam entre si.
Um dia o Gigante regressou. Fora visitar um amigo, o papão da Cornualha, hospedando-se em casa deste durante sete anos. Decorrido esse tempo, dissera tudo quanto tinha a dizer, visto que sua conversa era pouca; e resolveu retornar ao seu próprio castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.
— Que estais fazendo aqui? — gritou-lhes, com voz bastante ríspida.
A criançada deitou a correr.
— Meu jardim é meu jardim. Todos sabem: não permito que ninguém, a não ser eu mesmo, brinque nele — resmungou consigo.
E ergueu uma alta muralha à volta do vergel, afixando a tabuleta de aviso:


OS INVASORES SERÃO PROCESSADOS


Era um Gigante deveras egoísta.
As pobres crianças não tinham, agora, onde brincar. Experimentaram fazê-lo na estrada, mas esta era poeirenta e cheia de pedras ásperas; não gostavam dela. Ao término das aulas, costumavam perambular à volta das altas muralhas, conversando sobre o lindo jardim que havia ali dentro.
— Como éramos felizes ali! — diziam-se.
A primavera chegou, então, e, por todo o campo, surgiram florzinhas e pássaros. Apenas no jardim do Gigante Egoísta era inverno ainda. Nele as aves não queriam cantar, pois não havia crianças, e as árvores não se lembraram de florir. Certa vez, uma linda flor pôs a cabeça para fora da grama; avistando, porém, a tabuleta, sentiu tanta pena dos infantes que se enfiou, novamente, de mansinho, no solo, e adormeceu. Os únicos seres satisfeitos eram a Neve e a Geada.
— A primavera esqueceu-se deste jardim — disseram. — Por conseguinte, ficaremos aqui durante o ano todo.
A primeira cobriu a relva com seu extenso manto branco, e a segunda tingiu as árvores de prata. Em seguida, convidaram o Vento do Norte para vir ter com elas, e este veio. Envolto em casaco de pele, zunia o dia inteiro pelo vergel, derribando as chaminés.
— É um lugar aprazível — falou-lhes o Vento. — Devemos convidar o Granizo para uma visita.
Este último também veio e, todos os dias, durante três horas, tamborilava no telhado do castelo, até que fendeu a maior parte das telhas; e passou, então, a correr à volta do jardim tão rápido quanto era capaz. Vestia-se de cinzento e seu hálito era que nem gelo.
— Não compreendo porque a primavera está demorando tanto para vir — murmurou consigo o Gigante, ao postar-se à janela, olhando lá fora o seu vergel branco e triste. — Espero que o tempo mude.
A primavera, porém, jamais veio, e tampouco o verão. O outono trouxe dourados pomos a todos os jardim, mas ao do Gigante, nem um sequer.
— É egoísta demais — justificou.
De modo que ali era sempre inverno; e o Vento do Norte, o Granizo, a Geada e a Neve dançavam por entre as árvores.
Certa manhã, o Gigante achava-se desperto, na cama, quando ouviu uma linda melodia. A música soou-lhe tão agradavelmente aos ouvidos que pensou fossem músicos reais passando. Na verdade, era apenas um Pintarroxozinho que cantava, fora de sua janela; fazia, porém, tanto tempo desde que ouvira um pássaro cantar, em seu jardim, que lhe pareceu ser a mais linda melodia do mundo. O Granizo parou, então, de saltitar sobre o telhado, e o Vento extinguiu o seu rugido; pela janela aberta, vinha-lhe um delicioso perfume.
— Creio que, por fim, a Primavera chegou — disse consigo, saltando da cama.
E olhou para fora… Mas o que via?!
Um quadro maravilhosíssimo! A criançada entrara furtivamente no jardim, através dum pequeno buraco na muralha, e estava sentada nos galhos das árvores. Em cada uma destas, havia uma criança. E as árvores estavam tão contentes por entreterem, de novo, a petizada, que se tinham coberto de flores e meneavam delicadamente os ramos por sobre as cabecinhas infantis. Os pássaros esvoaçavam dum lugar a outro, chilreando de prazer; as flores erguiam os olhos, por entre a grama verdejante, e riam. Uma linda cena; apenas num canto ainda era inverno, no trecho mais afastado do vergel; nele, havia um rapazinho em pé, tão pequeno que não lograva alcançar os galhos da árvore, e vagueava à volta desta, chorando amargamente. A pobre árvore ainda se encontrava coberta de neve e geada; o Vento Norte soprava, zunindo, sobre ela.
— Sobe, rapazinho! — instava a árvore, abaixando os galhos tanto quanto podia.
Mas o menino era muito pequeno.
O coração do Gigante comoveu-se àquela cena.
— Quão egoísta tenho sido! — disse. Compreendo, agora, porque a primavera não quis vir aqui. Colocarei aquele rapazinho no lato da árvore; depois, com uma pancada, derrubarei a muralha, e meu jardim será, para sempre, um parque infantil.
Lastimava, realmente, o que fizera.
Cuidadoso, desceu ao rés-do-chão, abriu a porta da frente bem devagar, e saiu para o jardim. Mas, avistando-o, as crianças atemorizaram-se de tal forma que todas elas deitaram a correr; e eli tornou a ser inverno, novamente. Só não correu o rapazinho, pois tinha os olhos inundados de lágrimas, a ponto de não notar a aproximação do Gigante. Este chegou, de mansinho, por trás do menino e, erguendo-o nas mãos, com brandura, colocou-o na árvore, que se enflorou no mesmo instante, e os pássaros vieram e cantaram, pousados em seus ramos. O rapazinho, estendendo os braços, lançou-os em torno do pescoço do Gigante, a quem beijou. As demais crianças, ao perceberem que o homenzarrão já não era ruim, voltaram correndo; com elas, voltou também a primavera.
— Este jardim agora é vosso, meninos — disse-lhes o dono do castelo.
E tomando dum enorme machado, pôs abaixo a muralha.
Ao ir à feira das doze horas, o povo deparou com o Gigante a brincar com as crianças no mais lindo vergel jamais visto. Estas brincaram o dia todo e, ao cair da noite, foram despedir-se de seu benfeitor, que lhes perguntou:
— Onde está o vosso companheirozinho, o que pus na árvore?
O Gigante amava-o mais que aos outros, pois que dele recebera um beijo.
— Não sabemos — responderam-lhe. — Ele sumiu-se.
— Deveis dizer-lhe que não deixe de vir amanhã.
As crianças, porém, retrucaram-lhe que desconheciam onde morava o referido rapazinho e que nunca o tinham visto antes. O benfeitor entristeceu-se muitíssimo.
Todas as tardes, ao terminar das aulas, os petizes iam brincar com o Gigante; mas aquele a quem este amava, jamais foi visto outra vez. O Gigante era bastante gentil para com todas as crianças; contudo, sentia saudades de seu primeiro amiguinho e mencionava-o muitas vezes.
— Quanto eu gostaria de vê-lo! — costumava dizer.
Passaram-se os anos. O Gigante ficou bem idoso e alquebrado. Já não lhe era possível brincar por ali, de modo que permanecia sentado numa enorme cadeira de braços, vendo os folguedos infantis e admirando o seu jardim.
— Tenho um mundo de flores lindas — dizia consigo –, mas as crianças são as mais lindas flores de todas.
Numa manhã de inverno, ao vestir-se, olhou para fora da janela. A esse tempo, não mais detestava o inverno, pois sabia que era apenas a primavera adormecida, e que as flores respousavam.
Subitamente, esfregou os olhos, admirado, firmando a vista. Era, sem dúvida, um esplêndido cenário! No canto mais afastado do jardim estava uma árvore toda coberta de lindas flores brancas; seus galhos eram de ouro e deles pendiam pomos prateados; e, debaixo da árvore, o rapazinho que ele tanto amava!
Transbordante de alegria, correu para o rés-do-chão e dali para o jardim. Correu mais depressa ainda por sobre a grama, e aproximou-se do menino. Ao chegar-lhe bem perto, o rosto do Gigante tornou-se rubro de cólera.
— Quem ousou magoar-te? — perguntou-lhe, pois nas palmas das mãos do menino havia sinais de dois pregos cravados, sinais que se repetiam em seus pezinhos.
Insistiu:
— Quem ousou magoar-te? Dize, para que eu possa pegar da minha espada e matá-lo.
— Não! — respondeu-lhe a criança. — São estigmas do Amor.
— Mas, quem és? — tornou a indagar o Gigante.
Foi tomado, então, dum estranho temor, caindo de joelhos diante da criancinha, que lhe disse, sorrindo:
— Deixaste-me brincar uma vez em teu jardim; pois, hoje, irás comigo ao meu, que é o Paraíso.
Ao voltarem, correndo, naquela tarde, as crianças encontraram o Gigante morto, sob a árvore, e todo coberto de flores brancas.
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História – Alexandre, o Grande

Em dias como hoje, em que as crianças estão doentinhas, a única matéria realizada em maiores desgastes é a de história, pois exige apenas atenção e um certo esforço rememorativo a respeito da aula anterior. 

Assim, prosseguimos nos estudos rumo ao capítulo XXV do The story of the world – Ancient times: Alexandre, o Grande. Susan Wise Bauer, autora dessa série de livros de história, sempre acerta o tom ao aproximar os eventos históricos da realidade das crianças. Ao explicar a conquista da Grécia por Alexandre, por exemplo, Susan compara Esparta e Atenas a dois irmãos ocupados demais em brigar um contra o outro e, por conta disso, incapazes de perceber a aproximação de um valentão. Foi assim que Felipe, pai de Alexandre, realizou facilmente a proeza que os persas, apesar das diversas e longas batalhas, não haviam conseguido: ele dominou um povo enfraquecido após anos de guerras e disputas internas. 
A partir daí, ouvir sobre Bucéfalo, sobre as incomparáveis conquistas, sobre o Farol de Alexandria e sobre a morte de Alexandre faz com que as crianças quase renovem as suas energias. 

Longe de ser o dia ideal, vivemos, hoje, o dia possível. Mas foi divertido e interessante mesmo assim.

Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
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Novembro, um mês temático

No dia 22 do presente mês, muitos lugares do mundo, e, em especial, a cidade de Oxford, na Inglaterra, promoverão eventos em memória do jubileu de falecimento de C. S. Lewis. Vencido após uma longa batalha contra problemas renais, Lewis (ou Jack) descansa agora, há cinquenta longos anos, no país de Aslam.
Aqui em casa, como vocês devem ter percebido pelos frequentes posts com trechos da obra, As crônicas de Nárnia tem nos acompanhado todas as noites nos últimos meses. Bem, não exatamente todas as noites, pois a leitura da história depende do bom desempenho de dona Chloe nas tarefas do dia, e… como vocês podem imaginar, nem todos os dias são lá muito inspiradores. Por conta disso, a leitura d’As crônicas vem se estendendo um pouco mais, devendo ser concluída nos próximos dias.
Eu, embora não tenhamos ainda concluído a leitura, já estou com saudades. Já conhecia os filmes, mas nunca tive paciência para os livros d’As crônicas, provavelmente por ser jovem demais para saber apreciá-los. Agora, porém, que já sou mais velha, os contos de fadas me têm caído muito bem. Assim, para marcar a conclusão dessa obra maravilhosa, decidi elaborar um mês de atividades temáticas em homenagem a Lewis e Nárnia. Sim! Estudaremos, matemática, português, inglês, geografia, história, educação artística e culinária inspirados em Jack e em seus “filhos”: Aslam, Pedro, Lúcia, Caspian, Cor, Tirian e muitos outros!

Que Deus me ajude a ser criativa o bastante!

E aos que ainda não conhecem Nárnia, deixo aqui o link para o artigo Lewis e a formação do imaginário, de Paulo Cruz, onde o autor apresenta e explica um pouco dos benefícios d’As crônicas para adultos e crianças.