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Flexibilidade, Júlio Verne e pedras

Em outras ocasiões, já falei sobre a flexibilidade inerente ao homeschooling, mas hoje quero relatar um dia bem especial que tivemos graças a isso, à compreensão de que somos uma família, não uma escola, e que podemos, quando necessário, mudar a rota e, ainda assim, aprendermos coisas incríveis.

Alguns de vocês já devem estar sabendo que estou no último trimestre de gestação. Por conta disso, algumas de minhas madrugadas são bem desconfortáveis e inquietas, de modo que, numa noite recente, perdi o sono e acabei não tendo condições de auxiliar o Gustavo em nossa tradicional rotina matinal. Como lhe é típico, graças a Deus, ele não se aborreceu nem forçou a barra, mas aproveitou para responder algumas dúvidas da Chloe e ensinar alguns conceitos matemáticos ao Benjamin, tudo numa clima de conversa, sem a formalidade da “hora da aula”.

À tarde, porém, propus a ele uma forma de alternativa de estudos: sugeri que fôssemos até A Mina, um pequeno museu que é uma réplica de mina, na cidade de Gramado, onde há uma infinidade de pedras preciosas e semipreciosas à exposição. Gustavo topou e fomos até lá sem dizer uma palavra a respeito para as crianças (sim, eu sou daquele tipo de mãe que a-do-ra fazer surpresas!). Vocês não têm ideia da felicidade da Chloe ao entender onde estávamos. Ela quase não conseguia conter-se para não ficar pulando o tempo todo! E eu até agora me pergunto como é que ela conseguiu reter tantas informações se estava tão inquieta, quase que vendo tudo ao mesmo tempo?

E o que esse passeio tem a ver com os nossos estudos? O interesse da Chloe por pedras surgiu depois da leitura de “Viagem ao centro da terra”, de Júlio Verne. Ela achou o livro, de um modo geral, terrivelmente chato, mas isso só até o dia em que o Gustavo sentou-se com ela para explicar as camadas que formam o nosso planeta, além de fenômenos como vulcões, terremotos, maremotos, etc. A partir de tal conversa o livro passou a ser visto com outros olhos, e as pedras, que já exerciam o seu encanto, ganharam ainda mais destaque para ela. Assim, visitar A Mina foi a cereja do bolo, coroando todos aqueles conceitos com a concretude e o peso das pedras, o que acabou realimentando o interesse original e virando fonte de mais pesquisa.

Deixo abaixo alguns registros do passeio e o incentivo a que vocês aproveitem ao máximo os recursos que a região de vocês proporciona para que as informações assimiladas pelas crianças ganhem um corpo real e transformem-se em boas experiências e lembranças para a toda a vida.

Parte da entrada d’A Mina.

Parte do interior.

Ametista gigante e homens gigantes.

Citrino e Bibi.

Exposição de pedras de todos os continentes.

Esmeralda em estado bruto. 
Parte de um tronco fossilizado.

Chloe e a ametista. 
Pedras que brilham no escuro. Olha a criptonita!

Um dos produtos à venda na loja do museu: um lindo globo de pedra. Aceito de presente. 😀

Parte dos arredores d’A Mina.

Lindo laguinho, pena que os patos estavam láááá do outro lado.

Nós três e o dedo da Chloe. 🙂
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Inscrições encerradas – Gostar de Ler

Este curso é um velho conhecido dos leitores mais antigos do blog. Ele foi o primeiro dos diversos que hoje oferecemos e surgiu como resposta a um convite do prof. Carlos Nadalim para que eu compartilhasse aquilo que sabia a respeito do assunto, uma vez que o sucesso obtido com meus próprios filhos fornecia um testemunho fiel acerca da qualidade dos nossos esforços.

Recentemente, por ocasião de diversos contatos de leitores com dúvidas a respeito do assunto e também de diversos questionamentos a respeito de como adquirir o curso, resolvemos abrir uma nova turma. As inscrições estão abertas desde já, dia 28 de março, até o dia 10 de abril.

O principal objetivo do curso é oferecer aos pais as ferramentas necessárias para que saibam conduzir seus filhos de maneira prazerosa na aquisição do hábito da leitura. O curso oferece também uma série de critérios sobre como selecionar as melhores obras para a formação das crianças. Além disso, são abordadas ainda algumas dificuldades comuns a muitas famílias, tais como a agitação das crianças, a impaciência, o vício em eletrônicos, etc. Por fim, além das 05 vídeo-aulas, oferecemos ainda um resumo com o conteúdo de cada aula e uma lista atualizada com mais de 100 títulos seguros, abrangendo várias idades, para você montar uma biblioteca de qualidade para os seus filhos.

Imediatamente após o encerramento do período de inscrições cada aluno receberá no email cadastrado no ato da compra o link para download de todo o conteúdo: as 5 aulas, os 5 resumos e a lista de livros.

O valor do curso é de R$ 120,00.

Escolha a sua opção de compra logo abaixo, clique e garanta a sua vaga. 😉

*** Inscrições encerradas ***
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Literatura de qualidade: a “margem de segurança” do homeschooling

Para quem me acompanha no facebook não é novidade: estamos já na etapa da revisão do livro Homeschooling católico – Um guia para pais, ou seja, se tudo der certo, até o final de abril entregaremos o livro àqueles que garantiram o seu exemplar. Tem sido uma pequena e recompensadora jornada, pois mais do que falar sobre homeschooling, este é um livro que aprofunda a fé católica, amarrando ambos os assuntos de uma maneira intensa e precisa.

Pois bem, relendo as páginas iniciais, deparo-me com algo que me tinha passado batido: dentre as várias respostas de um professor às mais comuns objeções contra o homeschooling, encontrei uma consideração interessantíssima a respeito da importância da literatura. E como este é um assunto recorrente em minha vida, não só porque é parte da rotina da minha família mas também porque muitas pessoas me escrevem pedindo dicas e buscando soluções para as suas dificuldades, resolvi compartilhar com vocês um pouco do que o referido professor disse.

Sabemos que o homeshooling envolve um mundo de coisas, não só em termos de conteúdos, mas também de habilidades, particularidades e circunstâncias de cada família, ou seja, mais do que lidar com aulas propriamente ditas, lida-se com vidas inteiras, em todas as suas dimensões, pois estamos tratando de nossos filhos no seio de nossa família. Contudo, mesmo que haja tantas coisas envolvidas e sobre as quais precisamos atentar, possibilitar à criança uma boa alfabetização e, posteriormente, um contato constante com literatura de qualidade é simplesmente essencial. Eu disse ESSENCIAL.

Não, o que digo não é exagero. Não, um grande talento científico ou matemático não pode servir como desculpa para que as letras e seu domínio sejam negligenciados ou mesmo substituídos. E isso por um motivo muito simples: o conhecimento e o domínio da língua mãe, bem como a formação de um imaginário rico e virtuoso, são as chaves que abrem todos os mundos, incluindo os científicos e matemáticos. Sem uma boa capacidade de leitura e de interpretação, problemas, hipóteses e teorias podem ser completamente  distorcidas ou incompreendidas, o que torna o talento, na melhor das possibilidades, subaproveitado, e, na pior, inútil.

Agora, porém, vem a consideração própria do professor, sobre a qual eu ainda não tinha pensado: uma boa alfabetização e um programa de literatura de qualidade (de qualidade mesmo) cria uma espécie de “margem de segurança” ao redor da criança. Em que sentido? No sentido de que, mesmo nos casos daquelas famílias em que os pais, atingido determinado ponto da formação dos pequenos, não conseguem ir muito adiante ou não são naturalmente talentosos sobre aquela área, a boa preparação literária permite que a criança adquira um excelente desempenho no assunto por conta própria.

Sim, o autodidatismo é um dos nossos objetivos aqui em casa, e sabíamos que o alto desempenho em leitura e interpretação é um dos caminhos para alcançá-lo, mas eu nunca havia pensado em termos de “margem de segurança”, como uma espécie de “garantia” contras as limitações paternas. Claro, uma coisa são limites efetivos, outra é preguiça. E é evidente que tal “margem” só pode e deve ser utilizada depois que a criança já avançou bastante em idade, em conteúdos e em domínio dos mesmos, caso contrário, incentivada precocemente a lidar com desafios que estão acima da sua capacidade, ela obterá apenas frustração e sofrimento desnecessário.
Para melhor ilustrar o que quero dizer quando falo em literatura de qualidade, deixo abaixo a lista dos livros que a Chloe (que está com dez anos) deverá ler ao longo deste ano, o que também poderá ser útil a outros pais com crianças da mesma idade — vale notar, no entanto, que aqui não estão incluídos nem os livros selecionados espontaneamente por ela (que sempre acrescenta obras de Monteiro Lobato e curiosidades aleatórias), nem o livro de estudo (Os Lusíadas), nem os livros que leio para todos eles à noite:

  • Oliver Twist, de Charles Dickens (já concluído);
  • O caçador, de James Fenimore Cooper (já concluído);
  • O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper;
  • A comédia dos erros, de Shakespeare (já concluído);
  • Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne;
  • Da terra à lua, de Júlio Verne;
  • Tarzã dos macacos, de Edgar Rice Burroughs;
  • Kim, de Rudyard Kipling;
  • O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper;
  • Um conto de Natal, de Charles Dickens.
Também fazemos alguns exercícios de interpretação de texto e resumos, para termos a certeza de que ela está compreendendo corretamente e sabendo expressar adequadamente aquilo que leu.

Enfim, mais do que ampliação de vocabulário e enriquecimento do imaginário, mais do que formação do caráter e aquisição de cultura, a boa literatura também é o passaporte para o autodidatismo e a garantia de que nossos filhos conseguirão ir mais longe do que nós.

PS: Se o caso
do seu filho é totalmente diferente, isto é, se ele não gosta de ler e
você não sabe mais como incentivá-lo na aquisição deste hábito, por
favor, escreva para o email encontrandoalegria@gmail.com Nos próximos
dias abrirei uma nova turma do curso “Ensine seus filhos a gostar de
ler” e ao enviar o email você não perderá nenhum aviso a respeito.

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Como o cristão deve decidir sobre a educação dos seus filhos

Uma miríade de perguntas povoa a mente dos pais que cogitam praticar o homeschooling, muitas das quais, às vezes, alimentadas mais pela imaginação do que pela carência de conhecimento a respeito de determinados aspectos da questão, isto é, mesmo sabendo como as coisas usualmente transcorrem, o fato de não “dar o passo” sempre de novo renova os mesmos medos.

Porém, independentemente da dúvida, do medo, da insegurança, do quanto se sabe e do quanto se ignora, acredito que toda a questão educacional, para além do próprio homeschool, deva ser inserida em um quadro maior, e este quadro é o da fé. Na verdade, para o cristão, toda a sua vida deve ser inserida, compreendida, decidida e explicada a partir disso, mas vou restringir meu post ao âmbito educacional.

Quando recebemos nossos filhos, pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, recebemos um dos maiores, senão o maior, desafio de nossas vidas. Não se trata simplesmente de estudar e trabalhar para manter são o corpo de nossas crianças, mas sobretudo de fazer o mesmo com respeito às suas almas, afinal, nossa responsabilidade, embora restrita a um determinado tempo na vida de nossos filhos, repercutirá sobre a eternidade, marcará nossas crianças para sempre, muito provavelmente influenciando sobre o seu destino eterno. Assim, zelar por sua educação, em seu sentido mais amplo possível, é nosso dever, um dever instituído pela natureza e pelo próprio Deus.

Todas as dúvidas e certezas, todas as indecisões e decisões, devem, portanto, ser consideradas desde tal balança, não somente desde o prato da natureza, do corpo, da necessidade física, mas também a partir do prato divino, da alma, da necessidade espiritual. Logo, na prática, a questão do homeschool não pode ser pensada pelo cristão simplesmente em termos de “terei condições intelectuais de ensinar?”, “terei problemas com meus familiares ou com a justiça?”, “meu filho será capaz de conviver com os demais de maneira adequada ou se tornará alguém retraído?”, mas, principalmente nos seguintes termos: “a que tipo de coisa estarei permitindo que meu filho seja submetido se ele for (ou permanecer) para a escola?”, “quais serão os frutos disso em seu coração?”, “como responderei diante de Deus sobre isso, considerando que sei da possibilidade de escolher algo diferente?”. Eis a perspectiva correta, o ângulo essencial que iluminará com a luz adequada e suficiente tudo o mais, embora nem sempre com a velocidade que desejamos.

É claro que o fato de ponderarmos levando tudo isso em conta não é garantia de que todas as dúvidas sumirão da nossa mente instantaneamente ou que jamais cometeremos erro algum (somos humanos, não?), mas é garantia de que estaremos desempenhando, dentro das nossas limitações, da melhor maneira possível, o nosso dever, um dever antes de tudo para com Deus, mas também um dever para com alguns dos nossos próximos mais próximos, os nossos filhos. Por causa disso poderemos ter a certeza de que não estaremos sozinhos, seja qual for a circunstância, mas contaremos, felizmente, com a ajuda do maior interessado em todos nossas vidas: o próprio Deus.

O julgamento final, de Jean Cousin.


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Uma nova etapa no homeschooling brasileiro

Post originalmente publicado no facebook, mas que achei que vocês iriam gostar de saber. 😉 

Agora mesmo, lá na GHEC, Gustavo
provavelmente está apresentando em primeira mão nosso mais novo
projeto, o “Prudens Simplicitas”, que marcará o início de uma nova etapa
no movimento homeschooler brasileiro.
O “Prudens Simplicitas”
(diretamente inspirado na passagem do Evangelho de São Mateus, cap. 10,
v. 16b: “Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as
pombas”) será o primeiro think tank de homeschooling do Brasil, isto é, o
primeiro evento voltado para a troca de
informações altamente qualificadas para a capacitação das famílias na
luta pelos seus direitos, incitando à organização e à mobilização de
lideranças homeschoolers por todo o país.
Até o momento, já temos os seguintes palestrantes confirmados, além de mim e do Gustavo: Cristian Derosa (Rádio VOX), Guilherme Ferreira (CitizenGO), Rafael Falcón (Curso de Latim Online), Alexandre Magno e Rick Dias (ANED), Paulo Fernando II (Instituto Conservador de Brasília) e Miguel Nagib (Escola Sem Partido). Ainda restam alguns nomes a serem confirmados.
Por último, para facilitar o acesso das famílias e agilizar a
disseminação das informações, o “Prudens Simplicitas”, ao menos nesta
primeira edição, será online e gratuito, de modo que ninguém, nenhuma
família homeschooler que queira fazer mais pelo movimento em nosso país,
terá desculpas para ficar de fora.
Em breve trarei mais informações.
Vamos? 🙂
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A mulher artificial e a luta pela mulher verdadeira

Dias atrás, uma aluna marcou-me em um post de uma entrevista da feminista Elisabeth Batinder. Eu não a conhecia e, apesar dos visíveis problemas em sua argumentação, fiz o esforço de ouvi-la até o fim. Antecipo que a entrevista completa renderia páginas e páginas de refutação, pois está repleta de falácias, mas circunscrevo aqui minhas objeções à tese, apresentada logo ao início e que me parece fundamental, de que não existe instinto materno.

Batinder começa afirmando seu prazer em observar os pais e mães às voltas com os seus filhos nos parquinhos europeus, e que por conta desse hábito, acabou percebendo nos rostos das mães o quanto elas parecem entediadas e alienadas naquele mundo materno. Até aí, nada de errado, afinal, quantos de nós já não vimos algo assim ou não nos sentimos assim? No entanto, após um salto argumentativo olímpico, ela conclui, com base em tal observação, que, obviamente, a maternidade não é uma coisa natural para a mulher como o é para as macacas, de modo que, realmente, algo como “instinto materno” é uma mentira da cultura patriarcal que sempre lucrou com a opressão da mulher. Para embasar sua teoria, Batinder resolve reinterpretar a história desde o século XVII até os nossos dias, excluindo, obviamente, por um lado, Deus (e a religião), e, por outro, a natureza (uma existencialista heideggeriana?).

O livro que apresenta a teoria de Batinder não é recente. “O mito do amor materno” teve sua primeira edição em 1981. Não é difícil concluir, portanto, que as observações nas quais a autora se baseou remontam majoritariamente ao período das décadas de 60 e, principalmente, 70, isto é, imediatamente posterior às revoluções sexual e estudantil que convulsionaram a cultura ocidental no século XX. Salientar este aspecto não é sem importância, pois foi a partir deste recorte espaço-temporal que Batinder viu-se em condições de criar uma regra geral pretensamente válida universalmente. Mas será que as coisas são mesmo assim? Quem é a mulher ocidental e, mais especificamente, a européia, pós-revoluções da década de 60?

A mulher ocidental pós-revoluções de 60 é a mulher que testemunhou a banalização do divórcio e a ruína de sua família, que experimentou maconha, cocaína e LSD, que ingressou nas seitas new age, que reivindicou igualdade entre os sexos, que lutou por espaço no mundo do trabalho e que praticou o chamado sexo livre, isto é, o sexo sem compromisso, meramente recreativo, com quantos quisesse e quando quisesse. Ou seja, esta não é uma mulher normal, historicamente falando, mas uma mulher que sofreu, em um curtíssimo espaço de tempo, o impacto intenso de um grande número de mudanças dramáticas em seu modo de ser. E, de lá para cá, tais tendências e práticas tornaram-se mais e mais comuns, de maneira que o que inicialmente parecia exceção acabou por tornar-se regra.

Como, portanto, essa mesma mulher, ao descobrir-se mãe e ser de todo absorvida pela maternidade não pareceria entediada e alienada ao cuidar de suas crianças em um parquinho, já que seus filhos são o resultado indesejado de “uma transa” qualquer? Como não encarar a vida dura e rotineira do dia a dia familiar com uma disposição semelhante àquela do beberrão que sofre com a enxaqueca no dia seguinte ao porre? Como harmonizar as promessas mentirosas dos revolucionários com as verdades simples do cotidiano sem grande dose de frustração e ressentimento? E como hoje, passado meio século, não ouvir as afirmações de Batinder sem que elas soem repletas de verdade e respaldadas pela realidade que nos circunda? Repito, no entanto, a pergunta que fiz acima: será que as coisas são mesmo assim? E acrescento: teria Batinder desmascarado a mentira ancestral que nos aprisionou durante tanto tempo?

A resposta é simples: não. A mulher “sem instinto materno”, a mulher “vítima do patriarcado”, a mulher “entediada e alienada na vida doméstica” é a mulher estrategicamente planejada pelos revolucionários em sua luta pela destruição da “família burguesa”. De modo algum essa mulher, que infelizmente corresponde a quem muitas de nós nos tornamos nos dias atuais, é fruto espontâneo da história, resultado do natural desenrolar dos eventos, nascida de suas escolhas e decisões. Não. Ela é uma mulher artificial, postiça, fabricada, desenhada para a sua própria destruição e daqueles que estiverem sob o seu controle. (Para conseguir compreender de fato o que estou dizendo seria necessário um parênteses enorme para explicitar muito da história da origem do movimento feminista — não como as feministas o contam, adulterando o passado, mas como ele foi de fato –, entretanto, este não é o assunto do post e não há espaço suficiente aqui para tanto).

Agora, todavia, surge o dilema: uma vez que essa mulher artificial tenha se tornado a regra em nossos dias, onipresente ao nosso redor e também entronizada em nosso interior, como conseguir discernir a mulher verdadeira, aquela que se manteve basicamente a mesma ao longo dos séculos, dos milênios, que era feliz por ser quem era e sustinha a própria sociedade ao assumir seu papel no coração da família? Expandindo nosso horizonte histórico, olhando para além do que a viseira revolucionária nos permite ver, reunindo uma amostra variada de mulheres exemplares que, na peculiaridade de suas vidas individuais, dão testemunho de realizar à perfeição, apesar de seus limites, aquilo para que foram criadas por Deus. Sim, Deus e a natureza precisam voltar a participar de nossa vida e de nossa cosmovisão. Não há outro modo para retomar o fio da meada da história; não há outro modo de livrar-se do feminismo; não há outro modo de restaurar a feminilidade como ela de fato é e de encontrar alegria nisso.

O trabalho é árduo. Exige esforço, pesquisa, e principalmente o afastamento de uma série de hábitos e — muito provavelmente — de companhias que nos puxam em direção ao automatismo e à artificialidade do discurso feminista contemporâneo. Mas vale a pena. Reencontrar-se, redescobrir-se e poder desfrutar com maturidade das dificuldades e alegrias reservadas ao sexo feminino é um presente especial destinado àquelas que não querem mais a farsa, que não querem reinventar a roda, que não querem negar a história, que não querem negar a natureza, que não querem negar o instinto, que não querem negar a Deus. Assim, Elisabeth Batinder que me desculpe, mas mesmo debaixo de tantas camadas acumuladas em meio século de farsa e de loucura, a mulher verdadeira nunca deixou de existir em cada mulher individual: é preciso decidir-se por ela e, mais do que nunca, em nossos dias, por ela lutar.

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Ajude o homeschooling brasileiro

Pessoal, a ANED está fazendo um levantamento a respeito do número de famílias praticantes do homeschooling em nosso país. Como todos vocês sabem, vivemos um momento crucial na história do movimento aqui no Brasil, um momento no qual precisamos assumir nossas responsabilidades publicamente, dando a cara a tapa, e onde a covardia e o comodismo só nos prejudicará.


Por favor, se você pratica o homeschooling, mesmo que seus filhos ainda não estejam em idade escolar (afinal, eles poderiam estar numa creche, não é?), CLIQUE AQUI e responda ao questionário. Ele é bem breve, não é obrigatório colocar o nome dos pais e a lista ficará em poder da ANED, ou seja, é uma enquete segura.


Pelos nossos filhos e netos, pelas famílias, pela liberdade, pelo Brasil!

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Homeschooling e adolescência: será que dá certo?

A maioria das famílias que inicia a caminhada homeschooler e têm filhos adolescentes obviamente não os educou em casa desde sempre. Assim sendo, para além das dificuldades comuns a todas às demais famílias (materiais, organização da rotina doméstica, etc), há ainda o hábito da vida escolar adquirido e reforçado ao longo de anos e, consequentemente, os vínculos com os colegas.

Diferentemente das crianças menores, o adolescente, pelo próprio período em que vive, descobre-se em um momento no qual os pares passam a ter uma importância maior do que até então possuíam. Deste modo, uma das principais razões para resistência ao homeschooling por parte dos filhos nessa faixa etária pode ser justamente a falta do convívio social, a saudade do tempo com os colegas.

No entanto, isso não precisa ser o fim de tudo, especialmente quando sabemos que a qualidade das amizades em nossas escolas não raras vezes é mais maléfica do que benéfica, mais prejudicando a formação do caráter dos nossos filhos do que os aprimorando de algum modo. Pensando nisso, deixo aqui alguns modos de contornar essa dificuldade, suprindo a necessidade de convívio social sem abrir mão do homeschooling:

  1. Convide algum(ns) bom(ns) amigo(s) (mas bom(ns) mesmo, decente(s), confiável(is)) para fazer alguma das aulas junto com os seus filhos, de preferência sobre alguma disciplina que os interesse realmente (artes, química, física, etc);

  2. Promova sessões de cinema na sua casa de tempos em tempos;

  3. Leve os seus filhos para fazer alguma atividade que envolva outras pessoas (aulas de música, alguma atividade física, oficina de origami, etc);

  4. Mas, sobretudo: procure outras famílias homeschoolers, se possível com crianças em uma faixa etária próxima das suas, com quem possam estreitar o convívio. Este é um vínculo fundamental, pois todos vocês, e não apenas as crianças, poderão se enriquecer por meio dele. Com o tempo os pais poderão organizar acampamentos com os meninos, enquanto as mães poderão organizar grupos de artesanato ou o que tiverem vontade de compartilhar e ensinar às crianças;

  5. Se ainda não houver nenhuma família homeschooler por perto, na sua cidade ou região, busque por elas pela internet, troquem correspondências (cartas mesmo!), lembrancinhas da sua região e combinem um encontro presencial em algum período do ano. Eis aí uma boa ocasião para praticar caligrafia e cultivar uma amizade à moda antiga. 😉
  6. Convide-os para algum trabalho voluntário, engaje-os nas tarefas da casa,
    no negócio da família, recompense-os pelos seus desempenhos e responsabilidades. Assim consegue-se
    tirar um pouco o foco do costumeiro “nada fazer” com os amigos e
    introduz-se algo de útil e relevante para a vida; 

  7. Finalmente, tenha paciência, persevere, converse. Não bata de frente o tempo todo. Negocie, concilie e, tanto quanto possível, ofereça aos seus filhos os desafios que eles precisam para seguir adiante rumo à vida adulta, pois nem a infância nem a adolescência são fins em si mesmos, mas etapas provisórias em direção à maturidade e à autonomia da adultez.
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Novos movimentos no caso Valentina Dias, junto ao STF

Compartilho aqui três posts meus, originalmente publicados no facebook, que atualizam os interessados em homeschooling no mais importante caso que tramita junto ao STF atualmente. Aos que desconhecem a questão, deixo aqui o link para o processo na íntegra.

Pessoal, más notícias. Minutos atrás, Alexandre Magno postou em sua página aqui no facebook: “Ontem, uma dúzia de estados requereram conjuntamente ao STF a
declaração de inconstitucionalidade da educação domiciliar. O que eles
tanto temem? Será o homeschooling algo tão ameaçador? De qualquer forma,
que venham os Golias!”
Urge que nos reunamos, se possível de modo presencial, em orações pela causa do homeschooling. Estou procurando maiores detalhes sobre a situação. Assim que possível publicarei tudo aqui.

Pessoal, o que aconteceu foi o seguinte: 18 estados, e também o Distrito
Federal, representados pelas suas respectivas procuradorias, pediram
ingresso como amicus curiae junto ao processo da garota Valentina Dias,
que tramita no STF. Já no primeiro parágrafo eles deixam claro a sua
posição: contrariedade total ao homeschooling.
Como acompanhamos de perto a questão aqui no Rio Grande do Sul, local de origem do processo, sabemos que as procuradorias, na
maioria dos casos, são militantes, e estão muito mais interessadas na
defesa da agenda de determinados grupos do que na representação de seus
estados e do seu povo. Assim sendo, a iniciativa é de autoria de
“lideranças” pontuais, não refletindo a opinião e os anseios das pessoas
de carne e osso que se vêem no dilema de, ou cederem à pressão e enviar
seus filhos para escolas que não se tornaram outra coisa além do
exemplo perfeito do completo desprezo ao conhecimento, à verdade, ao
respeito e à civilidade, ou ingressarem no homeschooling, resgatando uma
responsabilidade que, em verdade, jamais deixou de ser sua.
Para quem quiser conferir a petição dos estados, deixo aqui o link para download do arquivo diretamente do meu dropbox.
Repito o que venho dizendo: é o momento de fazermos o máximo possível e
o melhor pelo homeschooling, cada um à sua maneira, para que ganhemos
mais e mais uma imagem favorável diante da opinião pública. No entanto,
TODOS os cristãos, homeschoolers ou simpatizantes, sem exceção, têm o
dever de interceder a Deus pela causa. É a liberdade de nossas famílias o
que está em jogo e não podemos ceder um milímetro! Fé e coragem,
amigos!

Uma das influências mais nocivas que existem e das quais precisamos nos
afastar sem titubeio é a dos covardes. O covarde muitas vezes costuma
posar de sensato, de esperto ou até de sábio, mas a verdade é que o que o
move é puro egoísmo: ele avalia o desafio que tem diante de si por
aquilo que pode lucrar ou perder com ele, e não pela justiça do mesmo,
pelo senso de dever, por amor ao próximo ou a Deus.

Situações como a relatada anteriormente, que descortinam um horizonte desfavorável,
servem para nos ajudar nessa peneira: mostram quem está nisso por
realmente acreditar que, mais do que trazer benefícios à sua família, o
homeschooling é um dever de amor dos pais pelos filhos em obediência a
Deus; e quem está “não estando”, quem está com um pé dentro e outro
fora, quem, diante da menor pressão e contrariedade, entrega os pontos e
acaba achando que o importante mesmo é não arranjar confusão. Com
respeito a estes, recomendo com veemência: cubram os ouvidos quando eles
falarem!, distanciem-se!, afastem-se!

Quem sabe que luta pelo que é
certo e justo, sabe que tem Deus ao seu lado e que, portanto, não há o
que temer, seja quais forem os resultados. Afinal, “se Deus é por nós,
quem será contra nós?” Romanos 8: 31b

Aos que quiserem juntar-se a nós em oração, deixo aqui o link para o evento que criei.