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Sobre “Maquiavel Pedagogo” (1)

Minha intenção aqui não é redigir uma resenha sobre um livro que eu ainda nem sequer li por completo, mas apenas compartilhar algumas impressões a respeito dos dois primeiros capítulos com outras mães, as quais, assim como eu, interessam-se pelo livro e/ou pelo assunto.

Confesso que logo que terminei de ler a introdução, minha reação foi a de tentar arranjar qualquer desculpa para adiar a leitura completa do livro. Tentei justificar-me lembrando que havia interrompido a leitura do Trivium, que eu estava sempre interrompendo leituras, que o único tempo que tenho para leitura é uma mísera meia hora antes de entrar em coma, digo, de cair no sono, e blá, blá, blá. Quando, porém, percebi que minha justificativa estava assentada sobre os sentimentos de nojo e aversão, compreendi que qualquer desculpa que eu inventasse não tornaria a minha atitude melhor que a de um avestruz, que enfia a cabeça na areia e deixa o traseiro à mostra. Em outras palavras, o fato de eu não querer saber de algo tão pernicioso não faria com que esse algo desaparecesse ou com que ele não viesse a alcançar e prejudicar os meus filhos. Parei, então, de mimimi, e fui ao livro, embora o momento “mulherzinha” não tenha durado mais que umas poucas horas. o/

Como disse, já a introdução é um choque de realidade, pois além de ir direto ao ponto, cita documentos do Parlamento Europeu, da Conferência dos ministros da educação dos estados-membros europeus e até mesmo Lênin. Ou seja, não se trata de uma obra sobre coisas hipotéticas ou falsas nem de “teoria da conspiração”, como gostam de dizer alguns ilustres desinformados, trata-se, sim, da explicitação de uma realidade que, se ainda não é mundial, falta pouco para sê-lo, pois essa é a meta. Enfim, a situação é terrível, comprovadamente terrível, documentadamente terrível. Eis aqui um trechinho:

“Essa revolução pedagógica visa a impor uma ‘ética voltada para a criação de uma nova sociedade’ [citou-se aqui, literalmente, um trecho de um relatório do Parlamento europeu de 1992] e a estabelecer uma sociedade intercultural. A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada representação da utopia comunista. (…) A partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e dos comportamentos, bem como de uma manipulação da cultura, pretende-se levar a cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social.”

Fica claro, portanto, que a execução da revolução comunista deixou há muito de ser uma mera questão de propaganda, de retórica, ou de armas, tortura e violência. Embora todos estes componentes permaneçam mais ou menos presentes em diferentes contextos, por meio da educação, a qual abandona suas pretensões cognitivas e assume pretensões puramente sociais, aliada aos mais recentes “avanços” em pesquisa psicológica, a revolução pretende brotar do próprio interior dos indivíduos, quando estes forem devidamente expostos e submetidos às técnicas de “melhoria” comportamental. 

O capítulo primeiro lista e descreve as mencionadas técnicas de manipulação psicológica. Mais uma vez há uma ampla gama de citações e referências que fundamentam o que diz o autor. São diversas técnicas (Submissão à autoridade, Conformismo, Normas de grupo, Pé na porta, Porta na cara, etc.), todas de uma assustadora simplicidade, mas a que mais me impressionou é a chamada “Dissonância cognitiva” ou “Espiritualismo dialético”. A ideia aqui é inverter a ordem usual do funcionamento psicológico, onde as convicções comumente determinam as ações, fazendo com que uma determinada ação (“sugerida”) de direta oposição às convicções (sejam elas mais ou menos explícitas) seja praticada. O resultado de tal ação é uma tensão psíquica extremamente desconfortável. A pessoa entra em guerra contra si mesma, pois fez algo que normalmente não faria, algo que contraria aquilo em que acredita. Para resolver a tensão, a esmagadora maioria dos submetidos à técnica racionaliza a ação, isto é, encontra algum modo de justificá-la, muitas vezes até passando a ver “o lado positivo”, “a vantagem” daquilo que anteriormente recusavam. Daí em diante para fazer o edifício das convicções e os valores de uma pessoa vir abaixo é questão de tempo.
 
E para quem porventura possa achar que isso não acontece, que é coisa de ficção científica, lembro aquele recente episódio vivido por um adolescente norte-americano: o rapaz, bem como seus colegas, precisava escrever numa folha o nome Jesus, colocar a folha no chão e pisá-la, relatando, depois, o que sentiam ao fazer aquilo. Preciso dizer mais? 

O capítulo segundo mostra como tais técnicas psicológicas ganham um verniz pedagógico, educacional e passam para as salas de aula. Para não dar chance aos incrédulos e ingênuos, vários documentos e livros são citados. Vale lembrar aqui o que eu apontei ao início e que é reforçado ao longo do capítulo: a educação em questão abdicou de suas pretenções cognitivas, de transmissão de conhecimentos acumulados ao longo das gerações, e assume pretensões de “formação” ou “sociais”. Alguém aí lembra dos mantras “formação para a cidadania”, “educação para a liberdade” e assemelhados, ou das atividades multi-inter-trans-disciplinares que tratam de tudo e não tratam de nada? Então…

Para finalizar, uma observação minha: nenhuma documentação citada na obra é de produção recente. Claro, o próprio livro não é de agora. Mas o fato sobre o qual quero chamar a atenção é que as referidas pesquisas psicológicas datam dos anos 70 para cá, enquanto que os documentos pseudo-educacionais redigidos sobre a fundamentação dos experimentos datam da década de 80 para cá, na grande maioria. Ou seja, é muito provável que a maioria dos atuais professores, das mais recentes gerações (graduados a partir da década de 90 e beneficiados pela era da disseminação das novas tecnologias da informação) tenham recebido um processo de formação deste tipo. Assim, em pouco tempo, novas gerações, cada uma mais ignorante que as precedentes, será formada, alheia a tudo o que havia de diferente em tempos idos, ainda que sejam tempos não muito distantes de si.

Resumindo: atualmente, pouco importa se a criança está em uma escola pública ou privada, se o professor é bem ou mal intencionado, esquerdista confesso ou “em cima do muro”, pois se o mestre recebeu uma formação deste tipo, alicerçada sobre tais práticas e fomentada internacionalmente, e se não buscou nada de diferente, muito provavelmente ele aplicará as técnicas descritas por Pascal Bernardin em Maquiavel Pedagogo, com todo o amparo e incentivo do Estado, para própria desgraça, das famílias e da sociedade.
Aos interessados, deixo a sugestão: adquiram o livro e compreendam de verdade o que está acontecendo na educação. Se você não sabe o que está em curso, como saberá como resistir, impedir ou desviar-se?
Eu, de minha parte, continuarei a leitura da obra e os posts a respeito aqui no blog.
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Agradecimento

Na noite de ontem, para a minha surpresa, o marcador de visitas virou os 2.000 acessos. A maioria vinda do Brasil, mas outras vindas do EUA, da Rússia, da Ucrânia (!) e até da França. E, bem, não faz nem um mễs que estamos por aqui, e não contamos com nenhuma divulgação profissional, mas, excetuando a publicação inesperada no Mídia Sem Máscara, apenas com os nossos próprios perfis no facebook e com o compartilhamento dos amigos. =)

Alegra-me muito tudo isso. 😉 Não somente pelas visitas, mas especialmente pelos contatos estabelecidos com mamães de todo o Brasil, com as quais posso trocar experiências, aprender e também ser encorajada. Assim, obrigada a vocês! Duas mil visitas não é um “mundaréu” de gente (expressão típica gaúcha =D ), mas é muito mais do que eu esperava. O que mostra que há mais gente preocupada com os rumos que as coisas têm tomado em nosso país (e que repercutem diretamente sobre as nossas famílias) do que eu poderia supor. o/

Encorajada por isso e pela fé Naquele que pode fazer o impossível, peço a Deus para que em um futuro breve consigamos ver nas nossas ruas uma manifestação pela proteção da família e das crianças semelhante àquela que foi vista nas ruas de Paris ontem à tarde.

Se você não soube da manifestação (afinal, a mídia não está interessada em mostrar a resistência que há contra as modernices politicamente corretas, e quando mostra é distorcendo os fatos, chamando todos de fascistas, extremistas de direita, etc.), seguem algumas fotos. Conta-se mais de 1 milhão e meio de participantes. Gente das mais diferentes regiões da França, dos mais diferentes partidos, religiões e até opções sexuais (sim, existem homossexuais que são radicalmente contra a adoção de crianças por casais que não seja heteros).

Enfim, muito obrigada mais uma vez!
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Por onde começar (1)

A pergunta mais repetida por nós, mamães, quando começamos a cogitar o homeschooling ou a educação complementar doméstica certamente é “mas por onde começar?”.
Não poucos ouviram de mim esta pergunta e até mesmo vocês, em outro post, viram que a questão do currículo ainda é um problema para mim, ainda é fonte de pesquisa, ainda é uma questão aberta. Mas, refletindo a respeito, resolvi dar um passo para trás. E é sobre ele que desejo falar a vocês.

Como já mencionei, há uma infinidade de modelos de educação domiciliar disponíveis nos EUA e aguardando por serem descobertos. E é também interessante notar o consenso informal que há entre as famílias praticantes de homeschooling sobre o fato de que não há consenso quanto à opção adotada por cada família. =) Ou seja, todos os homeschoolers têm a liberdade de escolher qual é o método mais adequado e quais são os conteúdos mais relevantes dentro da sua própria realidade familiar/comunitária/regional. Claro, tudo isso sem deixar de lado um eixo comum mínimo, básico.

Por outro lado, tenho percebido um consenso efetivo entre as mães cristãs: aquilo que marcará definitivamente os nossos filhos não são as explicações aritméticas, os exercícios de português/inglês, as pesquisas em ciências, embora tudo isso seja importante; o que os marcará é o modo como os tratamos no tempo em que estamos juntos e isso depende fundamentalmente de quem nós temos sido e de quem nós ainda queremos tornar-nos.
Quando não paramos para pensar em quem temos sido e em quem gostaríamos ainda de nos tornar (aqui, especificamente enquanto mães e donas-de-casa), tendemos a cair num ativismo vazio, convertendo-nos em máquinas de check-lists, em repetidoras cansadas e frustradas de ações nas quais nós mesmas não vemos muito sentido, que dirá nossas crianças. 
Não se trata de negar a realidade pintando um quadro fantasioso de facilidade e bem-aventurança na rotina. A vida de uma esposa/mamãe/professora/dona-de-casa cansa? Sim(!), e como cansa. É uma vida de repetições diárias? Sim, é. Às vezes explodimos e acabamos perdendo a paciência e o foco? Sim, às vezes. PORÉM, quando sabemos quem somos, com nossos defeitos e virtudes, e, quando sabemos especialmente quem desejamos ainda vir a ser, conseguimos integrar as partes do quebra-cabeça e ver um norte, um rumo, um caminho e um caminhar alegres. Conseguimos discernir aquilo que precisa mudar, aquilo que repetíamos inconscientemente, pois foi o modo como aprendemos com nossas mães e que não precisa seguir sendo assim, vemos o quanto Deus tem sido amoroso e paciente conosco, e, justamente por isso, temos também mais amor e mais paciência para dar.

Queridas mamães, comecem por aí, mesmo que, assim com eu, já tenham começado a por a “mão na massa” de fato. Tirem um tempo ainda hoje para pensar sobre isso. Reflitam sobre a imagem que vocês querem imprimir nas memórias e no coração dos seus filhinhos, uma imagem que alegre o nosso Deus. Não tenham medo, às vezes precisamos mudar muitas coisas, mas, com a graça de Jesus, em humildade e obediência a Ele, conseguimos dar um passo de cada vez. Sonhem, orem, trabalhem! E quando caírem, levantem-se rapidamente, humildemente, e Ele as fortalecerá! 


E lembrem-se: não se trata apenas de vocês, mas de quem os seus filhos se tornarão graças àquilo que vocês são, e, novamente, de quem se tornarão os seus netos graças àquilo que vocês fizeram de seus filhos.

Que Deus nos ajude a nos tornarmos uma grande bênção para nossas famílias! Bênçãos que repercutam por gerações e gerações!

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Links edificantes (1)

Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros.

Salmos 119:24
 “Também os teus testemunhos são o meu prazer
e os meus conselheiros.”
Salmo 119: 24

Uma das coisas que mais me alegra e inspira é o conhecer outras histórias, especialmente histórias de outras famílias cristãs que têm vivido ou buscado viver o homeschooling. São histórias francas, sem as fantasias e artificialismos das super-produções. Histórias de simplicidade, ou melhor, de gente simples, gente que se supera, que cansa, que persevera, que erra, que corrige e que se alegra no trabalho de crescer e de fazer crescer uns aos outros.

Pensando nisso é que resolvi fazer este post com links para os sites e respectivos perfis no Facebook das mamães que, em alguma medida, ao compartilhar sua caminhada, tornam a minha própria mais leve, bem como ajudam a iluminar o caminho.

A maioria dos links é de mães norte-americanas. Mas não se intimidem caso não sejam fluentes em inglês, como eu mesma não sou. Bora puxar um dicionário, abrir o Google Translator e aproveitar. =) Vale MUITO a pena!

Ah, e não se preocupem. Novos links virão! Estes não serão os únicos!

Um abençoado final de semana para você e sua família!


The Busy Mom – 
Site: http://www.thebusymom.com
Facebook: https://www.facebook.com/busyhomeschoolmom
Joyful Mothering –
Facebook: https://www.facebook.com/JoyfulMothering 

Finding Joy – (Sim, inspirada nesta família é que escolhi o nome do meu blog e perfil: Encontrando Alegria)
Facebook: https://www.facebook.com/findingjoyblog

Wholehearted Child –
Facebook: https://www.facebook.com/pages/Wholehearted-Child/375293399147959?fref=ts
Amar Sem Fim –
Facebook: https://www.facebook.com/VeleiroAmarSemFim
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A difícil conciliação

Todos os dias em que a Chloe vai à escola preciso fazer um vigoroso trabalho de conciliação no início da tarde, em casa: ela não quer fazer os temas e normalmente conta-me uma porção de pequenos episósios que relatam dificuldades, desentendimentos, displicência e por aí vai…

Como relatei algumas vezes em meu perfil no facebook, aquilo que está sendo ensinado este ano em sala de aula é uma grande reprise da primeira série. Hoje, por exemplo, as tarefas de casa eram exercícios de português para preencher as linhas com as sílabas ba, be, bi, bo, bu, da, de di, do, du e fa, fe, fi, fo, fu. A formação das sílabas foi um conteúdo que estudamos em casa no segundo semestre do ano passado. Desde então Chloe domina essa etapa e também a seguinte, de junção das sílabas e formação das palavras. Ou seja, é cansativo e entediante para ela a repetição desnecessária daquilo que ela já sabe, como imagino que seja para qualquer pessoa normal que goste de crescer e ser desafiada.

Minha estratégia, então, tem sido condicionar os nossos estudos complementares à realização dos temas da escola. Assim, para que possamos estudar poesias, fazer continhas de centenas ou, agora, também exercícios de inglês (que são os assuntos que mais a empolgam no momento), primeiro precisamos fazer os temas da escola. É claro que ela reluta e reclama de ter que fazê-los, e eu, de minha parte, não discordo dela, não desmereço o que ela sente ou desconsidero o que ela sabe, mas explico que, apesar de ser chato, de ela já saber aquilo tudo, ela precisa fazer, e fazer bonito, caprichado, pois é aluna naquela escola, não só em casa, e precisa fazer a parte dela, e fazê-la bem-feito.
É difícil e perigoso ensinar resignação para uma criança justamente quando a impedem de avançar nos estudos, e, além disso, sem deixar que no seu coração brote o ressentimento, mas, por outro lado, Chloe tem colhido pequenas recompensas pelo seu excelente desempenho: ela não precisa se angustiar com as faltas em dias de chuva ou de muito frio, pois já sabe o conteúdo, e as próprias professoras sabem que ela sabe e não a perturbam pelas ausências; ela se alegra por ter um caderno repleto de adesivos e elogios da “profe”; ela já teve autorização da professora para ajudar uma outra colega que estava com dificuldades para fazer os exercícios solicitados e até ganhou um cartão de agradecimento da menina; ela percebe a diferença existente entre ela e a maioria dos coleguinhas, e valoriza muito o que temos em casa, pedindo-me exercícios até para os finais de semana, divertindo-se ao fazê-los e, inclusive, inventando-os(!) quando eu eventualmente não tenho tempo ou não faço atividades na matéria com a qual ela quer se ocupar.
Não sei por quanto tempo ainda conseguirei realizar “com sucesso” (melhor seria sem maiores danos) essa conciliação. Minha prioridade é a minha família, não os ritos governamentais, especialmente quando estes não dão conta sequer do mínimo. 
Que Deus ajude a todos nós, a minha e a sua família, queridos leitores que passam pela mesma triste situação.
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Uma palavra de encorajamento

Bom dia, mamães!

Se algumas de vocês, assim como eu, se descobrem vez por outra lastimando por não possuir todos os recursos que desejariam para melhor cuidar e ensinar os filhotes, aqui vai uma palavra de encorajamento, uma palavra que tem consolado o meu coração e espero que console o de vocês também:

“Eis o princípio da sabedoria: adquire a sabedoria. Adquire a inteligência em troca de tudo o que possuis. Tem-na em grande estima, ela te exaltará, glorificar-te-á quando a abraçares”. 

(Provérbios 4: 7,8)


Queridas, de que adianta a abundância de recursos e a falta de sabedoria para usufruí-los? Não é melhor uma meia dúzia de bons livros bem aproveitados do que dezenas deles incompreendidos? Não é melhor uma hora de estudo focado do que três horas de lazer inútil?

Peçam sabedoria a Deus para aproveitar aquilo que Ele lhes têm dado, especialmente o tempo! Vocês verão como tudo parecerá multiplicar-se e como não são as últimas tecnologias que garantem os melhores resultados, mas o empenho humilde e constante, guiado pelo nosso Deus!

Força, mamães! Fiquem com Deus!
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O melhor trabalho do mundo

Quando me propus, com o aval de meu marido, a iniciar as atividades de educação domiciliar complementares à escola, em pouquíssimo tempo descobri-me, como diz o ditado, “em um mato sem cachorro”.
Diferentemente dos norte-americanos, que são referência mundial no assunto, possuindo dezenas, ou até centenas, de modelos, metodologias e propostas curriculares, nós, aqui no Brasil, precisamos reinventar a roda, pois não há uma proposta curricular detalhada voltada ao ensino nos lares.

E agravando um pouco a minha situação particular, não possuo formação pedagógica (embora hoje em dia eu suspeite da maioria das formações “superiores” na área das humanas), de modo que a sensação de insegurança vai e volta quando preciso explicar, por exemplo, subtração de centena ou a diferença entre os acentos circunflexo e agudo, pois nunca tenho certeza se estou adotando o método mais adequado.
No entanto, apesar das dificuldades, não desisti da missão, mas prossegui lendo (especialmente blogs e sites de mães cristãs norte-americanas praticamentes do ensino doméstico), pesquisando, falando com pessoas que estão mais familiarizadas com o assunto do que eu e, com o tempo, fui percebendo que, mais que uma questão meramente curricular, de conteúdos, o homeschooling é também e principalmente uma mais abrangente compreensão do próprio conceito de educação.
Ao trazer para dentro de casa e ter sob os meus cuidados a alfabetização, a caligrafia, as noções gerais de matemática, os cálculos, fui percebendo que não apenas o que eu ensinava era (e é) importante, mas também como eu ensinava e quando. Ou seja, no ambiente doméstico, onde não se tem um espaço físico exclusivo para a realização das atividades, onde os relacionamentos não têm um limite de horário e de contexto, quando se tem outra criança, de outra faixa etária, ao redor, e quando muitas outras demandas paralelas precisam ser administradas e sanadas, o conceito de educação adquiriu uma outra proporção, conectando-se a muitas outras esferas e atividades que eu antes julgava alheias à questão. Estabeleceu-se uma tal integração das diferentes partes e momentos da vida como eu, até hoje, jamais havia experimentado.
Percebi que a matemática não é ensinada apenas nos exercícios, mas também no relógio, no microondas, no super-mercado, na hora de fazer e servir a comida. Percebi que o português perpassa toda a nossa vida, e chama especial atenção sobre si quando estamos distraídos e de papo-furado. Compreendi que paciência, persistência e dedicação não são coisas para se fazer somente quando o lápis e o papel estiverem à mão, mas também na hora de arrumar a cama, de escovar os dentes, de secar a louça, de pentear o cabelo. Compreendi que reclamações gratuitas são como goteiras e por isso não podem, de forma alguma, ser aceitas, em ninguém. Entendi que disciplina não é um “programa bônus” que Deus colocou na alma de alguns sortudos, mas é um exercício que, antes de mais ninguém, eu preciso exercer comigo mesma, para servir de exemplo e de estímulo às crianças. Soube, então, que virtudes como obediência, fé, coerência, gratidão, humildade, cortesia e coragem realmente só fazem sentido quando personificados em gente de carne e osso, e que é melhor ainda quando essa “gente” é o pai e a mãe da gente. =)

Enfim, apesar de ainda não ofertar às minhas crianças uma educação exclusivamente domiciliar, de ainda não ter encontrado e/ou elaborado uma grade curricular completa que seja boa de verdade, sei, agora, que o homeschooling é mais que uma mera transferência de ambientes e de tutores: é um modo de viver a vida em família onde a busca pelo constante aprimoramento é o alvo. Nós, como família, não temos somente o desejo, mas buscamos, de fato, apesar dos empecilhos e erros, o crescimento intelectual, moral e espiritual de todos os nossos membros e estamos nisso empenhados 24 horas por dia, para a glória de Deus. 
Desconheço trabalho mais abrangente e mais exigente que este, mas, a mim, parece-me não haver outro mais estimulante e recompensador.
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The coat – O casaco

Queridas mamães,

Ontem à noite, ouvindo música no youtube, descobri, sem querer, essa doçura de animação. E como ela tem tudo a ver com a época do ano que estamos vivendo aqui no sul, resolvi compartilhá-la. 



Muitas vezes fui beneficiada por esse tipo de gesto de amor ao longo da vida – e mesmo hoje às vezes isso acontece -, e meus filhos também. Nós, de nossa parte, também procuramos abençoar aqueles que tem menos que nós com aquelas coisas que já não nos servem mais.
 
Assim, fica aqui o meu incentivo às mamães: ensinem às crianças a gratidão, quando ganham algo de que precisam, e a generosidade, quando podem auxiliar quem não tem com aquilo que lhes sobra. Saber ser grato e saber ser generoso são duas virtudes fundamentais àqueles que querem agradar a Deus.

Assistam. É lindo. Quase morri chorando, pra variar. 😉
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Português

O ensino e o aprendizado do português é um caminho longo, repleto de sons, formas, regras, repetições, exercícios… Eu e Chloe já percorremos um booom trecho do percurso, considerando-se a idade e a série em que ela está, mas hoje quero mostrar a vocês a atividade mais recente.
Conforme havia citado neste outro post, descobrimos os poemas infantis do Bilac recentemente, mas, desde então, venho intercalando exercícios de sílabas tônicas, separação silábica e acentuação com exercícios a partir dos poemas. Assim, a atividade de hoje foi elaborada desde o poema “As Flores“.

Para aprimorar e fixar a questão da acentuação, intimamente relacionada à habilidade de ouvir os sons das sílabas e discernir sua força, comecei propondo a acentuação das palavras sublinhadas. Depois, partimos para uma leitura mais atenta, onde as palavras desconhecidas deveriam ser circuladas. Então, com a minha ajuda, passamos à pesquisa no dicionário, para ampliação da compreensão, do vocabulário e do desenvolvimento da familiaridade com a pesquisa “mão na massa”: abrindo o livro e indo atrás. =) Chloe anotou, com as suas palavras, o que entendeu da explicação do dicionário e da minha. Relemos o poema, para ver se conseguimos entendê-lo melhor. Finalmente procuramos as rimas e a sua sequência dos versos, para percebermos mais da estrutura e do ritmo do poema (como ele deve ser lido ou declamado). Por último: o desenho das flores favoritas e seus respectivos nomes. Também pesquisamos, na internet, imagens de flores que nascem no pântano, como o lótus, pois Bilac cita tais flores no poema e Chloe não achava que isso era possível, afinal “flores não nascem num lugar fedido”. =D

Vejam as fotos:

Além das novas coisas aprendidas e do tempo que passamos juntas só nós duas (o Benjamin estava fazendo o soninho da tarde) o melhor da atividade de hoje foi a seguinte declaração da Chloe, dita ao pesquisar no dicionário: Mamãe, eu poderia passar o dia inteiro fazendo isso.

Sabe, em momentos assim é que eu me convenço que os recursos, mesmo importantes, não são essenciais. Essencial é mostrar para criança que aquilo que ela está aprendendo faz sentido; amplia, de algum modo, os seus horizontes; está conectado ao seu mundo.

Mais um dia de atividade vencida, de coração leve, de filha satisfeita com o que foi aprendido. o/

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Novelas

Ontem à tarde, enquanto aguardava minha médica, fiquei na sala de espera ouvindo, inevitavelmente, a novela da tarde da Rede Globo.

Esforcei-me de todas as maneiras para não prestar atenção ao episódio, mas era o mesmo que tentar não respirar na presença de um defunto: impossível. Por mais que tentasse ler – Gustavo tinha consigo “O livro das virtudes” – , buscar água, conversar, aquele volume altíssimo e aquelas falas toscas acabavam vencendo, aquela podridão invadia minhas narinas.

À exceção de mim e de meu marido, todas as demais pessoas estavam vidradas assistindo àquela trama surreal. Olhares crédulos, de censura, de identificação, um mundo de emoções mais ou menos disfarçadas presente em cada rosto na diminuta sala… E eu não conseguindo evitar o pensamento de que realmente, faz TODO O SENTIDO DO MUNDO que o Brasil esteja como está.

Lembrei-me, então, de um vídeo do Padre Paulo Ricardo a respeito das novelas. Sei que a maioria das minhas leitoras deve ser proveninente da fé evangélica, assim como eu mesma, e sei também, portanto, o quanto de preconceito existe contra a igreja católica, em alguns casos mais justificado, em outros, menos. De todo modo, deixo aqui o meu apelo às leitoras evangélicas: por favor, assistam ao breve e importante vídeo, seguindo o conselho paulino de examinar a tudo e reter o que é bom. 

Padre Paulo não faz uma análise superficial da questão da influência das novelas no comportamento dos telespectadores, muito menos limita-se a mostrar a incompatibilidade daquilo que ali é apresentado com o que a fé cristã em geral professa, mas expõe, a partir de pesquisa documentada, o quanto tal “entretenimento” pretende e efetivamente tem conseguido destruir as famílias brasileiras e, em consequência, toda a sociedade.

Se achar oportuno, passe o link adiante. Vamos lutar pela libertação de muitas cristãs que sofrem de uma verdadeira dependência do lixo moral que são as novelas. Vamos lutar pela melhoria efetiva do ambiente que temos em casa. Vamos buscar novas e superiores formas de entretenimento, que não apenas nos divirtam, mas nos edifiquem, nos aproximem de Deus e nos tornem esposas, mães e filhas melhores.