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Plataforma para professores

O homeschooling e o Escola sem Partido, além de uma porção de outras
pequenas iniciativas, têm crescido em todos os cantos do país e renovado
as esperanças de muitos.
Pensando em contribuir um pouco mais,
eu e Gustavo estamos criando uma plataforma para divulgação de
professores, uma espécie de anúncios classificados. Queremos reunir o
maior número possível de contatos de professores (tanto nas modalidades
presencial quanto à distância) para facilitar a vida não só das famílias
homeschoolers que necessitam de suporte, mas também de todos aqueles
que precisam de professores particulares, seja na matéria ou assunto que
for.

Assim, se você é
professor ou conhece algum professor que gostaria de divulgar o seu
trabalho e conseguir novos alunos, envie a ele o link deste post ou compartilhe-o.


Para fazer parte da plataforma basta enviar um email para encontreseuprofessor@gmail.com nos seguintes moldes:


Assunto: Inclusão na plataforma
Conteúdo do email
Nome:
Área/assunto:
Modalidade: Aulas presenciais (ou à distância, via skype ou hangout, por exemplo)
Site:
Telefone ou whatsapp:
Email para contato:


Bora ajudar? 😉
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O bolo de aniversário e a insegurança

Ter introduzido aulas de arte (tanto de história quanto de observação de quadros e mesmo a prática do desenho) foi uma das melhores coisas que fiz, em termos educacionais, por mim e pelas crianças, nos últimos tempos.
 
Cada uma das modalidades utilizadas traz à tona coisas interessantes sobre as obras, mas também e curiosamente sobre nós mesmos.
 
Hoje, enquanto observávamos “Le gâteau d’anniversaire”, de Victor Gabriel Gilbert, Chloe confessou seus sentimentos de desconforto e de insegurança diante da pintura. Para ela, o fato de o menino estar segurando o bolo é um risco iminente; o correto seria que ele estivesse de mãos dadas com a irmã enquanto a mãe, que é adulta, levasse o bolo. Quando eu teria pensado nesse tipo de crítica? Quando eu suspeitaria desses sentimentos todos diante da simples visão do quadro? Para o Bibi, por outro lado, tudo ali está certo.



Os outros quadros que vimos nas aulas anteriores, seguindo o livro “What do you see“, de Laurie Bluedorn, foram Little Red Riding Hood and Grandmother, de Harriet Backer, e The Dog Cart, de Henriëtte Ronner-Knip. Até o momento, a chapéuzinho é a favorita por unanimidade. 🙂


O livro mencionado continua gratuito para kindle no site da Amazon.

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Aula de desenho e a percepção da realidade

O “Curso de desenho“, de Charles Bargue, há tempos acumulava pó na estante. Não por falta de vontade ou interesse, mas pela falta de criatividade em transpôr uma pequena dificuldade inicial. Aliado a isso, por tratar-se de um assunto (ou uma habilidade) que não é (ou não é considerada) essencial, fui deixando o tempo passar. Para quem não conhece, o “Curso de desenho” é um tradicional guia para quem quer aprender desenho clássico, um material muito bem conceituado, que serviu à instrução de pintores como Van Gogh e Picasso.


Logo de saída, Bargue propõe como exercício ao aluno o observar e o desenhar de uma figura em gesso. Pronto. The end. Que figura em gesso um ser humano como eu há de ter em casa?! Mas tanto as crianças pediram e tanto eu mesma queria aprender que resolvi incomodar um amigo arquiteto a respeito da proposta do livro. Explicou-me ele que a figura em gesso poderia ser tranquilamente substituída por um objeto branco qualquer, desde que opaco, pois um dos objetivos desta primeira etapa é treinar o olho para a luz e para a sombra — obrigada, Pedro! Certo, fim da enrolação. Agora eu só precisava encontrar um objeto branco e opaco. E encontrei… o dove. É, o sabonete dove, mesmo. Não, eu não tenho mais nada branco e fosco em casa.


Aproveitando a cesta do Nathan e a Mena no colo do papai, lá fomos nós, eu, Chloe e Bibi, na maior empolgação do mundo, desenhar um sabonete. Limpei a mesa, arrumei a luz, peguei os materiais. Tudo ok. Mas… que dificuldade! Céus, como é difícil desenhar! Chloe e Bibi se divertiram um monte e nós ríamos a cada vez que o Benjamin espichava o braço para pegar a borracha e a confundia com o sabonete, mas eu fiquei lá, um tempão, tentando colocar no papel aquilo tudo que eu estava vendo como se fosse a primeira vez na vida. Descobri que há diferentes tons de sombra, diferentes intensidades de escuridão, assim como há diferentes intesidades de luz, embora as variações na luz sejam mais facilmente perceptíveis. Enfim, levei o negócio a sério, pois, na verdade, sempre quis aprender a desenhar, desde criança, mas nunca tive a chance e, com o passar do tempo, deixei a idéia de lado.


A dificuldade de “manuseio”, de familiaridade com o material não foi o que mais me impressionou no meu desempenho, mas, antes, a dificuldade em conseguir colocar no papel aquilo que eu estava vendo. Melhor dizendo, primeiro percebi a minha dificuldade em perceber, minha completa falta de treino visual, e, depois, a dificuldade em materializar em traços aquilo que via. Foi também inevitável pensar em uma dificuldade semelhante, mas que ocorre em uma outra área, isto é, no quanto nos custa conseguir entender o que acontece ao nosso redor e o ser capaz de expressá-lo verbalmente. Quantas vezes, ao começar escrever um texto, as palavras simplesmente seguem numa direção diferente e conferem uma aparência canhestra àquilo que se viu, pensou e compreendeu? Neste sentido, saber desenhar assemelha-se a saber escrever, pois rabiscar qualquer coisa está ao alcance de qualquer um, mas exprimir com toda a veracidade, riqueza e sutileza as experiências que se vive é algo que só se obtém por meio de um treino incansável, permanente. Um treino que todos nós deveríamos ter.

Deixo aqui os resultados desse nosso primeiro e gratificante esforço.

O modelo.
Concentração.
Muita concentração.
Dove do Bibi.
Dove da Chloe.
Meu dove.
O sapeca acordou antes do fim da aula. 🙂

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Um novo assunto: História da Arte!

Acho que as duas disciplinas escolares que mais amo são História e Arte. Como esse meu interesse deve ter algum componente genético (ou não 🙂 ), tanto a Chloe quanto o Bibi também nasceram gostando dos dois assuntos. Apesar disso, o que não tinha me ocorrido até o momento era tentar uni-las e trabalhá-las conjuntamente, partindo da perspectiva da arte e expandindo para diferentes aspectos do período histórico abordado.

Assim, há dias vinha pesquisando e reunindo materiais: sites, livros, vídeos… Comecei pelo que já conhecia, o Timetables of history (que já indiquei aqui no blog tempos atrás) e o apaixonante Heilbrunn Timeline of Art History (o site do Metropolitam Museum of Art, de Nova York). Mas a dificuldade sobre como apresentar os conteúdos de uma forma interessante — e não infantilóide — continuava. Cheguei, então, graças a um desabafo no facebook, aos excelentes livros History of Art, de Élie Faure, e História da Arte de Ernst Gombrich. Bons para mim, de fato… mas ainda não para eles.

Dias depois, recebi por mensagem o link para boa parte das aulas da cadeira de  História da Arte da UNESP. Um achado, sem dúvida, todavia, como eu não queria simplesmente delegar as aulas a um terceiro mas ministrá-las, deixei as aulas da graduação como um complemento, como uma carta na manga em caso de necessidade. E segui na procura.

Por alguma razão qualquer, mais alguns dias depois, puxei um dos volumes do Tesouro da Juventude da estante. Acho que eu estava lendo a parte sobre poesia quando descuidadamente vi “Livro das Belas Artes” no índice, uma das seções da coleção. Conferi os conteúdos referentes ao assunto e… bati o martelo! Sim, a antiga e manchada coleção de 1955 continua sendo um tesouro, de linguajar e conteúdo acessíveis às crianças, mas sem subestimá-las ou empobrecê-las, de maneira que resolvi adotá-la como base para nossas aulas. Além dela, para fins ilustrativos, usarei a linha do tempo do Heilbrunn, e, para os demais assuntos, o Timetables como ponto de partida.

Hoje tivemos nossa primeira aula e como assunto as inscrições deixadas nas cavernas pelos trogloditas da Idade da Pedra. Para melhor ilustrá-la, usei o site Lascaux, que permite um passeio virtual pelo local. As crianças se esbaldaram vendo os cavalos, bisões e veados espalhados pelas paredes.

Por fim, disse à Chloe que separasse uns pedaços de carvão do fogão à
lenha para que os usassem para desenhar o muro, criando sua própria
Lascaux. O resultado foi modesto, mas divertido.

Espero que os links e referências sirvam de incentivo aos pais que quiserem incrementar suas aulas. 😉
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Quando começar o HS?

Tudo se torna morbidamente mais fácil quando alguém nos diz o que fazer, como fazer e quando fazer. Em termos educacionais, a lei que estabelece a idade obrigatória para o início da frequência à escola faz isso, de modo que poucos questionam a real necessidade de uma criança de quatro anos ficar um turno inteiro (ou até dois) longe da família, cercada de estranhos, “estudando”. Sem mencionar todos os pormenores de carga horária, materiais, metodologias “burrocraticamente” fixados, definidos por alguma entidade etérea qualquer.

Nesse contexto, se, por um lado, as políticas educacionais do governo nos oferecem um controle minucioso e uma padronização dos ritmos da vida de nossas crianças, exigindo de nós apenas a adesão automática, por outro, o homeschooling pode parecer um salto em queda-livre e sem paraquedas, dada a grande liberdade que possibilita, não somente com respeito à idade de início dos estudos, mas também com relação aos métodos, materiais, horários etc.

Mas afinal, existe uma idade certa para se começar o homeschooling? Não, rigorosamente falando, não existe. “Oh! Mas como assim?!” Veja, quando eu era criança, a idade indicada em lei era 7 anos. Alguns anos atrás, recuou-se um ano, estabelecendo em 6 a idade correta. Isso tudo não soa um tanto aleatório? Além disso, se considerarmos a vida familiar corriqueira, quando é que um pai passa a ensinar ao filho: Quando senta ao seu lado para explicar-lhe adição ou quando, muito tempo antes, conversa com ele já nos primeiros dias de vida?

Como no homeschool a instrução ocorre no seio do lar, é a familiaridade quem modula os ritmos, independentemente do método adotado. Conheço um menino que aprendeu os números sozinho e aos 2 anos já fazia somas elementares. Conheço um outro menino que só deslanchou na leitura a partir dos 8 anos de idade. A mãe do primeiro deveria ter desviado a atenção que o filho focava sobre os números para algo mais adequado à sua idade? A mãe do segundo deveria ter desistido de estimular o filho e tê-lo entregue às “autoridades” educacionais, isto é, à escola? Não e não. Por certo a mãe do primeiro menino não estruturava aulas como a do segundo, mas isso não significa que não oferecesse a ele o suporte necessário para desenvolver sua aptidão natural, assim como a segunda certamente usufruiu da liberdade que possuía para investir mais tempo na superação das dificuldades do filho.

Acredito que no homeschool os elementos mais importantes são o estar atento às inclinações e interesses da criança, ao seu ritmo, e também o proporcionar a ela os recursos necessários ao seu dessenvolvimento. Assim, pode acontecer de uma família elaborar aulas propriamente ditas desde os 3, 4 anos de idade da criança, assim como pode acontecer de uma outra família começar a fazê-lo somente por volta dos 7 anos (o que não quer dizer que a criança que começa a “ter aulas” com tal idade não tenha aprendido muitas coisas antes disso, ainda que de uma maneira menos “oficial”, mais informal). Além disso, em famílias com mais de um filho, quando os mais novos vêem os mais velhos estudando, também querem estudar, o que termina por levá-los à rotina de estudos muito mais cedo e espontaneamente.

Por fim, é importante dizer também que, com o passar do tempo, é normal que a rotina das famílias homeschoolers se estruture de maneira mais organizada e fixa, mas isso é o resultado de um arranjo que combina liberdade e circunstância: a liberdade de poder decidir e as demandas da circunstância real em que se vive. No homeschooling não é o governo quem diz o que, como e quando estudar, mas é a família, aqueles que melhor conhecem e que efetivamente zelam pelo desenvolvimento das crianças, quem decide.

PS: Lembrando aos “liberdadefóbicos” que só pratica HS quem realmente está disposto em investir no crescimento dos próprios filhos, uma vez que enviá-los à escola, como disse, é morbidamente mais fácil.

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Visita-professora de ciências

Se quando morávamos em Porto Alegre vivíamos fechados em um apartamento e sozinhos a maior parte do tempo, agora, no interior, estamos constantemente recebendo visitas. Até recentemente, no entanto, e por simples descuido meu, não havia percebido a grande oportunidade que é para o aprendizado das crianças que recebamos em nossa casa pessoas com as mais variadas experiências de vida e de formação. Assim, em lugar de interrompermos abruptamente nossos estudos, abrimos parênteses especiais em nossa rotina para aprendermos algo novo.

Foi deste modo que, dias atrás, ao saber do desejo de uma amiga de vir estar conosco, resolvi pedir-lhe que reservasse um pouquinho do seu tempo entre nós para ministrar uma pequena aula às crianças. Tarsila está na reta final do curso de medicina e, para felicidade nossa, tem prazer em transmitir o que sabe. Por outro lado, como a disciplina de ciências não é uma prioridade (até o momento) para nós, os conhecimentos dela viriam a suprir uma lacuna em nossos estudos — embora tenhamos vários livros de ciências à disposição das crianças, não estudamos efetivamente o assunto.

Com o auxílio da Enciclopédia Barsa, que tem páginas excelentes sobre o corpo humano, as crianças tiveram uma pequena introdução à anatomia e à fisiologia. Além do caminhão de perguntas totalmente aleatórias que despejaram (e para as quais obtiveram todas as respostas), Chloe e Bibi aprenderam sobre o sistema circulatório, sobre o sistema respiratório, sobre o sistema digestivo e mais algumas outras coisas que devo ter esquecido.

Apesar da brevidade e do constante pipocar de perguntas incontroláveis, o tempo de aula foi excelente para todos nós. Muito obrigada, tia Tarsila!

Se sua família é homeschooler, incentivo você a fazer o mesmo. Aproveite cada visita para incrementar ainda mais os conhecimentos das crianças. 😉
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Biscoitos de manteiga e o sentido prático da vida

Já nem me recordo mais o lugar onde li ou assisti o Prof. Olavo relatando um importante momento de sua juventude. Estava ele na casa de um amigo quando o pai deste começou a relatar o processo de fabricação de cada uma das coisas que tinham então diante de si: a mesa, a xícara, o queijo, e assim por diante. Naquela ocasião o professor percebeu o quão pouco sabia sobre a origem dessas coisas básicas da vida, que fazem parte do dia a dia de todos nós, e o quanto, por causa disso, a sua percepção e compreensão da realidade estavam mutiladas.

Desde que li (ou ouvi) esse relato, pude constatar repetidas vezes semelhante falha em minha própria formação, mas, por outro lado, pude também decidir fazer diferente com meus filhos. No entanto, o tempo foi passando, as visitas que tentamos combinar não vingaram e acabamos, mais uma vez, nos acomodando na ignorância.

Recentemente, entretanto, o seguinte post do prof. trouxe à tona mais uma vez o assunto e o desejo de fazer diferente:

“Sugestão para desenvolver o sentido prático nas novas gerações: mostre a
seu filho todos os ofícios, todas as técnicas que puder. Leve-o para
ver o que faz um carpinteiro, um
relojoeiro, um torneiro mecânico, um criador de gado, um plantador de
alface, um domador de cavalos, um sapateiro, etc. etc.”

Entramos, então, em contato com os proprietários de uma fábrica de
biscoitos e recebemos autorização para visitá-los. Foram duas horas
excepcionais! Graças à incrível paciência e carinho do casal Míriam e
David, Chloe e Benjamin aprenderam o passo a passo da produção de um
tradicional biscoito amanteigado alemão (uma receita de família!).
Pensem num biscoito delicado, suave e saboroso: é este.

Confiram as
fotos do passeio:

Quando vocês encontrarem biscoitos dessa marca, comprem, pois valem a pena!
Chegada. Hora de colocar a touca.
Pesagem dos ingredientes.
Conhecendo a misturadora de farinha e manteiga.
Quantas formas!
O momento mais esperado: esticar a massa!
Chef Bibi às suas ordens!
Primeira obra. 🙂
Rigoroso controle de qualidade. XD
Fechamento das embalagens.
David e Míriam, muito obrigada!
Nathaniel não só aprovou o produto como o coloriu com tinta comestível.
E não foi só ele. 🙂
Melhor do que somente comer um biscoito amanteigado é poder também aprender a fazê-lo!
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Inglês e O último dos moicanos

Não há como negar que a prática do homeschooling no Brasil é um caminho repleto de tentativas e erros. No nosso caso não é diferente. Já experimentamos vários métodos e tenho certeza que ainda experimentaremos outros mais, conforme os outros filhos forem crescendo e evidenciando as suas particularidades no processo de aprendizagem. Quando, porém, “acertamos a mão”, então a coisa finalmente deslancha.
Recentemente acertamos a mão com o inglês. Quem nos acompanha desde o início sabe que já utilizei diferentes recursos com a Chloe — para não mencionar o que ela aprendeu no Colégio Israelita durante a educação infantil. Sempre procurei deixá-la mais ou menos intensamente em contato com o idioma de Shakespeare, seja por meio de livrinhos como o “First Words”, de sites como o Duolingo ou de metodologias mais completas como o “English by the natural method”. Todos eles contribuíram em alguma medida, pois aos poucos o vocabulário foi sendo assimilado e consolidado. Agora, porém, fomos além — e de um modo curiosamente não intencional.
Meses atrás o professor Olavo de Carvalho citou o livro “O caçador” como um de seus favoritos. Fomos em busca e, ao que tudo indica, compramos o livro errado, diferente daquele recomendado: o que adquirimos foi escrito por James Fenimore Cooper. Apesar do engano, fomos adiante, e o livro revelou-se uma agradável surpresa. Na edição que adquirimos, além d’O caçador, havia ainda a sua continuação: O patrulheiro. Um sucesso em dose dupla. Um erro que se tornou um grande acerto.
Passado algum tempo, fizemos uma nova compra de livros e, entre eles, um dos exemplares veio no idioma errado: “O último dos moicanos” em inglês. O que nós não sabíamos, porém, é que “O último dos moicanos” também é de autoria de James Fenimore Cooper e — melhor de tudo — é a continuação de “O patrulheiro”! Para encerrar com chave de ouro mais esse erro excepcionalmente oportuno, a edição que recebemos faz parte de uma coleção adaptada pela Penguin para a prática do inglês por meio da… tradução! — conversação não é a nossa prioridade, mas leitura e escrita, sim. E tradução no nível em que acredito que Chloe realmente se encontra: o Elementary, com 600 palavras. Mais providencial e sob medida impossível.

Enfim, voluntariamente, todas as manhãs — inclusive aos domingos — ela reúne caderno, dicionário, livro, lápis, borracha e se debruça sobre mais um empolgante parágrafo de “O último dos moicanos”, permanecendo ali até conseguir concluí-lo. Atualmente ela já está no final do segundo capítulo e está gostando muito, muito, tanto da história quando do método. 🙂

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Nosso novo curso!

Qual é o objetivo do curso?
Por que hoje parece ser tão mais difícil saber como educar do que antigamente? Qual é o papel do pai (e da mãe)? O que devemos esperar de cada faixa etária? Como podemos transmitir a fé aos nossos filhos? O objetivo deste curso é auxiliar os interessados na reflexão sobre a educação de filhos e numa vivência familiar mais feliz e equilibrada.

Qual é o conteúdo do curso?
O curso é composto de 9 aulas que abordarão os seguintes temas:

  1. Introdução – Um diagnóstico dos nossos dias;
  2. Temperamentos – Os 4 temperamentos e como o seu discernimento pode ajudar na educação dos filhos;
  3. O papel dos pais – A função dos pais na vida dos filhos, seus direitos e deveres, incluindo as diferenças entre pai e mãe no contexto familiar;
  4. Educação de meninos – A formação específica dos meninos, suas fases de crescimento, com ênfase na masculinidade cristã;
  5. Educação de meninas – A formação específica das meninas, suas fases de crescimento, com ênfase na feminilidade cristã;
  6. Escola ou homeschooling? – As duas opções de instrução, suas diferenças e cuidados;
  7. Disciplina – A criação e manutenção da ordem, considerando as principais visões sobre a correção dos filhos;
  8. A fé cristã e a educação dos filhos – A religião cristã como fundamento da vida dos filhos; 
  9. Aula extra – Esclarecimentos e respostas aos questionamentos dos alunos.


A quem o curso se destina? 

A todos os pais interessados em transformar suas casas em verdadeiros lares para seus filhos e que estejam desejosos de melhor cumprir suas obrigações.

Qual é o formato do curso e o que ele oferece? 

  • Nove aulas em vídeo (online e download);
  • Material de apoio em .pdf com todas as referências citadas ao longo do curso;
  • Espaço para troca de emails e respostas a dúvidas.


Quando começarão as aulas?

01 de setembro de 2016.

Como posso me inscrever? 
Basta clicar aqui. Ao final da página linkada estão os dois botões de compra.

Qual é o valor do curso? 
Valor: R$ 180,00 (cento e oitenta reais).

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A família Radford e os nossos dias


Instantes atrás li sobre a maior família britânica: eles acabaram de receber o 19o. filho. Deixando de lado o realmente importante, que é o testemunho de vida desse casal, achei interessante as objeções de alguns nos comentários. Dentre as repetidas censuras pela pretensa irresponsabilidade do casal, uma crítica voltava-se para o fato de o bebê não poder receber toda a atenção devida do pai e da mãe por precisar dividi-los com os dezoito irmãos. Já ouvi essa objeção contra a 
família numerosa muitas vezes, e acho que está na hora de dizer algo a respeito.


Hoje em dia, quando uma família abre-se à vida e acolhe todos os filhos que Deus deseja enviar, ela o faz na plena consciência de que nem o pai, nem a mãe, nem criança alguma é o centro do universo, a pessoa mais importante do mundo. Na verdade, todo cristão deveria saber disso: que ele não é o personagem principal da história, mas apenas um coadjuvante a fazer uma pequena participação na grande peça da eternidade, na qual Jesus Cristo é o protagonista absoluto. Ou seja, numa família numerosa, ninguém é a estrela. Todos os que ali estão devem viver em espírito de amor e de serviço, ajudando uns aos outros em tudo quanto necessário.


Mas é claro que uma pequena comunidade de pessoas que vivam tal entrega e dedicação, lutando contra o egoísmo na prática do dia a dia, não pode ser compreendida em nossos dias. Na verdade, é precisamente o contrário: além de incompreendida, tais pessoas são motivo de chacota. O bacana, o legal, o “sensato” é mesmo ter um só filho e tratá-lo como um deus, entupindo a criança de todas as coisas que porventura a sua soberana vontade venha a desejar (mesmo que 5 minutos depois tudo seja abandonado por um novo objeto de desejo), nunca dizendo “não” a ela, e nem sequer sonhando com uma palmada simbólica quando cometer o maior desrespeito de que for possível. Isso sim é bom. É torná-lo senhor de tudo, mas, tão logo quanto possível, despachá-lo para a escolinha, depois para a natação, depois para o futebol, depois para os avós e, por fim, para os amigos, para que joguem videogame até que os olhos saltem da cabeça, afinal, ninguém aguenta um tirano desperto por mais de uma ou duas horas.

Não é por acaso que há gente com 20, 30, 40, 50, 60 anos completamente incapaz de olhar para o lado e se importar de verdade com alguém, pois aprenderam com os pais que eles próprios são os protagonistas do universo, que os seus sentimentos são os mais importantes, os mais intensos, os mais sofridos do mundo, que as suas vontades não merecem freio algum, ainda que esmaguem os demais. E, curioso, geralmente é o mesmo pessoal que usa a hashtag
 ‪#‎maisamorporfavor‬

PS: Já ouvi também a crítica de que antigamente os mais velhos é que acabam criando os mais novos. Ora, será que é também um mero acaso o fato de que as pessoas crescem, noivam, casam, os filhos chegam e não têm a menor idéia de o que fazer com um bebê recém nascido? Ou, se aprendem alguma coisa, é porque fizeram algum curso no hospital antes do nascimento do bebê? Gente, cuidar de criança era algo que se aprendia em casa, na família, com os irmãos mais novos sim! Por que raios isso precisa ser visto como um martírio, uma injustiça? Seria de fato uma injustiça nos casos de os pais lavarem as mãos e não fazerem nada, mas, até onde sei, quando os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos era porque os pais estavam trabalhando na lavoura, fazendo comida, lavando roupa com as próprias mãos, enfim, fazendo coisas muito mais pesadas do que trocar uma fralda ou embalar um bebê. E esse aprendizado não seria de imenso auxílio quando a pessoa, uma fez adulta, constituísse a própria família? Ah, pra quê família, né? Bom mesmo é criar gato.