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A repetição da maior e melhor novidade

Quando eu era garota e atéia, detestava essa época do ano. Na verdade, o sentido do Natal me escapava por completo, tudo parecia uma grande desculpa do comércio – para ganhar dinheiro – e das famílias – para alimentar hipocrisias -, repetindo anualmente os seus rituais de auto-legitimação. Sim, eu já pensei e fui assim. E todo ano, por vários anos, detestava a repetição do Natal.
De certa forma, é verdade que o Natal é uma repetição. E bem pode ser verdade que muita gente só pense em lucrar ou em suportar diplomaticamente o convívio com parentes inconvenientes – quantas Camilas há por aí! Contudo, o sentido da repetição exprime-se em outros termos: “até que Ele venha”. É por isso – hoje eu sei – que tudo se repete: para que jamais O esqueçamos, porque Ele virá mais uma vez, conforme prometido. Assim, enquanto Ele não vem, prosseguimos repetindo, ano após ano, guiados pelo Calendário litúrgico, cada um dos passos de sua vida, desde a sua concepção e nascimento até sua morte e ressurreição.
Mas que novidade pode haver nisso tudo, uma festa celebrada há mais de dois milênios? A novidade é o nascimento do divino bebezinho. É Ele – e só Ele -, com o seu nascimento, que é capaz de fazer novas todas as coisas. Não do nosso jeito, nós que cortamos cabelos, compramos roupas, viajamos, fazemos dietas, exercícios e achamos – ou melhor, “desejamos ansiosamente” não soa mais preciso? – que por causa disso somos novas pessoas. Não. Ele faz nova todas as coisas desde dentro, silenciosa e imperceptivelmente, desde o lugar mais oculto e afastado dos olhos, que é o nosso coração. Quando este maravilhoso bebezinho nasce em nossos corações, então Ele traz a redenção tão aguardada, a novidade de vida tão esperada e tão necessária. Ele faz novas todas as coisas!
Parece impossível, parece irreal, parece mágica… O nome mais adequado, no entanto, é milagre. O milagre da fé, a fé que crê em um Deus que se fez homem e habitou entre nós com toda a humildade, para, descendo até nossa humilhante condição de completo desamparo, resgatar-nos e transformar-nos à semelhança de sua excelsa pessoa. Esta é a repetição da melhor e maior novidade celebrada a cada Natal.
Que o menino Jesus nasça em nossos corações e renove ainda mais a nossa vida, mais uma vez.
Um feliz e santo Natal,
da minha para a sua família.
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O primeiro encontro d’A casa de Penélope

Um grande evento nunca começa na data prevista, mas muito antes. Contássemos a partir do dia em que surge a idéia, às vezes muitos anos são passados até a sua realização. Este, contudo, não é exatamente o nosso caso. O primeiro encontro presencial d’A casa de Penélope foi preparado ao longo de um ano, o primeiro ano de existência do próprio clube. Mas não foi nada difícil. Pelo contrário: tudo pareceu fluir maravilhosamente bem, desde a escolha do local, o acerto dos detalhes, a realização do evento em si até a despedida. E é sobre tudo isso que eu desejo falar agora.
Primeiro, o local. Como não mencionar a querida Pousada Aldeia dos Sonhos, que faz jus ao nome que carrega? Ricardo e João, os proprietários, são a gentileza e o zelo em forma humana: não só ofereceram excelentes ambientes e acomodações como ainda contribuíram sugerindo boas idéias para facilitar a dinâmica e integração do grupo. Isso para não mencionar o famoso (e delicioso) café da manhã, que nos transporta de volta para a cozinha e o colo de nossas prendadas avós. Enfim, nem eu, nem as Penélopes tivemos o quê reclamar do lugar onde realizamos nosso primeiro encontro, e, ao que tudo indica, repetiremos a dose em outubro do ano que vem.
Depois, o sábado pela manhã, o primeiro encontro do encontro. Este foi o momento do primeiro contato pessoal com a maioria das Penélopes: que alegria poder encontrá-las assim, cara a cara, depois de tantos e-mails, chats e hangouts, e poder abraçá-las! Foram instantes de alegria e emoção. Interessante notar que apesar de todas as novidades, em nenhum momento percebi aquele desconforto habitual que ocorre nas reuniões de pessoas desconhecidas, mas, apesar da incipiente familiaridade, um clima acolhedor e fraterno parecia pairar sobre nós. Em seguida Gustavo tomou a palavra e nos ofereceu uma pequena palestra sobre alguns personagens masculinos das obras que lemos até o momento (Petruchio, Charles Bovary e Admeto), acrescentando ainda algumas considerações sobre Ulisses, o marido de Penélope, da Odisséia, personagem que inspirou o nome do clube. Foi ocasião para refrescar a memória, enfatizar questões importantes sobre os papéis dos cônjuges e também integrar um pouco mais os maridos presentes no grupo.
Ao meio-dia corremos para um restaurantezinho de comida boa, bonita e barata no centro de Canela e tivemos diversos momentos de bate-papo descontraído.
À tarde, depois de algumas horinhas livres, voltamos à aconchegante sala de reuniões e ouvimos, com muito prazer e durante mais de uma hora, o prof. Rafael Falcón falando sobre literatura para crianças, alfabetização e educação. Mesmo as Penélopes que ainda não são mães saíram extremamente enriquecidas, pois ouvir o prof. Rafael foi uma daquelas preciosas oportunidades para avaliar nossa própria educação e buscar corrigir os erros e falhas da formação, além, obviamente, das muitas indicações para a educação das crianças. Mas a conversa não parou na palestra: fomos ao (delicioso) coffee break e prosseguimos quase até ao anoitecer conversando e convivendo muito. Que momentos! Nada de conversas miúdas, pueris e “para socializar”: todos falando com o coração nas mãos, remindo o tempo, aproveitando a raridade que é o ter interlocutores sinceros e interessados naquilo que realmente importa e é digno de nota durante nossa curta vida.

Convém mencionar que algumas Penélopes vieram com maridos e filhos, de modo que as crianças brincaram tranquilas durante todo o tempo na casa que elas batizaram de “casinha da Laura” (em referência à Laura Ingalls Wilder, pois a casa era toda de madeira e repleta de objetos e utensílios antigos). Ou seja, toda a família pôde aproveitar sossegadamente.
No domingo pela manhã fomos à igreja e, depois, tomamos, todos juntos, o café da manhã na Pousada. Foi o momento da “DR” do clube, onde pedi às meninas que criticassem nosso trabalho e nos ajudassem a melhorar. Não minto ao dizer que elas nada tiveram a reclamar, mas, na verdade, revelaram que o clube superou todas as expectativas. Recebi minha medalha imaginária nessa hora! Hahahaha Levantamos da mesa (finalmente!) e fomos tirar fotos e continuar a conversa na recepção da Pousada. Parecia que ninguém queria ir embora, pois emendávamos um assunto no outro, orbitando sempre, porém, sobre as questões de família, fé e educação. Foi um tempo totalmente espontâneo de compartilhamento de vida, de experiências e de mútua edificação. Daí em diante algumas já retornaram às suas cidades. À tarde passeamos, com aquelas que ainda ficaram mais um pouco, no Castelinho Caracol e tivemos algumas boas horas juntos.

Por fim, voltamos para casa, eu e minha família, ao fim da tarde, completamente mortos de cansaço (eu e Gustavo, no caso), mas muito gratos a Deus por esse tempo de crescimento compartilhado, comovidos com as tantas demonstrações de carinho que recebemos (quantos presentes lindos!) e felizes pelos vínculos criados e estreitados neste final de semana que passou voando.

Tenho plena ciência de que minhas palavras não fazem justiça ao primeiro encontro. Mais adequado seria se as próprias Penélopes dissessem o que acharam. De todo modo, porém, fica aqui o registro desse momento especial que encerra o primeiro ano de atividades d’A casa de Penélope, e fica também o convite para que você venha participar conosco, presencial ou virtualmente, no próximo.

As inscrições para participar das leituras de 2018 já estão abertas. Confira aqui. Não perca tempo (nem o prazo)!

Abaixo, algumas fotinhos.

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Filhos pequenos e vida espiritual

Mais uma vez aproveito posts do facebook para dar uma agitada por aqui.

Compartilho aqui algumas sugestões que fiz a uma mãe de dois bebês
que me pediu ajuda, pois podem ser úteis a mais alguém. As crianças da
mãe em questão têm pouca diferença de idade e o mais velho tem exigido
muita atenção.
“1. Em primeiríssimo lugar, priorize as crianças: a
casa não é o mais importante no momento, ela poderá ser limpa em outras
ocasiões, já as crianças precisam que você agora, neste instante;
2. Quando o mais novo estiver dormindo, dê atenção ao mais velho: dê colo, beije-o, converse, brinque;
3. Quando for oportuno, talvez depois do almoço, durmam os três: você e
os bebês. Sem descanso, seu leite pode diminuir e você pode acabar
ficando debilitada física e emocionalmente, o que só pioraria tudo.
4. Não se importe com a opinião dos outros. Quem se preocupa de verdade tenta ajudar em lugar de ficar criticando.
5. Às vezes o mais velho precisará ficar chorando um pouquinho. Não se
sinta mal. Você é uma única pessoa e simplesmente não tem como fazer
tudo ao mesmo tempo com dois bebês no colo. Mas lembre-se de priorizar
as crianças.
6. Tente deixar algumas refeições prontas no final de
semana para não precisar cozinhar todos os dias. Você precisa se
alimentar bem para ter leite e cuidar dos dois.
7. Lembre-se: por
mais difícil que seja, esse tempo passa depressa e é muito importante
para a sua santificação, por isso tente não se desesperar, não murmurar,
nem sentir pena de si mesma. Deus sabe o que você é capaz de suportar e
está no controle de tudo.”

Abordar a questão de levar as crianças à Igreja é sempre uma tarefa
delicada. Há quem se ofenda porque crianças fazem barulho demais. Há
quem se ofenda com quem se ofende por causa disso. Mas sobre todas as
justificativas, melindres e não-me-toques, uma coisa é certa: Deus não
nos dá filhos para que nos afastemos Dele, para acabar com nossa vida
espiritual. Pelo contrário! Agora, ainda mais do que antes, somos
chamadas a ser exemplo e a viver em atos aquilo que louvamos. Assim,
filho pequeno não é nem pode ser um impedimento à comunhão. Filho
barulhento e sem respeito também não. Ensine-o a se aquietar, a ser
reverente, a observar em silêncio. “Ah, mas é tão fácil falar!” Se a
questão é facilidade, a melhor saída para todos os problemas é morrer
logo de uma vez, porque a vida é trabalho, é dificuldade, e o Paraíso só
conquista quem persevera. Ou seja, a tarefa mais dificil é a que jamais
é enfrentada, mas se você se esforçar pelo seu filho, com a graça de
Deus, irá conseguir. No início, é normal que na criança faça birra,
desobedeça, ou simplesmente não tenha noção de como se comportar, e é
exatamente aí que entram os limites e a imitação. Aqui em casa, por
exemplo, a coisa funcionou assim: Nathaniel, que é o mais agitado,
passou boa parte de sua vidinha no colo do pai durante a Santa Missa;
agora, que já é maiorzinho, sabe, por tantas vezes nos ter visto, como
proceder, ao ponto de pedir para ir à Igreja. Repito: filhos não são nem
podem ser um obstáculo à vivência da fé, nem na esfera pública, nem na
esfera privada. Eles são os primeiros prejudicados quando a mãe
enfraquece espiritualmente, assim como são os primeiros beneficiados
quando ela se fortalece. Deus nos chama a si em todas as situações da
nossa vida: na tranquila vida solteira, na insegura vida de
recém-casada, na inexperiente vida de mãe de primeira viagem, na
atribulada vida de mãe de muitos filhos. Ele nos chama porque nos ama e
porque sabe que precisamos, mais do que todas as coisas, Dele mesmo.

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A casa de Penélope

É pessoal, sei que as coisas por aqui têm andando às moscas, mas isso é o contrário do que temos tido aqui em casa. As aulas continuam a todo vapor e muito provavelmente não tiraremos férias, pois ficamos muito tempo sem estudos em função do nascimento da Philomena e dos períodos de repouso e de recuperação.

No entanto, há uma razão bastante especial para as coisas estarem tão paradas: iniciamos um novo trabalho. Quem recebe nossa newsletter já está por dentro, mas como muita gente acessa o blog e não recebe a news, resolvi explicar melhor aqui também.

Nossa nova empreitada chama-se A casa de Penélope, nome escolhido com a ajuda da Chloe (que lembrou-se da exemplar Penélope da Odisséia) e da minha prima Antônia (que sugeriu que instalássemos Penélope e todas as futuras participantes em uma “casa”). A casa de Penélope é um clube de literatura temático, por assinatura, para mulheres.



A ideia surgiu tempos atrás, ao término da segunda turma do curso De volta ao lar. Percebi que, mais do que compreender a importância de nossos papéis como esposas, mães e donas de casa, precisávamos também ampliar nosso repertório imaginativo com bons exemplos femininos, para que, por meio deles, nos nutríssemos dos elementos necessários para a superação das objeções, críticas e resistências que encontramos abundamente em nossa época, tanto ao nosso redor quanto dentro de nós mesmas. Não muito tempo depois, conheci um clube do livro de mães norte-americanas que nos serviu como inspiração em termos de funcionamento, para que conseguíssemos, de fato, aqui no Brasil, levar adiante o compromisso com a leitura a sério.

Em outras palavras, desde outubro estamos às voltas com esse novo projeto e por isso o ritmo por aqui diminuiu drasticamente. Criamos um site, página no facebook, no instagram, elaboramos pesquisas, lista de livros, newsletter, guia de leitura… enfim, tudo quase pronto para dia 01 de janeiro começarmos as leituras – mas as inscrições já estão abertas; já somos algumas dezenas!

Quem quiser conhecer melhor, por favor, sinta-se em casa, ou melhor, na casa, A casa de Penélope. 😉

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A família Radford e os nossos dias


Instantes atrás li sobre a maior família britânica: eles acabaram de receber o 19o. filho. Deixando de lado o realmente importante, que é o testemunho de vida desse casal, achei interessante as objeções de alguns nos comentários. Dentre as repetidas censuras pela pretensa irresponsabilidade do casal, uma crítica voltava-se para o fato de o bebê não poder receber toda a atenção devida do pai e da mãe por precisar dividi-los com os dezoito irmãos. Já ouvi essa objeção contra a 
família numerosa muitas vezes, e acho que está na hora de dizer algo a respeito.


Hoje em dia, quando uma família abre-se à vida e acolhe todos os filhos que Deus deseja enviar, ela o faz na plena consciência de que nem o pai, nem a mãe, nem criança alguma é o centro do universo, a pessoa mais importante do mundo. Na verdade, todo cristão deveria saber disso: que ele não é o personagem principal da história, mas apenas um coadjuvante a fazer uma pequena participação na grande peça da eternidade, na qual Jesus Cristo é o protagonista absoluto. Ou seja, numa família numerosa, ninguém é a estrela. Todos os que ali estão devem viver em espírito de amor e de serviço, ajudando uns aos outros em tudo quanto necessário.


Mas é claro que uma pequena comunidade de pessoas que vivam tal entrega e dedicação, lutando contra o egoísmo na prática do dia a dia, não pode ser compreendida em nossos dias. Na verdade, é precisamente o contrário: além de incompreendida, tais pessoas são motivo de chacota. O bacana, o legal, o “sensato” é mesmo ter um só filho e tratá-lo como um deus, entupindo a criança de todas as coisas que porventura a sua soberana vontade venha a desejar (mesmo que 5 minutos depois tudo seja abandonado por um novo objeto de desejo), nunca dizendo “não” a ela, e nem sequer sonhando com uma palmada simbólica quando cometer o maior desrespeito de que for possível. Isso sim é bom. É torná-lo senhor de tudo, mas, tão logo quanto possível, despachá-lo para a escolinha, depois para a natação, depois para o futebol, depois para os avós e, por fim, para os amigos, para que joguem videogame até que os olhos saltem da cabeça, afinal, ninguém aguenta um tirano desperto por mais de uma ou duas horas.

Não é por acaso que há gente com 20, 30, 40, 50, 60 anos completamente incapaz de olhar para o lado e se importar de verdade com alguém, pois aprenderam com os pais que eles próprios são os protagonistas do universo, que os seus sentimentos são os mais importantes, os mais intensos, os mais sofridos do mundo, que as suas vontades não merecem freio algum, ainda que esmaguem os demais. E, curioso, geralmente é o mesmo pessoal que usa a hashtag
 ‪#‎maisamorporfavor‬

PS: Já ouvi também a crítica de que antigamente os mais velhos é que acabam criando os mais novos. Ora, será que é também um mero acaso o fato de que as pessoas crescem, noivam, casam, os filhos chegam e não têm a menor idéia de o que fazer com um bebê recém nascido? Ou, se aprendem alguma coisa, é porque fizeram algum curso no hospital antes do nascimento do bebê? Gente, cuidar de criança era algo que se aprendia em casa, na família, com os irmãos mais novos sim! Por que raios isso precisa ser visto como um martírio, uma injustiça? Seria de fato uma injustiça nos casos de os pais lavarem as mãos e não fazerem nada, mas, até onde sei, quando os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos era porque os pais estavam trabalhando na lavoura, fazendo comida, lavando roupa com as próprias mãos, enfim, fazendo coisas muito mais pesadas do que trocar uma fralda ou embalar um bebê. E esse aprendizado não seria de imenso auxílio quando a pessoa, uma fez adulta, constituísse a própria família? Ah, pra quê família, né? Bom mesmo é criar gato.

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Educação sexual para crianças

Como não é a primeira e provavelmente não será a última vez que me
perguntam sobre educação sexual para crianças via mensagem privada,
resolvi escrever publicamente o que penso a respeito, na condição de
simples mãe que sou.

Alguém aí acha adequado que se ensine sobre o
mundo do trabalho ou sobre o mercado financeiro para crianças? Não, né.
Pois é, se trabalho e dinheiro fazem parte do universo adulto e não
devem fazer parte das preocupações infantis, quanto mais as questões referentes à sexualidade!

Não é por possuírem órgãos genitais que as crianças têm condições de
tratar de sexo. Aliás, é notório em seus próprios corpos que elas não
têm maturidade física — nem psíquica — para lidar com tais assuntos,
de modo que expô-las a estes conteúdos é um ultraje, um desrespeito e
uma violência. Ao obrigá-las a tratar deste universo, força-se um
amadurecimento fora de tempo com consequências terríveis à sua
personalidade, pois as obriga a tratar de um assunto extremamente
complexo e que envolve a totalidade da pessoa com as precárias
ferramentas que possuem, isto é, com o mero instinto, assim como os
animais.

Por outro lado, há quem afirme que o interesse parte das
crianças, e a estes eu respondo: não há nada mais simples do que
despertar o interesse em uma criança, seja lá sobre o que for. Quando se
submete os pequenos a músicas, roupas, propagandas, programas de TV e
comportamentos hipersexualizados não haverá surpresa em descobri-los
interessados em tais assuntos, embora este seja um interesse
maquiavelicamente forjado por adultos malignos. Em outras palavras, não
acredito que as crianças tenham um interesse natural por sexo, mas elas
podem, sim, ser conduzidas a isso.

Por último, a
Igreja ensina que este é um assunto a respeito do qual o ensino compete
exclusivamente aos pais. Vocês têm, portanto, não somente o direito, mas
o dever de livrar as crianças de quaisquer intromissões neste sentido.
Protejam-nas de influências dessa natureza e vocês verão o interesse
pelo assunto surgir na época certa, quando se avizinha a maturidade
física e psicológica, quando se aproxima a época da responsabilidade, do
trabalho e da conquista do próprio sustento. Aí o assunto poderá ser
tratado como convém, ou seja, com o respeito, a decência e a inserção no
contexto necessário para o desenvolvimento não somente de uma vida
sexual consciente, madura e responsável, mas da própria personalidade.

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Programação imperdível!

O mês de maio é um mês lotado de acontecimentos importantes: dia 01 de maio comemora-se o dia de São José Operário; dia 05, comemora-se o terceiro aniversário do Encontrando Alegria; dia 08, comemora-se o dia das mães; ao fim do mês, na provável data do dia 20, nascimento da Philomena, minha quarta filha; sem mencionar as seis ocasiões em que se celebram algumas das muitas aparições de Nossa Senhora (08, Estrela; 13, Fátima; 24, Auxiliadora; 26, Caravaggio; 31, Visitação; 31, Medianeira). Eu não poderia deixar passar em brancas nuvens um mês tão especial assim, não é mesmo? E, no entanto, três anos atrás, eu jamais imaginaria que tantas coisas teriam mudado e que haveria tanto para celebrar.

Assim sendo, planejei a seguinte programação (ou “currículo”) para os próximos dias, pensando especialmente em vocês, pais e mães que nos seguem e apoiam o nosso trabalho:

Dicas:

  • Dia 01 de maio, dia de São José Operário, publicarei um texto no qual apresentarei a vocês um livro sensacional sobre coordenação motora para crianças de zero a cinco anos, em português. O livro não somente oferece sugestões de atividades adequadas a cada faixa etária como também explica as razões de cada uma delas, nos oferecendo, portanto, uma maior compreensão do funcionamento e desenvolvimento físico adequados aos nossos filhos nesta que é uma idade essencial para a sua formação;
  • Dia 05 de maio, dia do Encontrando Alegria, publicarei um texto sobre um outro livro excelente, um verdadeiro manual de pré-alfabetização e alfabetização segundo o método fônico, inclusive com cronograma de atividades correspondentes à pré-escola e à primeira série, além ampla bibliografia e lista de materiais de apoio para cada atividade recomendada;
  • Dia 10 de maio, publicarei mais uma dica de livro, só que dessa vez voltado aos pequenos, como sugestão de livro para leitura em voz alta. Trata-se de um clássico da literatura infanto-juvenil mundial para ser desfrutado por toda a família e pode, ainda, servir como uma espécie de introdução aos exercícios de formação literária, tamanha é a sua riqueza;
Sorteios:
  • Dia 08 de maio, em homenagem ao Dia das Mães, sortearei três exemplares do livro Homeschooling Católico – Um guia para pais, em formato e-book. Embora seja um livro voltado ao público católico, pode ser de grande proveito a todas as famílias cristãs.
Promoções imperdíveis:
  • Do dia 25 de abril (amanhã, segunda-feira) ao dia 10 de maio, todos os nossos cursos (com exceção do “Seja Homem”) estarão com 50% de desconto! São eles:
  1. Homeschooling 1.0 (9 aulas): As bases históricas, metodológicas, pedagógicas, jurídicas, além de sugestões bibliográficas e de materiais, para quem quer praticar o homeschooling e não sabe por onde começar. De R$ 250 por R$ 125. Poderá ser adquirido no site do Instituto Isidoro de Sevilha;
  2. De volta ao lar (6 aulas): Como melhor compreender-se, agir, gerir a vida doméstica e resistir às pressões em uma época de tanta resistência e desprezo à vida no lar De R$ 300 por R$ 150. Poderá ser adquirido no site do Instituto Isidoro de Sevilha;
  3. Ensine seus filhos a gostar de ler (4 aulas): Como auxiliar as crianças no desenvolvimento e consolidação do gosto pela leitura com sugestões de atividades práticas, correção de possíveis erros da rotina, critérios para seleção de bons conteúdos e ainda uma lista com mais de 100 títulos seguros para diferentes faixas etárias. De R$ 240 por R$ 120. Poderá ser adquirido no fim deste post a partir de amanhã;
  4. Oficina de casamento (8 aulas): Porque pouca serventia tem uma dedicação extrema à educação das crianças quando o ambiente doméstico e a relação entre os pais encontra-se comprometida. Assuntos como as diferentes estações ao longo do casamento, o relacionamento com as famílias de origem, a resolução de conflitos, o perdão, sexualidade sadia além de outros fazem parte dos conteúdos. De R$ 240 por R$ 120. Poderá ser adquirido no fim deste post a partir de amanhã.
  5. Por último, se você quiser adquirir um pacote com todos os cursos, em lugar de pagar R$ 515, pagará R$ 470. O pacote poderá ser adquirido no fim deste post a partir de manhã.
E então, gostaram da nossa programação? Se sim, ajudem-nos a espalhá-la por aí, para que alcance e beneficie o máximo de famílias possível!


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Como o cristão deve decidir sobre a educação dos seus filhos

Uma miríade de perguntas povoa a mente dos pais que cogitam praticar o homeschooling, muitas das quais, às vezes, alimentadas mais pela imaginação do que pela carência de conhecimento a respeito de determinados aspectos da questão, isto é, mesmo sabendo como as coisas usualmente transcorrem, o fato de não “dar o passo” sempre de novo renova os mesmos medos.

Porém, independentemente da dúvida, do medo, da insegurança, do quanto se sabe e do quanto se ignora, acredito que toda a questão educacional, para além do próprio homeschool, deva ser inserida em um quadro maior, e este quadro é o da fé. Na verdade, para o cristão, toda a sua vida deve ser inserida, compreendida, decidida e explicada a partir disso, mas vou restringir meu post ao âmbito educacional.

Quando recebemos nossos filhos, pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, recebemos um dos maiores, senão o maior, desafio de nossas vidas. Não se trata simplesmente de estudar e trabalhar para manter são o corpo de nossas crianças, mas sobretudo de fazer o mesmo com respeito às suas almas, afinal, nossa responsabilidade, embora restrita a um determinado tempo na vida de nossos filhos, repercutirá sobre a eternidade, marcará nossas crianças para sempre, muito provavelmente influenciando sobre o seu destino eterno. Assim, zelar por sua educação, em seu sentido mais amplo possível, é nosso dever, um dever instituído pela natureza e pelo próprio Deus.

Todas as dúvidas e certezas, todas as indecisões e decisões, devem, portanto, ser consideradas desde tal balança, não somente desde o prato da natureza, do corpo, da necessidade física, mas também a partir do prato divino, da alma, da necessidade espiritual. Logo, na prática, a questão do homeschool não pode ser pensada pelo cristão simplesmente em termos de “terei condições intelectuais de ensinar?”, “terei problemas com meus familiares ou com a justiça?”, “meu filho será capaz de conviver com os demais de maneira adequada ou se tornará alguém retraído?”, mas, principalmente nos seguintes termos: “a que tipo de coisa estarei permitindo que meu filho seja submetido se ele for (ou permanecer) para a escola?”, “quais serão os frutos disso em seu coração?”, “como responderei diante de Deus sobre isso, considerando que sei da possibilidade de escolher algo diferente?”. Eis a perspectiva correta, o ângulo essencial que iluminará com a luz adequada e suficiente tudo o mais, embora nem sempre com a velocidade que desejamos.

É claro que o fato de ponderarmos levando tudo isso em conta não é garantia de que todas as dúvidas sumirão da nossa mente instantaneamente ou que jamais cometeremos erro algum (somos humanos, não?), mas é garantia de que estaremos desempenhando, dentro das nossas limitações, da melhor maneira possível, o nosso dever, um dever antes de tudo para com Deus, mas também um dever para com alguns dos nossos próximos mais próximos, os nossos filhos. Por causa disso poderemos ter a certeza de que não estaremos sozinhos, seja qual for a circunstância, mas contaremos, felizmente, com a ajuda do maior interessado em todos nossas vidas: o próprio Deus.

O julgamento final, de Jean Cousin.


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A mulher artificial e a luta pela mulher verdadeira

Dias atrás, uma aluna marcou-me em um post de uma entrevista da feminista Elisabeth Batinder. Eu não a conhecia e, apesar dos visíveis problemas em sua argumentação, fiz o esforço de ouvi-la até o fim. Antecipo que a entrevista completa renderia páginas e páginas de refutação, pois está repleta de falácias, mas circunscrevo aqui minhas objeções à tese, apresentada logo ao início e que me parece fundamental, de que não existe instinto materno.

Batinder começa afirmando seu prazer em observar os pais e mães às voltas com os seus filhos nos parquinhos europeus, e que por conta desse hábito, acabou percebendo nos rostos das mães o quanto elas parecem entediadas e alienadas naquele mundo materno. Até aí, nada de errado, afinal, quantos de nós já não vimos algo assim ou não nos sentimos assim? No entanto, após um salto argumentativo olímpico, ela conclui, com base em tal observação, que, obviamente, a maternidade não é uma coisa natural para a mulher como o é para as macacas, de modo que, realmente, algo como “instinto materno” é uma mentira da cultura patriarcal que sempre lucrou com a opressão da mulher. Para embasar sua teoria, Batinder resolve reinterpretar a história desde o século XVII até os nossos dias, excluindo, obviamente, por um lado, Deus (e a religião), e, por outro, a natureza (uma existencialista heideggeriana?).

O livro que apresenta a teoria de Batinder não é recente. “O mito do amor materno” teve sua primeira edição em 1981. Não é difícil concluir, portanto, que as observações nas quais a autora se baseou remontam majoritariamente ao período das décadas de 60 e, principalmente, 70, isto é, imediatamente posterior às revoluções sexual e estudantil que convulsionaram a cultura ocidental no século XX. Salientar este aspecto não é sem importância, pois foi a partir deste recorte espaço-temporal que Batinder viu-se em condições de criar uma regra geral pretensamente válida universalmente. Mas será que as coisas são mesmo assim? Quem é a mulher ocidental e, mais especificamente, a européia, pós-revoluções da década de 60?

A mulher ocidental pós-revoluções de 60 é a mulher que testemunhou a banalização do divórcio e a ruína de sua família, que experimentou maconha, cocaína e LSD, que ingressou nas seitas new age, que reivindicou igualdade entre os sexos, que lutou por espaço no mundo do trabalho e que praticou o chamado sexo livre, isto é, o sexo sem compromisso, meramente recreativo, com quantos quisesse e quando quisesse. Ou seja, esta não é uma mulher normal, historicamente falando, mas uma mulher que sofreu, em um curtíssimo espaço de tempo, o impacto intenso de um grande número de mudanças dramáticas em seu modo de ser. E, de lá para cá, tais tendências e práticas tornaram-se mais e mais comuns, de maneira que o que inicialmente parecia exceção acabou por tornar-se regra.

Como, portanto, essa mesma mulher, ao descobrir-se mãe e ser de todo absorvida pela maternidade não pareceria entediada e alienada ao cuidar de suas crianças em um parquinho, já que seus filhos são o resultado indesejado de “uma transa” qualquer? Como não encarar a vida dura e rotineira do dia a dia familiar com uma disposição semelhante àquela do beberrão que sofre com a enxaqueca no dia seguinte ao porre? Como harmonizar as promessas mentirosas dos revolucionários com as verdades simples do cotidiano sem grande dose de frustração e ressentimento? E como hoje, passado meio século, não ouvir as afirmações de Batinder sem que elas soem repletas de verdade e respaldadas pela realidade que nos circunda? Repito, no entanto, a pergunta que fiz acima: será que as coisas são mesmo assim? E acrescento: teria Batinder desmascarado a mentira ancestral que nos aprisionou durante tanto tempo?

A resposta é simples: não. A mulher “sem instinto materno”, a mulher “vítima do patriarcado”, a mulher “entediada e alienada na vida doméstica” é a mulher estrategicamente planejada pelos revolucionários em sua luta pela destruição da “família burguesa”. De modo algum essa mulher, que infelizmente corresponde a quem muitas de nós nos tornamos nos dias atuais, é fruto espontâneo da história, resultado do natural desenrolar dos eventos, nascida de suas escolhas e decisões. Não. Ela é uma mulher artificial, postiça, fabricada, desenhada para a sua própria destruição e daqueles que estiverem sob o seu controle. (Para conseguir compreender de fato o que estou dizendo seria necessário um parênteses enorme para explicitar muito da história da origem do movimento feminista — não como as feministas o contam, adulterando o passado, mas como ele foi de fato –, entretanto, este não é o assunto do post e não há espaço suficiente aqui para tanto).

Agora, todavia, surge o dilema: uma vez que essa mulher artificial tenha se tornado a regra em nossos dias, onipresente ao nosso redor e também entronizada em nosso interior, como conseguir discernir a mulher verdadeira, aquela que se manteve basicamente a mesma ao longo dos séculos, dos milênios, que era feliz por ser quem era e sustinha a própria sociedade ao assumir seu papel no coração da família? Expandindo nosso horizonte histórico, olhando para além do que a viseira revolucionária nos permite ver, reunindo uma amostra variada de mulheres exemplares que, na peculiaridade de suas vidas individuais, dão testemunho de realizar à perfeição, apesar de seus limites, aquilo para que foram criadas por Deus. Sim, Deus e a natureza precisam voltar a participar de nossa vida e de nossa cosmovisão. Não há outro modo para retomar o fio da meada da história; não há outro modo de livrar-se do feminismo; não há outro modo de restaurar a feminilidade como ela de fato é e de encontrar alegria nisso.

O trabalho é árduo. Exige esforço, pesquisa, e principalmente o afastamento de uma série de hábitos e — muito provavelmente — de companhias que nos puxam em direção ao automatismo e à artificialidade do discurso feminista contemporâneo. Mas vale a pena. Reencontrar-se, redescobrir-se e poder desfrutar com maturidade das dificuldades e alegrias reservadas ao sexo feminino é um presente especial destinado àquelas que não querem mais a farsa, que não querem reinventar a roda, que não querem negar a história, que não querem negar a natureza, que não querem negar o instinto, que não querem negar a Deus. Assim, Elisabeth Batinder que me desculpe, mas mesmo debaixo de tantas camadas acumuladas em meio século de farsa e de loucura, a mulher verdadeira nunca deixou de existir em cada mulher individual: é preciso decidir-se por ela e, mais do que nunca, em nossos dias, por ela lutar.

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Homeschooling e adolescência: será que dá certo?

A maioria das famílias que inicia a caminhada homeschooler e têm filhos adolescentes obviamente não os educou em casa desde sempre. Assim sendo, para além das dificuldades comuns a todas às demais famílias (materiais, organização da rotina doméstica, etc), há ainda o hábito da vida escolar adquirido e reforçado ao longo de anos e, consequentemente, os vínculos com os colegas.

Diferentemente das crianças menores, o adolescente, pelo próprio período em que vive, descobre-se em um momento no qual os pares passam a ter uma importância maior do que até então possuíam. Deste modo, uma das principais razões para resistência ao homeschooling por parte dos filhos nessa faixa etária pode ser justamente a falta do convívio social, a saudade do tempo com os colegas.

No entanto, isso não precisa ser o fim de tudo, especialmente quando sabemos que a qualidade das amizades em nossas escolas não raras vezes é mais maléfica do que benéfica, mais prejudicando a formação do caráter dos nossos filhos do que os aprimorando de algum modo. Pensando nisso, deixo aqui alguns modos de contornar essa dificuldade, suprindo a necessidade de convívio social sem abrir mão do homeschooling:

  1. Convide algum(ns) bom(ns) amigo(s) (mas bom(ns) mesmo, decente(s), confiável(is)) para fazer alguma das aulas junto com os seus filhos, de preferência sobre alguma disciplina que os interesse realmente (artes, química, física, etc);

  2. Promova sessões de cinema na sua casa de tempos em tempos;

  3. Leve os seus filhos para fazer alguma atividade que envolva outras pessoas (aulas de música, alguma atividade física, oficina de origami, etc);

  4. Mas, sobretudo: procure outras famílias homeschoolers, se possível com crianças em uma faixa etária próxima das suas, com quem possam estreitar o convívio. Este é um vínculo fundamental, pois todos vocês, e não apenas as crianças, poderão se enriquecer por meio dele. Com o tempo os pais poderão organizar acampamentos com os meninos, enquanto as mães poderão organizar grupos de artesanato ou o que tiverem vontade de compartilhar e ensinar às crianças;

  5. Se ainda não houver nenhuma família homeschooler por perto, na sua cidade ou região, busque por elas pela internet, troquem correspondências (cartas mesmo!), lembrancinhas da sua região e combinem um encontro presencial em algum período do ano. Eis aí uma boa ocasião para praticar caligrafia e cultivar uma amizade à moda antiga. 😉
  6. Convide-os para algum trabalho voluntário, engaje-os nas tarefas da casa,
    no negócio da família, recompense-os pelos seus desempenhos e responsabilidades. Assim consegue-se
    tirar um pouco o foco do costumeiro “nada fazer” com os amigos e
    introduz-se algo de útil e relevante para a vida; 

  7. Finalmente, tenha paciência, persevere, converse. Não bata de frente o tempo todo. Negocie, concilie e, tanto quanto possível, ofereça aos seus filhos os desafios que eles precisam para seguir adiante rumo à vida adulta, pois nem a infância nem a adolescência são fins em si mesmos, mas etapas provisórias em direção à maturidade e à autonomia da adultez.