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Por onde começar (2)

Depois de termos esclarecido para nós mesmas quem queremos nos tornar e como queremos ser lembradas por nossos filhos, convém, antes de sairmos à caça de material didático, examinarmos o tipo de educação que pretendemos oferecer a eles. Queremos uma educação que prepare para o mercado de trabalho? Ou mais voltada para o mundo artístico? Uma educação que prepare para o vestibular e para a universidade?… No fundo, a questão pelo tipo de educação abarca uma questão bem mais profunda: qual é a finalidade da vida dos nossos filhos?

Todos queremos que nossos filhos sejam felizes. E muitos acreditam que essa seja a finalidade da vida humana. Mas queremos também que, além de serem felizes, tenham comida sobre a mesa. Além disso, é provavel que a maioria de nós quererá que tal felicidade e provisão sejam obtidos honestamente. Percebem como uma série de opções é descartada numa simples listagem desse tipo? É, eu sei. Parece piada, mas há quem pense que toda a busca por felicidade e sucesso financeiro seja justificada em si mesma, pouco importando o modo tal busca é executada.
Eu e meu marido cremos, particularmente, que a finalidade da vida de nossos filhos é conhecer a Deus, amá-Lo e alegrar-se Nele. E também cremos que isso não necessariamente tem a ver com uma vida religiosa em sentido estrito, uma vida de pastor, de missionário, etc. (ainda que, se for o caso, poderão seguir por tais caminhos com todo o nosso apoio), mas com uma vida onde a realização da vocação que eles receberam de Deus é o alvo. Nisso eles O conhecerão ainda mais profundamente, O amarão e se alegrarão Nele, pois realizarão aquilo para o que foram por Ele criados. E a decorrência disso será alegria (mesmo quando surgirem dificuldades) e pão na mesa (mesmo que, talvez, não em quantidades superabundantes). Assim, nosso trabalho tem sido buscar por uma educação que possibilite a descoberta de tais vocações e a capacitação para o exercício das mesmas, sejam elas quais forem.
Para a nossa imensa satisfação, chegou-nos, na quarta-feira, graças a um amoroso e generoso casal de amigos que moram nos EUA, um livro que há muito desejávamos: trata-se de um modelo de homeschool cristão chamado Teaching the Trivium – Christian Homeschooling in a Classical Style.

Para quem não sabe o que é o Trivium, aqui vai um “resumo resumido”: o Trivium era a primeira etapa da educação formal medieval. Ou seja, antes de as escolas virarem fábricas, a educação era feita nos moldes do Trivium. Mas o mais legal, na minha opinião, é que ao focar-se sobre as três artes do pensamento (a gramática, a lógica e a retórica), ele aprimora imensamente a própria capacidade cognoscitiva do aluno. Ou seja, além de transmitir conteúdos, o Trivium como que amplia e organiza a própria inteligência do indivíduo, melhor capacitando-o a lidar com suas próprias faculdades mentais bem como com qualquer área na qual ele queira especializar-se depois.

Aos que quiserem ouvir uma apresentação de verdade sobre o Trivium, aqui vai o melhor link sobre o assunto: uma palestra do falecido Prof. José Monir Nasser. Foi graças a essa palestra que tomei conhecimento do Trivium (sobre o qual jamais ouvira uma palavra sequer em 10 anos de filosofia na PUC) e que comecei a pensar no homeschooling de fato. Quem parar para assisti-la não perderá nem mesmo um minuto, mas investirá muitos em sua própria educação.

O diferencial do Teaching the Trivium é que o casal de autores utiliza-se do método para oferecer uma educação efetivamente cristã (primeiramente aos 5 filhos e depois a milhares de desejosos alunos por todo os EUA durante muitos anos), onde o foco é a formação do caráter de Cristo em pessoas que tornem-se, ao mesmo tempo, altamente preparadas para o mundo contemporâneo.

Ou seja, apesar de somente agora termos o livro de fato nas mãos, e, portanto, termos um caminho definido a percorrer, há tempos elucidamos o tipo de educação que queríamos para os nossos filhos. Mas isso, como disse inicialmente, só foi possível quando compreendemos qual é a finalidade de suas vidas.

Que vocês, mamães e papais, antes de saírem ansiosos atrás de materiais didáticos, possam parar e fazer essa mesma reflexão, pois assim conseguirão pensar a educação de suas crianças não simplesmente como um meio através do qual coisas serão obtidas, ou como um tipo de adestramento, mas pensarão a educação como uma parte constitutiva da vida de seus filhos, como um pedaço de suas almas, como um legado eterno.

Conforme as leituras no Teaching forem evoluindo, compartilharei com vocês as minhas impressões.

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José arrebenta

Recentemente descobri, no perfil já nem lembro de quem, a breve reportagem de Zero Hora sobre a história de José. O título da matéria é “Debaixo da ponte, um aluno nota dez”. O vídeo dura menos de 4 minutos e eu recomendo a todos que o assistam, mamães e crianças.

Como vimos, José é um menino paupérrimo que mora literalmente debaixo da ponte com sua família na cidade de Esteio, município bem próximo a Porto Alegre. Até aí, podemos dizer como o sábio, “não há nada de novo debaixo do sol”. Há dezenas, centenas, talvez milhares de Josés por aí. No entanto, José arrebenta. E o faz pelos motivos que nos mostra a reportagem: José arrebenta ao virar cada página de livro com a seriedade e devoção de quem lida com relíquias sagradas; José arrebenta ao manter uma frequência exemplar à escola; José arrebenta ao passar o máximo de tempo possível na biblioteca; José arrebenta sendo o melhor aluno de sua turma, ano após ano.

E é quando olho para José e encontro, em meio à sua rotina pobre e crua, tanta força e constância, que me convenço ainda mais e de novo de que o discurso comunista, esteja ele travestido da forma que estiver, é pura retórica, pura e intencional manipulação emocional para levar tantos quanto possíveis ao engano e à escravidão de terem reduzidas suas faculdades mentais a clichês da ideologia mais oportunista, alienante e assassina da história humana.

E eu chego a tal conclusão ao comparar alguns dos clássicos sentimentos e comportamentos comunistas com os de José:
José não é revoltado. José é disciplinado;
José não se vitimiza, não sente pena de si, dependendo da ação de um pretenso agressor para reagir. José é responsável e escreve diligentemente sua própria história, dia após dia, como uma formiguinha teimosa;
José não culpa alguém por sua condição, nem ao governo, nem à economia, nem ao capitalismo, talvez nem a própria mãe e o próprio pai. José livremente decide dar o melhor de si na construção de sua vida;
José não espera que alguém resolva o seu problema. José estuda para resolver os seus problemas;
José não quer combater as desigualdades sociais. José quer combater a própria pobreza na qual encontra-se mergulhado;
José não quer tornar-se um líder revolucionário para quem os fins de uma causa imaginária justificam os meios. José quer tornar-se médico, jogando de acordo com as regras do jogo, isto é, estudando, estudando e estudando;
José não se ressente com a escassez de recursos. José faz o melhor que pode com o pouco que tem;
José não inveja e odeia a propriedade alheia. José quer também adquirir honestamente o seu quinhão.
José não se rende, tragado pelo buraco-negro de uma circunstância desoladora. José se dobra e se levanta, como fazem aqueles bonitos e altos coqueiros durante as tempestades e os furacões.
Mais recentemente ainda, fez-se uma nova reportagem com José, desta vez mostrando a repercussão da matéria original. O vídeo exibe quantas pessoas se sensilizaram e estenderam as mãos em favor do menino, de sua família e até da escola. Um dos momentos mais bonitos foi ver a mãe de José comemorando a oferta de um curso de inglês para o filho e de uma carroça para si, para que possa trabalhar. Isso sem contar o momento em que José responde à pergunta acerca do motivo para a escolha da medicina: “Para poder ajudar os outros”, responde ele simplesmente.

Também esta segunda matéria nos mostra uma importante diferença entre os comportamentos comunistas e os das pessoas mobilizadas em prol de José:

Quem realmente se importou com o menino, puxou as mangas da camisa e foi até lá ofertando o que podia. Ninguém ficou propondo ou organizando passeatas, invasões, manifestações com barbados de saia ou mulheres com os seios de fora, empurrando para cima do Papai Estado ou da mamãe Sociedade a iniciativa e resolução da situação do “oprimido” ou “discriminado” José, como se nada de concreto pudessem fazer para amenizar a vida difícil do menino. Não estou dizendo, com isso, que manifestações públicas são todas erradas. Errado é esperar que os outros, ou um Outro abstrato e impessoal, resolvam problemas que cada um de nós pode ajudar a resolver. E esta é uma diferença fundamental que precisa ser notada, anotada e refletida.

Eu agradeço a Deus pela vida de José, pois ele nos traz de volta para a realidade e larga sobre o nosso colo a responsabilidade por nossas vidas. Não que sejamos onipotentes ou que o contexto no qual estejamos inseridos não exerça influência sobre nós, mas maior será a influência e a dependência quanto mais fracos e omissos nos tornarmos. Agradeço a Deus pela vida de todos os Josés que conheci e com alguns dos quais ainda tenho a honra de conviver. São homens e mulheres que partiram de situações muito semelhantes à do menino da reportagem, mas que hoje são advogados, padres, pastores, mestres, doutores e PHDs. Lutaram e prevaleceram. Sem bolsa família. Sem sistema de ciclos na escola. Sem SuperNanny. Sem que o governo ou a economia os favorecesse. Sem maiores heranças além do exemplo do trabalho honesto e diário de seus pais.

É de gente como o José da reportagem e dos Josés que eu conheço que o Brasil precisa. E não de terroristas, malandros e facilitadores de todo o tipo que agem justificados pela retórica das “melhores boas intenções”.

Que saibamos usar os recursos de que dispomos com sabedoria para fazermos o nosso melhor, sempre, por nossos filhos, netos e por nosso país.
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Dica de livrinhos para crianças pequenas

As dicas de livrinhos deste post são de autoria da professora Luciane Hagemeyer. Luciana é minha amiga no facebook e recentemente deu uma palestra em Curitiba para o grupo (virtual e presencial) do qual participamos, o Compartilhar Conhecimento.

A palestra “Clube de leitura: Uma proposta aplicável à escola e à educação domiciliar”, ao que tudo indica, foi um sucesso e em breve estará disponível no youtube.

Eis aqui os dois livrinhos recomendados pela Luciane e uma pequena apresentação que ela fez de ambos:
Em frente à minha casa, de Marianne Dubuc:

Neste livro, partindo da casa, vão surgindo brinquedos, personagens,
objetos animados e inanimados do mundo da criança, sempre situados uns
em relação aos outros – dentro, fora, ao lado, à frente, atrás.

Aperte Aqui, de Tullet Hervé:

Tudo começa com uma bola amarela no centro de uma página branca e um
convite: “aperte a bola e vire a página…” Como num passe de mágica,
surgem duas bolas na página seguinte. A partir daí, novos convites e
novas surpresas se descortinam a cada página. Hervé Tullet criou um
universo visual simples e convidativo, em que bolas coloridas se
multiplicam, mudam de lugar, se iluminam, se apagam, mudam de tamanho…
Para que isso aconteça, a criança precisa interagir com o livro,
esfregando, soprando, apertando ou batendo palmas.
 Obrigada, Luciane, por compartilhar um pouquinho dos seus conhecimentos conosco!
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Deus é bom em todo o tempo

Queridas,

Que semana puxada! Que semana puxada!

Na quarta-feira, último dia em que atualizei o blog, fiquei totalmente sem voz, com uma dor de garganta daquelas. Na quinta, como normalmente acontece comigo, a dor de garganta virou gripe e a gripe virou sinusite. Para melhorar, Nathaniel resolveu dar um showzinho, descendo mais que o habitual e forçando os meus ossos da bacia e das pernas. Não sei se o comportamento dele foi uma resposta às crises de tosse, só sei que fui proibida, pelo zeloso maridão, de fazer qualquer coisa além do básico do básico, afinal, nosso bebê tem apenas sete meses e não pode nascer agora. Por último, esta foi a segunda semana do Gustavo em um novo trabalho, no qual ele fica até um pouco mais tarde, e eu, com um pouco mais de saudade e um pouco mais sozinha.

Os minutos foram passando e eu, com a cabeça pesada, nem conseguia escrever. A agonia foi crescendo ao ver os talheres limpos acabando, as canecas e copos sujos, a máquina de lavar roupas enchendo e enchendo, o chão de toda a casa implorando por um aspirador e por aí vai. Não, não se engane: estou quilômetros atrás daquelas mães que a casa está sempre um brinco, ainda não me tornei uma Martha Stewart em matéria de eficiência, mas ver o acúmulo de coisas foi me deixando rabugenta e impaciente, especialmente com as crianças.


De repente, porém, na sexta-feira, Deus socorreu-me em meio à minha insensatez, ocorrendo-me, então, o seguinte: para quê a agonia, o mau-humor, a impaciência? No que elas me ajudariam? Respirei fundo (modo de falar, já que ninguém que está congestionado consegue respirar fundo =/ ) e descansei. Pensei comigo mesma: quer saber?, ninguém vai morrer por causa da bagunça, mas talvez alguém nasça antes do tempo se eu não me acalmar, então, vou tratar de fazer o que é seguro (e autorizado =) ) e aproveitar para descansar.


A Chloe, querida, mais uma vez ajudou-me no que pode, aumentando até mesmo a dose de paciência com o Benjamin. Fiz um almocinho simples, mas caprichado, acompanhado de suco natural e com direito a nega-maluca de sobremesa. Dormi por duas horas durante a tarde, sem que as crianças brigassem, sem que a fralda do Benjamin vazasse, sem ninguém vir reclamar de fome e pedir ajudar para pegar/fazer alguma coisa. Acordei mais bem disposta e mais em paz. No sábado, já bem mais disposta, apesar de ainda doente, consegui organizar/limpar algumas coisas, o que reforçou meu bom ânimo e deu outro aspecto para a casa. À tardinha minha cunhada veio para passar o final de semana conosco, o que é de grande ajuda, pois ela e as crianças se amam muito e passam horas brincando. 

Olhei para trás e vi como Deus cuidou de tudo desde sempre, como desde o início Ele esteve me amparando, como mesmo nos meus momentos de intolerância comigo mesma e de falta de paciência com as crianças Ele me ajudou. Repassei os fatos e vi que desde quarta-feira, quando comecei a sentir-me debilitada, não estive sozinha, mas contei com a ajuda de uma irmã da igreja, a Elke, que se ofereceu para levar os pequenos para brincar à tarde (sem o que eu não teria descansado nem conseguido terminar o post sobre “Maquiaval pedagogo”), com as orações de muitas outras pessoas (algumas que nem sequer me conhecem pessoalmente), com a paciência e o carinho de meu marido, com a paciência e o carinho das crianças.


Mais uma vez experimentei a veracidade e o conforto da Palavra de Nosso Senhor ao lembrar que, realmente, “basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34) e que Nosso Jesus “é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hebreus 13:8). Assim, a graça que hoje Ele tem para todas nós é perfeitamente suficiente para nos suprir e nos guiar, bastando que Nele confiemos e a Ele nos submetamos.

Que vocês possam, queridas, provar desta mesma verdade, conforto e alívio na nova semana que hoje se inicia.

Um abraço e até o próximo post!

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Sobre “Maquiavel Pedagogo” (2)

Os terceiro e quarto capítulos, intitulados respectivamente “A Unesco, a educação e o controle psicológico” e “A redefinição do papel da escola e o ensino multidimensional”, fizeram-me compreender de um modo mais profundo o versículo que afirma que “o mundo jaz no maligno”. Neles, retrocedendo ainda mais do que eu havia visto nos dois capítulos iniciais do livro, o autor nos mostra como já na década de 40(!) haviam subsídios teóricos disponíveis àqueles que buscam o controle e a transformação das mentalidades, valores e atitudes dos indivíduos.
Em “A Unesco, a educação e o controle psicológico” encontra-se exposta, ao que me parece, a raíz do discurso politicamente correto. Lá, citando diretamente o documento La modification des attitudes, Pascal Bernardin mostra como, sob o pretexto do fim da discriminação e do preconceito de todos os tipos, tornam-se autorizadas as técnicas psicológicas de modificação das atitudes. Aparentemente voltada para as atitudes grupais (de grupos de alunos, de religiosos, étnicos, etc), as técnicas, no entanto, podem ser aplicadas em qualquer contexto e sob quaisquer finalidades. Tanto é assim que, citando novamente o próprio documento, vê-se que as modificações têm pretensões internacionais. Ou seja, não está em questão este ou aquele grupo específico, e pouco importa onde as pessoas vivem ou no que elas acreditam, se parecer discriminatório ou preconceituoso em alguma medida, de alguma maneira, importa, sim, transformá-las à força, sem que elas sequer percebam o que está em jogo. Lembra alguma coisa?
Como instrumento para realização de tais modificações são citadas as tão amadas… dinâmicas de grupo e dramatizações! Sim, tudo isso que parece tão bacana e está tão na moda hoje em dia, não somente nas escolas, mas nas empresas, clubes e até mesmo entre grupos cristãos, assenta-se sobre a realização da técnica da dissonância cognitiva, conforme a expliquei no post anterior. O segredo aqui (e a diferença fundamental com relação ao teatro) está nos seguintes elementos: na improvisação, na ausência de censuras ou críticas, na total aceitação do que vier. Quando uma tal atmosfera é criada, mesmo que a pessoa discorde em alguma medida do que está ocorrendo, acabará cedendo e participando, utilizando depois, como meio de racionalização do comportamento anteriormente reprovável, a aparente liberdade e espontaneidade com que fez parte da dinâmica ou da dramatização. Em outras palavras, “eu quis participar”, “eu quis fazer parte do grupo”, “não vi mal algum”, etc. Vocês lembram do caso das meninas que vestiram burcas num “teatrinho” de uma escola dos EUA, depois de aprenderem que os terroristas são “guerreiros da liberdade”? Obviamente a escola-palco é constituída por uma ampla maioria de fiéis cristãos.
Agora, vejam vocês como a “bonita” e “justa” luta da Unesco contra todas as formas de discriminação e preconceito (seja lá o que eles entendam por isso), além de pretender realizar-se sem o conhecimento e o consentimento dos indivíduos, não deixa a questão em aberto para que as pessoas decidam o que é melhor para si, mas tem um projeto bem definido daquilo que, segundo eles, é o melhor para todos, ainda que todos porventura se recusassem (caso soubessem do que está em jogo):

a) do nacionalismo ao internacionalismo, no plano político;

b) do tradicionalismo ao materialismo, no plano da filosofia social geral;
c) do senso comum à ciência, como fontes de provas aceitáveis;
d) do castigo à recuperação, na teoria dos regimes penitenciários;
e) da violência e da ação direta à legalidade, como meios políticos;
f) da severidade à tolerância, em matéria de educação infantil;
g) do sistema patriarcal à igualdade democrática, em matéria de relações conjugais;
h) da passividade ao ímpeto criador, no que diz respeito aos divertimentos e ao lazer.
Sejamos sinceros: quem aí não teria exemplos de como essa passagem forçada (pois já a estamos vivendo) tem dado MUITO errado? Para nos limitarmos ao conteúdo do blog, digam-me: vocês conhecem quantas famílias ditas tolerantes que acabaram comendo o pão que o diabo amassou ao permitir que seus filhos fizessem tudo o que quisessem, em lugar de limitá-los e corrigi-los? Um caso que ilustra isso muitíssimo bem são os últimos eventos ocorridos na Suécia, um país no qual os pais não podem dar uma palmada sequer em seus filhos.
Quanto ao quarto capítulo, esqueçam de vez essa história de transmissão de conhecimentos, ainda que tal expressão seja utilizada. O ensino pretendido pela Unesco é fundamentalmente “multidimensional”, isto é,
“ético, cultural, social, comportamental, e até mesmo político e espiritual”.
Ou seja, a escola, e não mais a família, torna-se o centro da vida da criança, seu lugar de formação. Assim sendo, nada mais natural que, em lugar de aprender de fato uma língua estrangeira, por exemplo, as crianças tenham aula sobre “sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis” (que é o nome bonito para literatura pornodidática e/ou para um pênis de borracha revestido com camisinha passando de mão em mão), ou, quem sabe, uma aula sobre ritos africanos, sobre funk como manifestação cultural tipicamente brasileira, etc.
Claro, para que tudo isso aconteça, o papel do professor também precisa ser redefinido, passando da postura daquele que sabe e transmite algum conhecimento, para a adoção da postura de um mero “facilitador”, na qual ele se torna apenas mais um que está aprendendo com os outros e compartilhando entre o grupo. Ou seja, ao mesmo tempo em que enfraquece o motivo mesmo pelo qual sua profissão existe, lesando o desenvolvimento cognitivo real das crianças, o professor fortalece e dissemina sua influência sobre os alunos, invadindo, muitas vezes, até mesmo o âmbito doméstico, exercendo influência junto aos pais e responsáveis, anulando, assim, qualquer resistência que ainda possa haver. O professor torna-se uma espécie de amigo mais velho onipresente, dotado de uma autoridade tanto maior quanto mais dissimulada.

O sistema educacional assim configurado, em lugar de preparar os alunos para o ingresso e participação num universo cognitivo construído ao longo dos séculos pelos mais diferentes e ilustres membros da humanidade, isola-os, alija-os historicamente, lança alguns poucos conteúdos de maneira descontínua e maçante, matando assim qualquer interesse e aspiração que pudesse existir na direção de um conhecimento efetivamente superior, reduzindo tais questões a prazer ou dinheiro: “isso é divertido?” ou “quanto ganho fazendo isso?”.
Vejam os últimos trechos que selecionei, com os quais encerro o post (e vejam também se não lhes soa muitíssimo parecido com o discurso de um “renomado” pedagogo brasileiro):
“[…] o essencial é a comunidade de base que define livremente e localmente suas normas e seus regulamentos. O essencial aqui não são mais as disciplinas universitárias e sua tradução para os diferentes níveis de ensino, mas o próprio aprendiz e as condições de uma aprendizado hic et nunc a partir de sua experiência própria. […] 
De um ponto de vista estritamente pedagógico, levar em conta as preocupações locais e a realidade dos aprendizes significa privilegiar o estudo do meio e desenvolver projetos interdisciplinares. As disciplinas universitárias perdem assim sua situação dominante e tornam-se auxiliares instrumentais de uma abordagem interdisciplinar, ou antes transdisciplinar, da realidade estudada.

Mas, ao mesmo tempo, os critérios de avaliação se obscurecem na medida em que esse tipo de estudo temático privilegia o trabalho de equipe e objetivos afetivos dificilmente avaliáveis. […] A seleção tende a desaparecer em proveito de uma ensino bastante individualizado […] em grupos de idades heterogêneas […], o essencial sendo aqui a formação social e a ausência de segregação. Além disso, as normas se acham necessariamente relativizadas, a fim de considerar a natureza da população escolar acolhida em sua totalidade.”
Até o próximo post.
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Matemática

Minha história com a matemática nunca foi feliz. Ensinar a disciplina para a Chloe é, portanto, antes do mais, um esforço de superação, uma nova tentativa diante de um velho fracasso. E como tem sido bom! Claro, estamos vendo conteúdos da segunda série, mas nenhum vestígio emocional do meu passado com a disciplina tem chegado à Chloe. Pelo contrário! Ela a-do-ra matemática! Acho, então, que estou indo pelo caminho certo, não? 😉
Há vários posts atrás incluí dois vídeos da Profa. Margarita Noyes sobre matemática para bebês e crianças pequenas. As dicas ali presentes me serviram de norte para começar as atividades. No entanto, em pouco tempo, Chloe adquiriu, graças à escola, o chamado “cacoete de continhas”, isto é, o achar que matemática é só a aplicação de regras, sem necessidade de pensamento, de reflexão. Por outro lado, eu, na minha limitação, tentei diversificar ao máximo os exercícios, mas mesmo assim não foi o suficiente para remediar a situação.

Foi então que descobri o IXL. O site é todo em inglês, separado por séries e riquíssimo em exercícios. Ah, infelizmente há também um limite de questões gratuitas disponíveis por dia (se não me engano, cerca de 20), de modo que a partir daí é preciso fazer uma assinatura de uns U$ 9,00 mensais. No entanto, mesmo para quem não assina (como eu), o site não fica bloqueado. A resolução das atividades não acontece, mas ao colocar o cursor do mouse sobre os títulos das atividades, você consegue visualizar o exercício e, então, aquilo que você precisa (mais ideias) está disponível.

Tenho usado os exercícios como um modo de mostrar de diferentes maneiras as mesmas coisas: fundamentalmente adição e subtração com unidades, dezenas e centenas. Claro, incluo também em nossas atividades exercícios com os nomes dos números por extenso, para que ela saiba dizer e escrever corretamente os numerais em português.

Enfim, se posso sugerir algo às mamães a partir da minha experiência, deixo aqui o conselho: evite concentrar-se sobre as continhas, mas esforce-se por elaborar/aplicar exercícios que, primeiro, façam as crianças visualizar as quantidades e o processo que está em jogo (soma ou diminuição), pois é a partir daí que as crianção poderão resolver os problemas matemáticos, os quais exigem uma interpretação do texto para compreensão das operações implícitas. Sem isso, prosseguindo só com as continhas, a criança pode até tornar-se bastante hábil na execução da tarefa, mas terá muita dificuldade em lidar com a matemática na realidade, com as questões que nos chegam no dia a dia e que exigem de nós reflexão, sem uma regra explícita a ser aplicada.


Matemática só é instrumento de autonomia quando torna-se um processo executado internamente pela criança, quando ela procura compreender o que lhe é solicitado e qual o caminho que deverá ser seguido para a obtenção do resultado. Do contrário é decoreba, o que nem sempre é o bastante para lidar com as coisas da vida.

Deixo aqui as fotos dos exercícios de ontem, com todos os rabiscos adicionais para explicação das diferentes formas de resolução das questões.


P.S.: E se há algum professor(a) de matemática ou mamãe mais à vontade com a disciplina, por favor, fique à vontade para criticar, sugerir e comentar!

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Susanna, uma mulher exemplar

Não sei quanto a vocês, queridas leitoras, mas quando encontro uma mulher exemplar, realmente admirável, sinto-me como que “puxada para cima”, desafiada e motivada a tornar-me melhor. E foi isso o que aconteceu sábado à noite, quando nosso pastor indicou-me um trecho da obra Rios de água viva, de Richard Foster, que fala sobre a vida de Susanna Wesley, a mãe dos irmãos Wesley, criadores do Metodismo.

Dêem uma olhada. As coisas pelas quais essa esposa e mãe cristã passou me fizeram corar de vergonha diante dos meus “problemas”. 

Mas chega de papo, vejam os trechinhos que separei:
“Susanna representa os milhões de pessoas que aprenderam a fazer coisas comuns com a consciência do imenso valor delas. Mais tarde em sua vida, Susanna orava: ‘Ajuda-me, Senhor a lembrar que a religião não deve ser restrita à igreja, nem aos aposentos individuais, nem exercida somente em oração e meditação, mas que em qualquer lugar eu estou em tua presença. Sendo assim, que cada palavra e ação minhas tenham conteúdo moral […]. Que todas as felicidades de minha vida venham a me ser úteis e benéficas. Que todas as coisas me sejam instrutivas e me possibilitem exercitar alguma virtude, aprender diariamente e crescer à tua semelhança […] Amém.’ 

Susanna foi antes de tudo mãe. Para ela, a maternidade era um chamado, uma vocatio, que ela assumiu com uma seriedade difícil de ser compreendida hoje. O fato de ter tido dezenove filhos num período de vinte anos, por si só, é difícil de conceber para nós hoje. Na verdade, nove desses filhos não sobreviveram à infância, mas os dez que restaram receberam um cuidado amoroso especial mesmo para aquela época, além da educação escolar. E que educação receberam! Susanna tem sido universalmente elogiada por ter criado uma espécia de ambiente de ‘escola doméstica’ para dar fomação aos filhos todos.

Esse compromisso com a educação dos filhos não era um empreendimento insignificante. Em essência, ela fundou um pequeno internato privado. Todos os filhos, sete meninas e três meninos, já sabiam o alfabeto aos 5 anos e começaram imediatamente a leitura do primeiro capítulo de Gênesis. A partir daí, o plano de ensino doméstico incluía Gramática, História, Matemática, Geografia e Teologia. Samuel, o pai, ajudava de vez em quando com lições sobre os escritores clássicos.

As aulas iam das nove da manhã até o meio-dia e das duas da tarde até as cinco. Apesar dos altos e baixos dessa vida agitada, Susanna menteve esse horário de seis horas por dia ao longo de vinte anos. Todos os dias ela cuidava para que os filhos fizessem as lições, ao mesmo tempo em que cuidava do bebê mais novo, das contas da casa, escrevia cartas e costurava. Além disso, ela sentava-se uma vez por semana com cada filho, indivualmente.

Um aspecto dessa sua personalidade era a excepcional paciência. Certo dia, ao observar a esposa lecionando, Samuel notou que ela repetira vinte vezes uma única parte de uma informação. ‘Admiro sua paciência’, comentou; ‘você disse a mesma coisa vinte vezes para nosso filho.’ Susanna, olhando para cima, sorriu e disse: ‘Se eu tivesse me contentado em mencionar somente dezenove vezes, teria perdido todo o meu trabalho. Foi a vigésima vez que o coroou’.”

Como bem relata o autor, nem tudo foram flores na vida de Susanna: sua filha mais bela e inteligente foi enganada por um conquistador barato e acabou grávida após uma única noite juntos; seu marido, inflexível, jamais reconciliou-se com a filha; um de seus bebês morreu quando a babá adormeceu sobre ele, asfixiando a criança; sua casa pegou fogo duas vezes e, numa delas, quase perdeu um de seus filhos; seu marido não era um bom administrador das finanças da família, de modo que passaram quase toda a vida endividados. No entanto, e aqui vê-se realmente a fibra de que Susanna era feita, nenhuma dessas tristezas e dificuldades da vida fez Susanna afastar-se de Deus, rebelar-se ou negligenciar com suas obrigações.
Vejam mais alguns trechinhos:
“O segredo de sua resistência era uma capaz de enxergar tudo à luz do controle soberano de Deus para o bem; uma esperança que lhe permitia suportar as circunstâncias mais difíceis; e um amor capaz de vencer o mal com o bem.
Veja como Susanna procurava transformar a tragédia em oportunidade para o crescimento espiritual: ‘Ajuda-me, ó Deus, a fazer uso legítimo de todas as decepções e calamidades desta vida de maneira tal que elas aproximem ainda mais o meu coração de ti. Faze que elas afastem de mim o apego às coisas deste mundo e inspirem em minh’alma mais vigor na busca da verdadeira felicidade’. Perceba o realismo cru de Susanna: ‘Já que tenho de encontrar tantas dificuldades, tanta oposição, tantas frustrações e tantas provações diárias de fé e paciência em minha passagem por este mundo, que minha maior sabedoria seja desviar, o máximo possível e da forma mais legítima, minha inclinação para os prazeres transitórios e temporais e dirigi-la para os prazeres mais racionais e mais espirituais que desfrutaremos quando entrarmos no estado de imortalidade’. Observe a sabedoria (adquirida, sem dúvida, com muitos anos de dificuldades) nestas palavras: ‘A melhor preparação que eu conheço para o sofrimento é o cumprimento regular e diligente dos deveres presentes’.”
E então, preparadas para começar uma semana “no drama, mama”? o/
Força, queridas! Nosso Senhor vai adiante de nós! Que O sigamos de perto, não importando a circunstância!
Um beijo!
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Links edificantes (2)

Conforme prometido no post de domigo passado, a primeira publicação de um apanhado de links edificantes, aqui vai uma nova série de links. Quem sabe, se eu prosseguir encontrando sites, blogs e perfis úteis, consigo compartilhar com vocês todos os domingos? =)

Practical Homeschooling –
The Happy Housewife –

Many Little Blessings –
Fertilidade Inteligente –
Vida Organizada – 
Os dois últimos podem parecer, num primeiro momento, fugir ao assunto, mas vocês verão que não. O primeiro, Fertilidade Inteligente, é um blog fundamental para quem quer saber mais ou conhecer um método realmente natural de planejamento famíliar, sem hormônios, injeções, esterilizações ou camisinhas. O segundo, Vida Organizada, é um site famosinho, atualizado diariamente, com dicas, métodos e experiências pessoais da autora no assunto organização, envolvendo as mais diferentes áreas da vida (ah, a Thais é mãe também, ou seja, há dicas nesta área também o/).
Fiquem com Deus!
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Mozart e Bizet

Olá, mamães!

Ontem à tarde recebemos nossa mais recente aquisição: os dois primeiros livrinhos da série sobre música clássica para crianças (uma publicação da Folha de São Paulo).

Descobri a série graças a uma publicação do blog Domestica Ecclesia, feita por ocasião do aniversário de Tchaikovsky.

Nós, aqui em casa, temos o hábito de ouvir música erudita, mas nunca havíamos pensado em fazê-lo de uma maneira organizada, investigando sobre os períodos musicais, seus respectivos autores e ensinando-os às crianças. Pensando nisso, antes de adquirir os primeiros livrinhos, consultei minha amiga Adna, editora do perfil Feminina no facebook, e que é formada em música, para ver se ela já conhecia o material e se poderia dar-me alguma dica complementar. 


Ontem, ao conferir o conteúdo, comprovei o que minha amiga havia dito: as publicações são beeem introdutórias, focando-se apenas sobre detalhes biográficos dos autores, sem explorar os períodos, estilos, etc. Os cds que acompanham cada um uma obra são bons, mas curtinhos. Cerca de meia hora cada um. Há alguns joguinhos nas páginas finais de cada livrinho, o que deixou a Chloe bastante empolgada.
De todo modo, é um material bonito, produzido com qualidade, e que pode servir como um estímulo inicial, especialmente para crianças menores (entre 4, 5 anos). Mas, se suas crianças são maiores, também poderá ser útil, caso eles não tenham muito contato com música clássica (entre 6 e 7 anos). Enfim, uma introdução bonitinha.
Eu, como tenho crianças de 7 anos, 2 anos e uma prestes a nascer, investirei na série. =)

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Ensinando o caminho estreito nos relacionamentos

Ontem à tarde, brincando na praça, Chloe e um amigo excluíram uma terceira criança das brincadeiras, pois “ele não quer brincar como a gente quer”. No caso, o menino tinha que ser o prisioneiro e recusava-se a isso. Para piorar, o menino não tinha outras crianças para brincar e era visivelmente mais novo que a Chloe. Ele estava em total desvantagem, mas, apesar de triste, não cedeu.  
Chamei minha filha e perguntei-lhe se era assim que ela gostaria de ser tratada, se ela gostaria de ser excluída por não querer ser a prisioneira. Seu semblante descaiu e ela entendeu o que havia feito. Mas, como o sol já estava partindo do local onde estávamos, guardamos nossas coisas, nos despedimos do menino e sua mãe e fomos embora.

Lá no Evangelho de Mateus, Jesus disse o seguinte:

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

Mateus 7:12

“Portanto, tudo o vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mateus 7:12)

Em seguida Jesus adverte que o caminho que conduz à perdição é largo, espaçoso e fácil de ser encontrado, enquanto que o caminho da salvação é estreito, apertado e difícil de ser encontrado.


Em situações como a que vivi ontem à tarde é comum ouvirmos de outros pais e também dizermos que é melhor “deixar que eles se entendam”, ou, quando muito, repreendê-los dizendo que é errado, que não se deve brincar assim, que ambos os lados precisam entrar em acordo. No entanto, parece-me que, em todos estes casos, o mais importante é deixado de lado: o critério segundo o qual compreendemos que tal comportamento é reprovável e que precisamos intervir.


Chloe precisava, mais uma vez, exercitar sua capacidade empática. Precisava identificar-se com o menino. Precisava imaginar-se em seu lugar e lembrar que é ruim ser forçado e/ou excluído. Ela compreendeu imediatamente, pois vive isso na escola com frequência, e talvez justamente por isso tenha agido assim com o menino.


Não é preciso citar passagens bíblicas ou trechos de Immanuel Kant para a criança perceber que este não é o jeito correto de resolver as coisas e de tratar outra criança. É só ajudá-la a imaginar-se no lugar do outro. Então torna-se bem mais fácil fazê-la evitar tal comportamento e passar a buscar modos mais amigáveis de brincar e se relacionar, fazendo aos demais aquilo que gostaria que fizessem a ela.

Há quem diga que elas, as crianças, precisam se virar, precisam aprender a se defender, a lidar com as disputas, etc. Eu também acho. Mesmo. Só não acho que virar-se, defender-se e conseguir vencer disputas sejam coisas a ser aprendidas com base em princípios errados, a todo o custo, sob o pretexto de que “são só crianças”. A infância é uma preparação para a adultez, e a criança egoísta, rude, inflexível, indiferente, ou o que for, não tornar-se-á alguém diferente a menos que alguma intervenção aconteça. É preciso, sim, que desde pequena o caminho correto lhe seja ensinado, não teoricamente, mas na prática, nas pequenas coisas do seu mundo, pois este é o caminho da consciência em paz, da obediência a Deus, da alegria e da salvação de suas almas. Sim, é estreito! e por isso mesmo precisamos acostumá-las a ele!

Que Deus nos mantenha atentas aos caminhos dos nossos pequenos e nos encha de zelo e de sabedoria para guiar-lhes segundo a vontade de Deus, em amor!